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Cortes na ajuda humanitária deixam um milhão de mulheres e raparigas sem apoio, alerta ONU Mulheres

todayJulho 14, 2026 16

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Díli, 14 de julho  de 2026 (RAFA.TL) – Pelo menos um milhão de mulheres e raparigas afetadas por conflitos perderam acesso a serviços críticos desde janeiro de 2025 devido a cortes na ajuda humanitária internacional, revela um novo relatório da ONU Mulheres.

O relatório “Além do Ponto de Rutura”, divulgado a 10 de julho, baseia-se num inquérito a 855 organizações lideradas por mulheres em 52 países e contextos de crise, incluindo Timor-Leste.

Segundo o documento, cerca de 120 milhões de mulheres e raparigas necessitam atualmente de assistência humanitária e proteção a nível mundial.

O relatório descreve que as necessidades humanitárias continuam a aumentar, “enquanto as organizações são forçadas a reduzir serviços, despedir pessoal e diminuir a sua área geográfica de atuação”.

Como consequência direta, o documento sublinha que mulheres e raparigas enfrentam “acesso decrescente a serviços essenciais”, incluindo prevenção e resposta à violência baseada no género.

Dos dados recolhidos, 90% das organizações inquiridas afirmam não conseguir satisfazer as necessidades no terreno por falta de financiamento, e 60% dizem estar a chegar a menos mulheres e raparigas do que em janeiro de 2025, apesar do aumento das necessidades.

Quatro em cada dez organizações enfrentam risco de encerramento temporário ou permanente no próximo ano.

O relatório associa o agravamento da crise a cortes na ajuda externa dos Estados Unidos, anteriormente o maior doador humanitário mundial, promovidos pela administração de Donald Trump desde janeiro de 2025, com o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e uma queda superior a 50% na ajuda externa norte-americana, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

A Alemanha, a França e o Reino Unido reduziram também as suas doações, sobretudo devido a pressões orçamentais internas e ao aumento dos gastos com defesa.

Entre os impactos identificados, nove em cada dez organizações reportaram aumento da pobreza entre as mulheres que servem, oito em cada dez viram aumentar o abandono escolar entre raparigas, e sete em cada dez assinalaram aumento de casamentos forçados.

O documento revela ainda que 65% das organizações têm pessoal a trabalhar sem remuneração para manter os serviços em funcionamento, com 48% a reportar aumento do esgotamento da equipa e 88% a assinalar deterioração da saúde mental das mulheres e raparigas que servem.

A responsável da ONU Mulheres para a ação humanitária, Sofia Calltorp, citada no relatório, descreveu as organizações em risco de encerrar como estando “na linha da frente das crises humanitárias mais graves do mundo”, alertando que, sem investimento sustentado, correm o risco de se tornarem “mais uma vítima da guerra”.

Timor-Leste, país que continua a receber apoio de parceiros internacionais em áreas como a prevenção da violência baseada no género e a proteção social, não é referido de forma individualizada no relatório, mas o alerta da ONU Mulheres surge num contexto global de redução da cooperação internacional que também pode afetar países pequenos e dependentes de financiamento externo para programas de género e proteção social.

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Escrito por RafaFM

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