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Comunidade timorense em Portugal quase sete vezes maior do que em 2021

todayJunho 24, 2026 240

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Díli, 24 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O número de cidadãos de Timor-Leste a residir em Portugal aumentou quase sete vezes (566%) entre 2021 e 2025, passando de 438 para 2 917 residentes, segundo as Estimativas de População Residente do Instituto Nacional de Estatística (INE) português, divulgadas esta semana.

Os dados referentes ao final de 2025 mostram que o crescimento da comunidade timorense é cinco vezes superior ao registado no total de estrangeiros em Portugal no mesmo período.

O contraste é ainda mais acentuado face à evolução da população total portuguesa, que cresceu apenas 7,8% nos mesmos quatro anos, de cerca de 10,6 para 11,4 milhões de habitantes.

A análise dos dados, consultados pela RAFA.TL mostram que a aceleração mais expressiva da comunidade timorense ocorreu em 2022, quando passou de 438 para 1160 residentes, um aumento de 164,8% num único ano.

O crescimento em termos absolutos foi maior em 2023, com mais 828 residentes para um total de 1 988. Em 2024 a comunidade atingiu 2 402 residentes, e em 2025 chegou aos 2 917.

O salto de 2022 coincide com a plena entrada em vigor do Acordo de Mobilidade da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que facilita a circulação e residência de cidadãos dos países lusófonos em Portugal.

Em 2021, a comunidade timorense tinha um perfil que sugeria ser marcadamente estudantil, concentrada no Norte com 147 residentes (33,8%), seguido do Centro com 105 (24,1%) e da Grande Lisboa com 101 (23,2%).

As três regiões concentravam mais de 80% da comunidade, num padrão associado às universidades de Braga, Porto, Coimbra e Lisboa.

Em 2025, o Norte mantém-se como a região com mais residentes timorenses em termos absolutos, com 727 (25% do total), mas a grande novidade é o aparecimento do Alentejo como segundo polo.

A região, que em 2021 tinha apenas 33 residentes timorenses, passou para 664 em 2025, um crescimento de 1 912%, tornando-se a segunda região com mais timorenses.

O Centro do país passou de 105 para 525 residentes, o Oeste e Vale do Tejo de 25 para 389 (crescimento de 1 456%), o Algarve de 15 para 208, e a Península de Setúbal de 9 para 53.

As regiões autónomas mantêm uma presença reduzida: 14 residentes nos Açores e 17 na Madeira.

Este padrão aponta para uma segunda vaga migratória de perfil mais laboral, associada à agricultura intensiva no Alentejo e no Oeste, em contraste com a primeira vaga, de natureza académica.

A Grande Lisboa, apesar de ter crescido em valor absoluto de 101 para 320 residentes, perdeu expressão relativa, passando de 23,2% para 11% do total da comunidade timorense em Portugal.

O peso relativo da comunidade timorense na imigração em Portugal triplicou no período em análise, passando de 0,059% em 2021 para 0,183% em 2025. Em termos da população total do país, os timorenses representam hoje 0,026%, face a 0,004% em 2021.

Os dados do INE revelam uma realidade demográfica estrutural: Portugal tem um saldo natural negativo e o seu crescimento populacional depende inteiramente da imigração.

Em 2025, o saldo natural foi de -34 053 pessoas, compensado por um saldo migratório positivo de 70 862. Sem imigração, a população portuguesa teria diminuído.

O dado mais expressivo do período é precisamente este: o acréscimo de estrangeiros residentes entre 2021 e 2025 foi de 849 384 pessoas, valor superior ao crescimento total da população portuguesa no mesmo período, de 824 914.

Isto significa que, sem imigração, Portugal teria perdido população.

Os anos de maior afluxo foram 2022, 2023 e 2024, com saldos migratórios de 371 277, 307 288 e 216 629 respetivamente. Em 2025, o fluxo abrandou de forma acentuada, com o menor crescimento do período: apenas 36 809 habitantes a mais.

O envelhecimento demográfico agravou-se em paralelo.

O índice de envelhecimento passou de 178,3 idosos por cada 100 jovens em 2021 para 188,8 em 2025. A imigração tem, ainda assim, atenuado o processo, ao reforçar a população em idade ativa, que subiu de 63,7% para 64,3% do total.

A população estrangeira residente é esmagadoramente jovem: 86,1% tem entre 15 e 64 anos e apenas 5% tem 65 ou mais anos.

Os timorenses num universo de 1,6 milhões de estrangeiros

A população estrangeira residente em Portugal mais do que duplicou entre 2021 e 2025, passando de 748 155 para 1 597 539 pessoas, representando agora 14% do total de residentes, face a 7,1% em 2021 – uma duplicação do peso relativo em apenas quatro anos.

A comunidade brasileira domina de forma destacada, com 574 195 residentes, correspondendo a 35,9% de todos os estrangeiros.

Seguem-se angolanos (103 140), indianos (93 683), cabo-verdianos (76 099), nepaleses (56 866) e bangladeshianos (56 724).

Timor-Leste não figura entre as 15 maiores comunidades estrangeiras, mas o seu ritmo de crescimento de 566% está entre os mais elevados de qualquer nacionalidade no período, superando mesmo comunidades lusófonas de maior dimensão como a cabo-verdiana (+111%) e a guineense (+108,7%).

A distribuição geográfica dos estrangeiros em geral contrasta com a dos timorenses em particular. A Grande Lisboa concentra 34,2% de todos os estrangeiros (546 419 pessoas) e o Norte 19,5% (311 095), totalizando mais de metade. Os timorenses, ao invés, dispersaram-se por todo o território, com o Alentejo a emergir como segundo polo de residência.

Os dados confirmam que Portugal atravessa um dos períodos de maior transformação demográfica da sua história recente, impulsionado pela imigração extra-europeia.

Os timorenses, com laços históricos, linguísticos e institucionais com Portugal reforçados pela CPLP, fazem parte dessa vaga – com um dinamismo de crescimento que os coloca entre as comunidades mais ativas do panorama migratório português.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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