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Havana, 5 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A capital cubana vive uma crise sanitária crescente, com lixo acumulado em praticamente todas as esquinas da cidade, agravada por um bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos que paralisou os camiões municipais de recolha de resíduos.
Durante meses, os cerca de dois milhões de residentes de Havana têm convivido com montes de lixo a acumular-se em quase todas as esquinas da cidade.
A situação deteriorou-se após o bloqueio energético norte-americano desencadear cortes de eletricidade, escassez de água e uma crise de combustível que imobilizou os camiões estatais de recolha de resíduos.
“O que estão a ver é deprimente. O lixo nesta zona, as moscas, os ratos, a sujidade – é completamente insalubre”, lamentou María Odalys Ramírez, de 63 anos, residente em frente ao hospital Hermanos Ameijeiras, um dos mais emblemáticos da capital.
Dos 106 camiões de lixo de Havana, apenas 44 conseguiram manter operações devido à escassez de combustível, segundo dados da Cubadebate.
Havana produzia, em julho do ano passado, o equivalente a cerca de 12 piscinas olímpicas de resíduos sólidos por dia, de acordo com os dados municipais mais recentes disponíveis.
Mesmo nessa altura, os serviços municipais recolhiam apenas 57% do total gerado.
Sem recolha regular, os moradores passaram a queimar o lixo nas ruas, suscitando alarme junto das autoridades de saúde quanto aos potenciais efeitos tóxicos das emissões.
Odalys Goicochea, responsável do ministério da ciência, tecnologia e ambiente, identificou a “gestão imprópria dos resíduos sólidos urbanos” como um dos principais desafios ambientais do país.
Goicochea alertou que a conjunção da atual situação de recolha de lixo com o aumento das temperaturas e as chuvas iminentes poderá agravar o cenário, com o calor e a humidade a ameaçar desencadear uma proliferação de moscas e mosquitos transmissores de doenças.
Os residentes temem que os próximos meses tragam condições ainda piores, com a aproximação do pico do Verão e o início da época de furacões.
A situação tem levado a várias iniciativas comunitárias para mitigar a crise. Uma delas é o projeto El Batazo, que opera em oito quarteirões de Havana.
Um recolector percorre a zona duas vezes por dia com um sino para recolher lixo doméstico pré-separado, enquanto outros membros varrem as ruas. Os materiais recicláveis, como alumínio e vidro, são vendidos, os restos orgânicos são usados para alimentar animais, e o restante é transportado para um aterro.
“O impacto fundamental deste projeto é provar à comunidade que é possível. É inteiramente possível viver num ambiente mais limpo, dar valor ao que chamamos de ‘lixo’ e aproveitá-lo”, afirmou Evelyn Martínez, colaboradora do El Batazo.
O ministro da Saúde cubano alertou que o bloqueio norte-americano de petróleo está a empurrar o sistema de saúde do país para o limite, afirmando que os hospitais ficam sem meios de resposta e que milhares de vidas estão em risco.
A administração Trump declarou Cuba “uma ameaça invulgar e extraordinária” para os Estados Unidos, tendo cortado exportações de petróleo provenientes da Venezuela com destino à ilha e ameaçado penalizar outros países que exportem combustível para Cuba.
FIM
Escrito por RafaFM
Crise de lixo em Havana agrava-se com bloqueio energético dos EUA
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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