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Cientista da missão OceanX diz que recifes de Timor-Leste estão em melhor estado do que em qualquer lugar que visitou desde 1980

todayAgosto 28, 2026 49

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Díli, 28 de agosto de 2026 (RAFA) – O curador de invertebrados do Museu de História Natural da Florida e cientista cocoordenador da missão da OceanX em Timor-Leste, Gustav Paulay, afirmou que os recifes timorenses estão num estado de saúde excecional, o melhor que observou nas últimas décadas de trabalho de campo.

“Não vi recifes como estes nos últimos anos em lado nenhum. É absolutamente incrível”, afirmou Paulay, que trabalha nesta área desde 1980, em declarações prestadas em vídeo no âmbito do Simpósio OceanX de Timor-Leste: Ciência para um Futuro Azul, que decorre hoje no Centro de Convenções de Díli.

“Atualmente, a degradação ambiental é enorme em todo o mundo, incluindo nos oceanos, e o aquecimento global, em particular, dizimou recifes de coral em todo o lado, incluindo no Triângulo de Coral. E, no entanto, os recifes de Timor-Leste estavam excecionalmente saudáveis”, disse o cientista.

“Isso dá muito encorajamento de que pode haver alguma resiliência disponível em algumas partes do mundo, e Timor-Leste pode ser um desses lugares.”

O cientista, especialista em documentação de biodiversidade marinha nos trópicos e na região do Indo-Pacífico e oeste do Pacífico, acumula várias décadas de experiência em levantamentos de biodiversidade em larga escala.

Segundo Paulay, a maior surpresa da expedição não foi apenas a diversidade “de dar voltas à cabeça” que encontrou, mas sobretudo o bom estado de conservação do ambiente.

“Quando se trabalha em diversidade, ver uma grande diversidade é realmente a maior recompensa de todas. Mas a outra coisa que foi realmente surpreendente, e muito, muito encorajadora, foi o quão bom era o estado do ambiente e da diversidade nos dias de hoje”, disse.

“Para mim, a descoberta mais surpreendente e maravilhosa foi mesmo a saúde do sistema e, claro, a enorme diversidade que aí existe.”

O cientista revelou que a expedição de 2025 estabeleceu uma base de referência para os organismos que vivem nos recifes e em águas profundas de Timor-Leste.

“Nesta fase, temos já mais de 1.500 espécies que foram fotografadas, estudadas taxonomicamente e que vão continuar a ser estudadas, e esta informação está disponível online. Qualquer pessoa de Timor-Leste com um telemóvel pode aceder a ela”, afirmou.

Segundo Paulay, esse registo fotográfico “permite basicamente ter um guia de campo e o conhecimento sobre os organismos que ali vivem”. As amostras recolhidas nestes levantamentos de biodiversidade servem para identificar as espécies e que o registo fotográfico do coral vivo, das estrelas-do-mar e dos caranguejos é o que está mais acessível à maioria das pessoas, “porque é a forma mais fácil de identificar inicialmente alguma coisa”.

“O que este registo cria é uma coleção que especialistas de todo o mundo vão estudar para identificar os organismos envolvidos”, disse, sublinhando que essa identificação “só é possível a um punhado de pessoas, para cada grupo”.

“Depois de identificados, as imagens a cores que temos destes organismos vão servir de guia de campo para qualquer pessoa com conhecimento razoável de vida marinha, para usar esta informação e utilizá-la para o estudo dos organismos, para o planeamento ambiental, para o desenho de áreas marinhas protegidas, e assim por diante”, afirmou.

“Estas medidas de conservação dependem do reconhecimento da saúde e da diversidade do sistema, e isso depende da compreensão das espécies que nele existem. E estamos a criar um recurso para fazer isso à escala massiva.”

Ainda assim, este número está longe de esgotar a biodiversidade do país, segundo o cientista.

“A minha estimativa é que Timor-Leste tenha, no tipo de invertebrados marinhos que temos estado a recolher, dezenas de milhares de espécies. Mal arranhámos a superfície com 1.500. Há muito mais para fazer, com a formação de estudantes, participantes e naturalistas locais – podemos mesmo desenvolver isto, é realmente um esforço colaborativo de grande escala e longo prazo para construir conhecimento como este”, afirmou.

Paulay considerou que “gostaria de ver mais formação e educação a acontecer em Timor-Leste, com a comunidade de estudantes e naturalistas que queiram envolver-se mais nisto no futuro, e continuar a construir” sobre o que foi feito em novembro.

Sobre a descoberta mais marcante da missão, Paulay destacou pequenos crustáceos – lagostins-cegos, camarões e outras espécies que vivem sobre corais, lírios-do-mar e estrelas-plumosas.

“A coisa que mais me impressionou foram todos aqueles pequenos crustáceos, pequenos lagostins-cegos, camarões e outras coisas que vivem em cima de corais, lírios-do-mar e estrelas-plumosas, que eram, primeiro, incrivelmente diversos e, segundo, correspondiam à cor dos seus hospedeiros – estavam totalmente camuflados, misturando-se com eles. E dir-se-ia: isso não é assim tão especial, é comum. Sim, é, mas não no oceano profundo, quando está totalmente escuro. Foi isso que mais me impressionou”, afirmou.

O cientista sublinhou ainda o valor económico da biodiversidade marinha timorense.

“Vem em muitos formatos: o turismo é atraído por recifes bonitos e diversos, e os recifes de Timor são absolutamente fenomenais. Por isso, acho que, se a infraestrutura existisse, as pessoas viriam em massa a Timor para mergulhar e ver isto”; notou.

“Também atrai a ciência, e a investigação científica pode realmente crescer num lugar como este – Timor podia tornar-se um centro de ciência da biodiversidade, de ciência de recifes, se se envolvesse com a comunidade internacional”, afirmou, apontando ainda o potencial de descoberta de recursos que vão “da alimentação à proteção costeira e à descoberta de fármacos de origem marinha”.

“A conservação depende da biodiversidade, e a conservação é essencial para o futuro do nosso planeta. Se Timor-Leste acabar por permanecer mais saudável do que a média, isso será um recurso extraordinário para a humanidade em geral”, concluiu sobre este ponto.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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