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CLJ celebra dez anos de formação de jornalistas e de promoção da língua portuguesa em Timor-Leste

todaySetembro 24, 2026 36 10

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Díli, 24 de setembro de 2026 (RAFA) – O consultório da Língua Portuguesa para Jornalistas (CLJ) celebrou esta quinta-feira o seu décimo aniversário em Díli, numa cerimónia que destacou o percurso da formação jornalística em língua portuguesa, a importância da qualificação profissional e os desafios que marcam o futuro dos meios de comunicação social em Timor-Leste.

Criada em setembro de 2016, através de uma parceria entre Camões, I.P. e Secretaria do Estado da Comunicação Social de Timor-Leste, o CLJ formou 289 jornalistas ao longo de dez anos, 157 na primeira fase e 132 na segunda.

O projeto formou ainda 68 profissionais governamentais, contou com cinco revisores linguísticos timorenses e acumulou 9.744 horas de formação e mais de 29 mil conteúdos apoiados e publicados

Na cerimónia, o Secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Ximenes, afirmou que os resultados do projeto não devem ser avaliados apenas pelos números alcançados.

“Por detrás de cada jornalista capacitado, está uma pessoa que adquiriu novas competências. Por detrás de cada texto ou reportagem, existe uma preocupação com o rigor.”

Segundo o governante, o CLJ procura desenvolver competências que possam ser aplicadas diretamente nas redações e na produção de informação para o público.

“Capacitar os jornalistas não se trata apenas de transmitir conhecimento. Trata-se de criar condições para que esse conhecimento continue nas redações e acompanhe os cidadãos.”

Para além da formação, o projeto produziu 15 manuais e aproximadamente 400 exercícios online e um estudos das necessidades formativas dos jornalistas, com o objetivo de melhorar as competências linguísticas e jornalísticas dos participantes.

O trabalho do CLJ passou a estar ligado a diferentes veículos de comunicação, como a RTTL, TATOLI, GMN e Diligente.

Na RTTL, o projeto está associado à produção e revisão de conteúdos; Na TATOLI, o foco é a produção de informação em língua portuguesa; na GMN, o programa relacionado com a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa); e no Diligente, a experiência de um jornal inteiramente produzido em língua portuguesa.

O Expedito Ximenes destacou o percurso da Diligente, recordando que sete formados estiveram na origem do projeto que viria a ser o primeiro jornal timorense totalmente em língua portuguesa.

“Isto demonstra algo importante: formar jornalistas não se resume a transmitir conhecimento. Trata-se de criar condições para que esse conhecimento continue nas redações.”

O Secretário de Estado acrescentou que o CLJ também contribuiu para o desenvolvimento dos percursos profissionais dos jornalistas. Entre os formados pelo projeto, quatro receberam o Prémio Adelino Gomes e um foi homenageado no âmbito do Balibo Five.

O Embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Bué Alves, associou a celebração dos dez anos da CLJ à importância da liberdade de imprensa e da formação dos jornalistas.

“Não há jornalismo sem educação. Sem formação de jornalistas. Este projeto é sobre jornalismo em língua portuguesa.”

Para o diplomata, a formação é uma condição essencial para o exercício profissional do jornalismo, a par da existência de um ambiente propício à liberdade de imprensa.

“Para haver liberdade de imprensa é necessário um conjunto de condições. Não cai do céu, não surge como uma língua de fogo do Espírito Santo.”

Duarte Bué Alves mencionou ainda o artigo 40.º da Constituição de Timor-Leste, que consagra a liberdade de imprensa, e destacou a responsabilidade do Governo, da sociedade civil e dos jornalistas na construção de um ambiente que permita o exercício da profissão.

O embaixador citou ainda a classificação de Timor-Leste no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2026, elaborado pela Repórteres Sem Fronteiras, que coloca o país na 30ª posição mundial.

“Timor-Leste é o país com a melhor classificação em toda a região. É o país com a melhor classificação na ASEAN.”

No seu discurso, o diplomata considerou a formação profissional indispensável para que os jornalistas possam cumprir o seu papel na sociedade.

“O jornalismo é uma profissão tecnicamente exigente, na qual as pessoas precisam de aprender e de trilhar o seu próprio caminho.”

Os discursos apresentados durante a cerimónia abordaram também as mudanças no ambiente de trabalho dos jornalistas, particularmente devido à expansão das redes sociais, à desinformação e ao desenvolvimento da inteligência artificial.

Expedito Ximenes defendeu que a próxima etapa do CLJ deverá abordar as novas necessidades das redações, com investimentos no jornalismo digital, verificação de factos, ética profissional, pensamento crítico e novas ferramentas tecnológicas.

“A velocidade nunca poderá substituir a verificação.”

Enfatizou ainda a necessidade de aproximar as universidades das redações e proporcionar aos estudantes de comunicação oportunidades para aprenderem sobre as exigências concretas da profissão.

Duarte Bué Alves considerou que a inteligência artificial representa um desafio transversal ao jornalismo e a outras profissões.

“O que é o jornalismo na era da inteligência artificial, quando inserimos um comando no ChatGPT ou na cloud e surge uma notícia inteira? Mas feita por quem? Controlada por quem? Revisada por quem? Verificada por quem?”

O diplomata defendeu que o rigor, a técnica, a verificação dos factos e o cumprimento das normas profissionais continuam a ser elementos fundamentais do jornalismo.

“A importância do rigor, a importância da técnica, a importância da verdade, dos factos e do exercício da contradição fazem parte das regras deontológicas e profissionais do verdadeiro jornalismo.”

CLJ prepara-se para a próxima década

Ao rever os seus dez anos de atividade, o Expedito Ximenes identificou uma evolução no trabalho do projeto: de uma fase inicial centrada nas competências linguísticas, passou para uma fase de reforço das competências linguísticas e jornalísticas, seguida agora por uma nova fase de consolidação da produção de conteúdos em português.

O Secretário de Estado defendeu que a formação dos jornalistas deve ser contínua e acompanhar as transformações da profissão.

“Os jornalistas precisam de continuar a aprender, a atualizar-se e a questionar as suas próprias práticas.”

Por sua vez, Duarte Bué Alves lembrou que a formação profissional dos jornalistas deve continuar para além dos primeiros anos de carreira.

“Os jornalistas em Portugal também continuam a receber formação. Não é algo que acontece apenas no início.”

O CLJ está integrado no Programa de Cooperação Estratégica Portugal-Timor-Leste 2024-2028, segundo o embaixador, que destacou a continuidade da parceria entre os dois países na área da comunicação social.

Ao completar dez anos, o projeto apresenta um percurso marcado pela formação de jornalistas, pela produção de materiais educativos e pelo apoio à utilização da língua portuguesa nas redações.

A próxima etapa será acompanhada por desafios relacionados com a transformação digital, a qualidade da informação e a adaptação dos profissionais às novas tecnologias.

Como resumiu o Expedito Ximenes na cerimónia de encerramento:

“Os primeiros dez anos foram construídos por muitas pessoas. Os próximos começam agora.”

Jornalista: Miguel Caldas

Escrito por RafaFM

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