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Cimeira da NATO em Ancara marca ponto de viragem na relação transatlântica

todayJulho 7, 2026 9

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Ancara, 07 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Os chefes de Governo da NATO reúnem-se hoje e amanhã na Turquia, para uma cimeira que ocorre num momento de viragem na história da organização, com os Estados Unidos a recuar no seu papel tradicional de garante da segurança na Europa.

Antes do encontro em Ancara, Trump insistiu na necessidade de “lealdade”, depois de alguns países da NATO se terem recusado a permitir que forças norte-americanas usassem as suas bases para ataques contra o Irão.

O Presidente norte-americano visou em particular grandes membros europeus como o Reino Unido, a França, a Alemanha, a Itália e a Espanha.

Uma cimeira da NATO é, por norma, um momento de forte simbolismo, em que os 32 países-membros da maior aliança militar do mundo reafirmam o seu compromisso inabalável com a segurança mútua.

Este ano, porém, a ligação transatlântica raramente pareceu tão frágil, segundo analistas e observadores.

Ainda assim, o encontro está organizado em torno do tema de uma Europa mais forte numa NATO mais forte.

A administração Trump apelou a um relançamento sob a designação “NATO 3.0”, esperando-se que o real significado do conceito se torne mais claro ao longo dos dois dias de cimeira.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acolhe a cimeira no seu vasto Complexo Presidencial de Bestepe, na periferia ocidental da capital turca. Foi inaugurado um novo aeroporto, convertido a partir de um antigo campo militar, especialmente para receber os líderes da NATO.

A segurança será reforçada. As defesas aéreas estão em alerta e dezenas de milhares de polícias estarão em serviço.

Bairros próximos foram encerrados ao trânsito e alguns funcionários do Estado receberam dias de folga para ajudar a descongestionar as estradas. As concentrações públicas foram proibidas.

Mais de uma dezena de pessoas foram detidas em operações de segurança antes da cimeira, incluindo dois jornalistas, segundo a Associação de Jornalistas Turcos.

Hoje à noite, Erdogan recebe um jantar no seu “Jardim de Inverno”.

Responsáveis de topo do Japão, da Coreia do Sul, da Austrália e da Nova Zelândia juntam-se aos parceiros da NATO. Está também prevista a presença do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Durante o jantar, os ministros dos Negócios Estrangeiros reúnem-se no Conselho NATO-Ucrânia, enquanto os ministros da Defesa da aliança se encontram com os seus homólogos do Indo-Pacífico.

Está ainda marcado um encontro separado com responsáveis de países árabes do Golfo, e Trump reúne-se com o Presidente sírio, Ahmad al-Sharaa.

Os líderes da NATO terão uma única sessão de trabalho na quarta-feira de manhã, no final da qual será publicada uma breve declaração com os resultados do encontro.

O tema oficialmente no topo da agenda é a despesa com a defesa – questão recorrente na NATO, com os Estados Unidos a pressionar os aliados para fazerem mais.

Antes da cimeira, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, assinalou um aumento anual de 20% na despesa dos aliados europeus e do Canadá em 2025.

Este valor dificilmente será suficiente para satisfazer a administração Trump, mesmo depois de os líderes terem concordado, na última cimeira, em elevar o investimento ao mesmo nível dos Estados Unidos, em percentagem do produto interno bruto.

O orçamento militar norte-americano para 2026 está fixado em 901 mil milhões de dólares, cerca de 3,3% do PIB.

A NATO pretende ainda destacar a forma como está a converter os milhões provenientes dos cofres dos Estados em novo equipamento militar adaptado à guerra moderna. A cimeira será uma oportunidade para a organização apresentar novos projetos militares.

À margem do encontro, realiza-se esta terça-feira um fórum da indústria de defesa, que junta responsáveis de topo da NATO e de países parceiros a líderes da indústria, num contexto em que os aliados procuram acelerar a produção de armamento e impulsionar a inovação em novas tecnologias.

Outro ponto central da agenda é a continuidade do apoio à Ucrânia, já no quinto ano de guerra em larga escala com a Rússia. Os aliados europeus e o Canadá financiam a maior parte das necessidades do país, incluindo cerca de 90% das suas defesas aéreas.

A sessão de trabalho deverá durar apenas cerca de três horas, mas a maior parte do debate deverá centrar-se nos níveis de forças norte-americanas na Europa e no tema, fora da agenda oficial, das repercussões da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

Os aliados europeus e o Canadá pretendem garantias, ou pelo menos clareza, quanto às intenções norte-americanas em matéria de tropas.

Desde o início do ano passado, têm sido surpreendidos – e por vezes confundidos – pelas declarações de Trump sobre cortes no número de efetivos.

Antes da cimeira, o Pentágono surpreendeu os aliados ao anunciar uma revisão de seis meses da presença militar norte-americana na Europa. A revisão foca-se nos progressos feitos pela Europa na sua própria defesa, mas também na questão de saber se os Estados Unidos têm acesso total às bases e aos espaços aéreos europeus.

A NATO não teve qualquer papel ativo na guerra contra o Irão e não tem um acordo global com os Estados Unidos sobre a utilização partilhada de bases e espaço aéreo, ainda que alguns dos seus membros o tenham bilateralmente.

Num encontro público com Rutte, a 24 de junho, Trump reiterou as críticas aos aliados pela relutância em envolverem-se na guerra. “Não precisamos do dinheiro deles – não precisamos de nada”, afirmou. “Só quero lealdade.”

Ao aderirem à NATO, os países-membros comprometem-se com uma lealdade mútua através de um compromisso de segurança coletiva – o princípio “todos por um, um por todos” consagrado no artigo 5º do tratado da NATO. Essa garantia sustenta, por si só, tudo aquilo que a organização representa e faz.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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