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Díli, 5 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Apesar dos avisos de uma rutura iminente no abastecimento de combustível de aviação, desencadeados pelo conflito no Irão e pelo encerramento do Estreito de Ormuz, as principais companhias aéreas mundiais garantem agora ter reservas suficientes para os próximos meses.
Ainda assim, especialistas consideram que o perigo não desapareceu e as empresas do setor mantém-se em alerta.
Recorde-se que os ataques norte-americanos e israelitas ao Irão a 28 de fevereiro, desencadearam uma crise sem precedentes, fazendo duplicar os preços do crude e condicionando fortemente o transporte de várias mercadorias essenciais.
O Kuwait, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita exportavam em conjunto cerca de 400 mil barris de combustível aeronáutico por dia em 2025 – volume que o encerramento do Estreito de Ormuz perturbou gravemente.
A resposta do mercado foi imediata: refinarias norte-americanas aumentaram a quota de produção de combustível de aviação de 10,5% para 12,7% da sua capacidade total, um acréscimo de cerca de 250 mil barris diários face ao ano anterior.
As refinarias europeias operaram na capacidade máxima, e a União Europeia aprovou o uso de combustível Jet A – proveniente de outras regiões – como alternativa ao Jet A-1 habitualmente utilizado na Europa.
O grupo Lufthansa, que em abril havia anunciado o corte de milhares de voos de curta distância, declarou na semana passada que “o verão está assegurado”.
Além do aumento da produção alternativa, a própria procura de combustível recuou.
Companhias como a Cebu Pacific cancelaram ou reduziram rotas pouco rentáveis, e os passageiros resistiram à subida das tarifas e das sobretaxas de combustível.
Segundo dados da FlightRadar24, o número de voos situa-se cerca de 0,5% abaixo do registado no ano anterior, uma inversão face ao crescimento de 2% em termos homólogos registado antes da guerra.
Especialistas sublinham, porém, que o equilíbrio alcançado é frágil.
A Comissão Europeia advertiu que restrições regionais de abastecimento poderão surgir caso o bloqueio do Estreito de Ormuz não seja resolvido.
A Agência Internacional de Energia alertou que os países estão a consumir reservas estratégicas a um ritmo recorde, mas que estas apenas compensam parcialmente a produção perdida.
“Retomar os fluxos pelo Estreito de Ormuz continua a ser a variável mais importante para aliviar a pressão sobre o abastecimento energético, os preços e a economia global”, afirmou a agência.
Mesmo sem rutura imediata de combustível, o sector enfrenta sérias preocupações de rentabilidade.
A Singapore Airlines reconheceu que o aumento das tarifas não compensou integralmente a subida dos custos do combustível – a sua maior despesa operacional.
A americana Spirit Airlines tornou-se a primeira baixa da indústria diretamente ligada ao conflito no Irão, declarando falência e cessando operações a 2 de maio.
O diretor financeiro da Ryanair afirmou não surpreender-se se outras companhias europeias enfrentassem cenário semelhante durante o inverno.
Para o Sudeste Asiático, a análise da Sobie Aviation projeta potenciais quedas de dois dígitos no número de passageiros nos próximos meses nos principais mercados da região, incluindo Indonésia, Malásia, Filipinas, Tailândia e Vietname – com impacto particular na procura doméstica.
FIM
Escrito por RafaFM
Crise do combustível de aviação não se materializou mas sector mantém-se em alerta
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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