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Congresso Nacional da RENETIL vai eleger nova direção e debater o seu papel na construção do Estado.

todayJulho 15, 2026 11

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Díli, 15 de  julho de 2026 (RAFA.TL) – A principal organização clandestina da resistência estudantil timorense à ocupação indonésia, a RENETIL reúne-se este fim-de-semana em congresso para eleger nova direção e debater o seu papel na construção do Estado.

O IX Congresso Nacional da Resistência Nacional dos Estudantes de Timor-Leste (RENETIL) decorre sob o tema “Refletir o passado, afirmar o presente e projetar o Futuro”, com os participantes convidados a analisar o reforço “da consciência crítica no processo de construção do estado e transformação nacional”

Antecipa-se que o encontro seja aberto, no sábado, pelo Presidente da República, José Ramos-Horta, antes dos primeiros painéis de palestras subordinado a três eixos – “Capacidade de Consciência Crítica”, “Processo de Construção do Estado” e “Transformação Nacional” – a cargo, respetivamente, do general Falur Rate Laek, de Milena Pires e do reitor da UNPAZ, Adolfindo S. Amaral.

Ainda  no primeiro dia está prevista uma apresentação sobre o desenvolvimento nacional pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), uma sessão sobre tecnologia com Abel Pires, e os trabalhos de entrega de poderes pela direção cessante, aprovação da agenda e do regimento do congresso.

O segundo dia, domingo, arranca às 08H30 e inclui a discussão temática, a apresentação e aprovação dos resultados dessa discussão, a estruturação do processo eleitoral, a campanha e a votação para a nova Comissão Coordenadora da Reunião (CCR) e Executivo da RENETIL.

Segue-se a leitura da declaração final do congresso e a tomada de posse da nova estrutura eleita, com discurso do secretário-geral eleito.

Está previsto que o congresso seja encerrado pelo Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, na tarde de domingo.

Recorde-se que a RENETIL foi fundada a 20 de junho de 1988, em Bali, na Indonésia, por um pequeno grupo de dez jovens nacionalistas timorenses que então estudavam ou trabalhavam em território indonésio. Entre os fundadores contavam-se Fernando “La Sama” de Araújo, Lucas da Costa, Júlio Abel Ribeiro, José A. M. X. Gonçalves, Adolfo Fontes, João Cardoso, João Araújo, Marciano Octaviano Garcia da Silva, Agapito Cardoso e Carlos da Silva Lopes Fernandes Ribeiro Saky.

A organização nasceu com o propósito de isolar a juventude timorense da influência ideológica, política, social e económica imposta pelo regime de ocupação, nomeadamente da doutrina oficial indonésia da “pancasila”.

A partir dessa base, a RENETIL expandiu-se de Bali para Java e outras regiões da Indonésia, chegando a estabelecer redes de apoio junto de universidades e comunidades timorenses dispersas pelo arquipélago.

A RENETIL reportava diretamente a Xanana Gusmão e ao comando das FALINTIL, integrando a chamada Frente Clandestina – a rede de resistência urbana que, a partir de 1990, complementou a luta armada nas montanhas e a diplomacia internacional, nas designadas “três frentes” da resistência timorense.

A organização defendeu duas grandes linhas estratégicas: a internacionalização do conflito de Timor-Leste, através de contactos com organizações internacionais e figuras de relevo e a chamada “indonesização do conflito”, que procurava tornar a causa timorense também um tema de debate interno na sociedade civil e universitária indonésia.

A comunicação clandestina fazia-se, entre outros meios, através do boletim informativo “Neon Metin”, cuja redação e edição esteve a cargo de Rui Maria de Araújo, mais tarde primeiro-ministro da República.

Vários membros da organização foram presos pelas autoridades indonésias, incluindo Fernando de Araújo, João Freitas da Câmara, Mário Nicolau dos Reis e Albino Lurdes, detidos na prisão de Cipinang, em Jacarta, enquanto Domingos Sarmento Alves, conhecido como “Soro”, assegurou a representação da RENETIL no exterior, com contactos em Bruxelas e noutras capitais europeias.

O lema histórico da organização – “Antes sem título do que sem pátria” – tornou-se símbolo do sacrifício de uma geração de estudantes que arriscou a prisão, a tortura e a perseguição em nome da autodeterminação.

A história do movimento está hoje documentada no livro “RENETIL iha Prosesu Libertasaun Timor-Lorosa’e”, da autoria de Carlos da Silva L. F. R. Saky, um dos fundadores da organização.

Com a restauração da independência, em 2002, a RENETIL transformou-se numa organização da sociedade civil, mantendo a sua estrutura nacional e procurando adaptar o espírito nacionalista e apartidário que a caracterizou durante a ocupação aos desafios do período pós-independência – nomeadamente a consolidação institucional, o reforço do Estado de direito e a formação cívica das novas gerações de jovens timorenses.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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