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Havana, 12 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O governo cubano denunciou que a escassez de combustível, provocada pelo cerco petrolífero imposto pelos Estados Unidos, está a impedir as Nações Unidas de distribuir 170 contentores de ajuda humanitária já chegados à ilha, num valor equivalente a cerca de 6,3 milhões de dólares norte-americanos.
A denúncia foi feita pelo ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, que classificou o bloqueio energético norte-americano contra Cuba como tendo “um impacto real e grave sobre a população”.
Faz parte, considera, de uma política de “punição coletiva” aplicada pelo governo dos Estados Unidos ao povo cubano.
Segundo o chefe da diplomacia cubana, a medida não se limita a condicionar o desempenho da economia do país, afetando diretamente a vida quotidiana dos cidadãos.
Desde janeiro, Washington decretou várias rondas adicionais de sanções contra empresas e dirigentes cubanos, agravando uma crise económica e energética já sentida pela ilha no âmbito do embargo norte-americano em vigor desde 1962.
Um novo decreto assinado por Donald Trump a 1 de maio alargou ainda mais o alcance das sanções, visando empresas e particulares de países terceiros que mantenham relações económicas com o Estado cubano ou as suas empresas – um reforço da dimensão extraterritorial do bloqueio.
Na sequência deste decreto, as duas principais companhias marítimas internacionais que operavam com Cuba, a francesa CMA CGM e a alemã Hapag-Lloyd, decidiram, a título preventivo, deixar de aceitar novos pedidos de transporte relacionados com a ilha.
Segundo fontes citadas pela agência EFE, as Nações Unidas têm assim milhares de toneladas de alimentos destinados a Cuba, em fase de aquisição no estrangeiro, sem possibilidade de transporte para o país.
De acordo com as mesmas fontes, alternativas como a aquisição de combustível através do sector privado cubano em pequenas cisternas, ou a importação por petroleiro, revelar-se-iam extremamente ineficientes ou dispendiosas, além de arriscadas para as companhias envolvidas, dado o bloqueio petrolífero norte-americano.
O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) apresentou à delegação dos Estados Unidos na ONU um documento designado “Plano de Rastreabilidade”, destinado a explicar de que forma tencionava utilizar o combustível em causa.
O objetivo era demonstrar que o Estado cubano não seria beneficiado, apesar de ser este o responsável pelo financiamento de hospitais, escolas e outros serviços básicos.
O presidente Donald Trump considera que Cuba, situada a cerca de 150 quilómetros da costa da Florida, representa “uma ameaça extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos, tendo já ameaçado em diversas ocasiões “assumir o controlo” da ilha.
A administração norte-americana afirma que o seu objetivo é ajudar o povo cubano, tendo oferecido 100 milhões de dólares em “ajuda” no âmbito desta política.
O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, instou Washington a suspender “imediatamente” as sanções, alertando: “Há crianças que morrem porque os médicos não têm acesso a fornecimentos médicos e medicamentos essenciais. Isso é inaceitável.
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Escrito por RafaFM
Cuba denuncia que bloqueio petrolífero dos EUA impede distribuição de ajuda humanitária da ONU
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