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Crise de combustível leva companhias aéreas a cancelar dois milhões de lugares em maio

todayMaio 5, 2026 26 4

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Díli, 5 de maio de 2026 (RAFA.TL) – As principais companhias aéreas mundiais retiraram nas últimas duas semanas cerca de dois milhões de lugares da oferta global em maio, perante preocupações sobre a disponibilidade de combustível, revela o Financial Times.

O jornal, que cita dados da Cirium, refere que milhares de voos foram cancelados e vários serviços mudaram para aeronaves mais pequenas ou mais eficientes em termos de consumo.

O total de lugares disponíveis em todas as companhias durante maio caiu de 132 milhões para 130 milhões entre meados e o final de abril, de acordo com os mesmos dados.

Desde o início da guerra com o Irão, em finais de fevereiro, o preço do combustível de aviação duplicou, forçando as companhias aéreas a aumentar os preços dos bilhetes.

Interrupções ou fecho temporário dos aeroportos do Golfo – que asseguravam um terço das ligações europeias à Ásia – lançou a aviação global num estado de perturbação sem precedentes.

“O preço e a procura” de combustível tornaram-se “muito mais significativos” desde o início do conflito, declarou ao Financial Times Bum-ho Kim, presidente interino do aeroporto de Incheon, em Seul.

A Lufthansa registou o maior número de cancelamentos, cortando 20.000 voos entre maio e outubro porque os custos de combustível tornaram essas operações deficitárias.

A Air China surge em segundo lugar, tendo eliminado voos incluindo rotas internas entre Chengdu e Pequim.

As transportadoras do Golfo – Emirates, Etihad e Qatar – redesenharam os horários de maio, incluindo cancelamentos, depois de as suas operações terem sido fortemente perturbadas nas primeiras semanas do conflito.

A Emirates opera atualmente cerca de dois terços da capacidade anterior ao conflito, com um número mais reduzido de passageiros.

A Delta Air Lines cortou 3,5% da sua rede no segundo trimestre para poupar combustível. A EasyJet e a Virgin Atlantic alertaram sobre o impacto da crise na sua rentabilidade.

Tanto a menor procura como a maior pressão dos custos têm levado as companhias a substituir aeronaves por modelos mais pequenos ou mais eficientes.

A Etihad trocou um Airbus A350, com capacidade para quase 400 passageiros, por um Boeing 787, com entre 220 e 300 lugares, na rota entre Abu Dhabi e Hong Kong.

Algumas rotas seguiram o caminho inverso, adotando aviões maiores para responder ao aumento da procura de voos diretos entre a Europa e a Ásia.

A Air France passou a utilizar uma versão maior do Boeing 777 na rota para Mumbai, enquanto a Air China implantou o mesmo modelo na ligação entre o aeroporto de Heathrow, em Londres, e Pequim.

A Air France revelou ter sido aconselhada a não acrescentar serviços extra para Singapura ou para o Haneda, em Tóquio, uma vez que os dois grandes centros de ligação asiáticos procuram limitar o consumo de querosene.

A região é a mais afetada pela perturbação no abastecimento por ser mais dependente do combustível proveniente do Estreito de Ormuz, que continua próximo de uma paragem total devido à ameaça de ataques iranianos e a um bloqueio naval dos EUA.

As companhias japonesas beneficiaram do aumento da procura europeia, mas alertaram que serão penalizadas pelos custos mais elevados do combustível.

A ANA prevê gastar adicionalmente 650 milhões de libras em combustível até março próximo, enquanto a Japan Airlines estima que os seus lucros recuem um quinto devido ao agravamento dos custos.

“Nenhuma companhia europeia vai enviar um avião para a Ásia para absorver procura do Golfo e arriscar ficar presa sem combustível para regressar”, resumiu o analista de aviação John Strickland, citado pelo Financial Times.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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