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Confirmada formação de El Niño com força histórica, fenómeno que já afectou Timor-Leste no passado

todayJunho 12, 2026 89

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Washington, 12 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação de um novo El Niño no Oceano Pacífico, prevendo que o fenómeno atinja uma intensidade histórica e intensifique fenómenos climáticos extremos em várias regiões do mundo, incluindo o Sudeste Asiático.

Segundo a NOAA, há 63% de probabilidade de o El Niño atingir, no final do Outono e início do Inverno no hemisfério norte, uma intensidade que o colocaria entre os mais fortes registos desde 1950, podendo rivalizar ou superar o episódio de 1997, que causou prejuízos multimilionários em ondas de calor, inundações, secas, tornados e incêndios florestais.

O El Niño é um ciclo natural de aquecimento das águas do Pacífico junto ao equador, que afeta os padrões climáticos a nível global.

A cientista climática Abby Frazier, da Universidade de Clark, explicou que as águas quentes e profundas do fenómeno “trazem muito calor extra à superfície, alimentando eventos extremos em muitas partes do mundo”, acrescentando que, sobretudo no Pacífico, “a situação pode degradar-se muito rapidamente”.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, classificou o El Niño como um “alerta climático urgente”, afirmando que as condições do fenómeno “vão lançar combustível sobre o fogo de um mundo que já está a aquecer”.

Os efeitos do fenómeno variam por região: nos Estados Unidos, tende a reduzir a atividade de furacões no Atlântico mas a aumentá-la no Pacífico, colocando o Havai e outras ilhas em maior risco. Segundo os investigadores, o Médio Oriente, afetado pela seca, poderá beneficiar do fenómeno, enquanto partes da América do Sul tendem a registar chuvas fortes e inundações. A Índia enfrentará ondas de calor mais intensas, e a Austrália corre maior risco de secas e incêndios florestais. No nordeste de África, o fenómeno deverá provocar uma alternância entre seca intensa e chuvas perigosamente fortes.

No Sudeste Asiático, episódios anteriores de El Niño já tiveram impacto direto em Timor-Leste, país que depende fortemente da agricultura de sequeiro.

O fenómeno climático registado entre 2023 e 2024 provocou condições de seca, atraso nas chuvas e cheias repentinas durante a época de plantio, afetando a produção agrícola e agravando a insegurança alimentar em municípios como Bobonaro, Covalima, Ermera, Lautém, Liquiçá e Manufahi.

Em resposta, as Nações Unidas, através do Programa Mundial de Alimentos (PMA), da FAO e da UNICEF, lançaram um fundo de emergência de dois milhões de dólares norte-americanos para apoiar mais de 45 mil pessoas diretamente e cerca de 241 mil pessoas afetadas pela insegurança alimentar e nutricional no país.

Segundo cientistas citados pela Associated Press, vários especialistas em clima preveem que 2027 venha a ser o ano mais quente já registado, devido aos efeitos retardados deste novo El Niño, que deverá atingir o seu pico no Outono ou Inverno do hemisfério norte. O climatologista da Universidade de Princeton, Gabriel Vecchi, indicou que episódios de grande intensidade como este tendem também a prolongar-se por mais tempo.

“Em vez de medo, podemos pedir às pessoas que se preparem”, afirmou o investigador da Universidade de Columbia Muhammad Azhar Ehsan.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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