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Cidadãos exigem estradas, água e saúde como prioridades para o Orçamento de 2027 – consulta

todayJunho 13, 2026 58

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Díli, 13 de junho  de 2026 (RAFA.TL) – Estradas e pontes, água e saneamento, e melhoria dos serviços de saúde lideram a lista de prioridades identificadas pelos cidadãos timorenses numa consulta pública realizada pelo Governo.

A consulta foi conduzida nos doze municípios, na Região Administrativa Especial de Oe-Cusse Ambeno e em Ataúro, no âmbito da preparação do Orçamento Geral do Estado de 2027, segundo dados apresentados esta sexta-feira pelo Ministério das Finanças nas Jornadas Orçamentais.

O setor das infraestruturas foi identificado por 60,3% dos cidadãos como a área que deve receber a maior parte da alocação orçamental, muito acima da área económica, com 20,2%, do capital social, com 15,2%, e da governação, com 4,2%.

Dentro do pilar da infraestrutura, 84,1% dos respondentes apontaram estradas e pontes como prioridade, 77,3% referiram água e saneamento, e 41% identificaram eletricidade.

Na área da saúde, 68,1% dos cidadãos identificaram a falta de medicamentos e equipamentos como o principal desafio, enquanto 62,6% apontaram a escassez de pessoal de saúde.

No setor da educação, 64,5% referiram a formação e a qualidade dos professores como prioridade.

Quanto ao desenvolvimento económico, 89% dos cidadãos identificaram a formação profissional e vocacional como prioridade para a juventude, 76,4% referiram o acesso a financiamento para pequenas e médias empresas, e 60% apontaram o apoio às PME e cooperativas.

Sobre a governação, 75,4% dos cidadãos identificaram os atrasos na implementação de projetos como o principal desafio, 61,1% referiram o fraco desempenho de empreiteiros e fornecedores, e 28,3% apontaram problemas de coordenação entre entidades.

A consulta recolheu as opiniões de 1.214 cidadãos e 40 representantes de parceiros sociais, definidos no documento como representantes do setor privado, da sociedade civil, dos sindicatos e da academia.

Dos cidadãos ouvidos 73% eram homens e 23% mulheres, com 62% provenientes de áreas urbanas, 12% de áreas semi-urbanas e 38% de áreas rurais.

O documento sublinha ainda que os desafios variam significativamente entre municípios.

Um mapa sobre o estado das estradas, com base na avaliação dos cidadãos, mostra que Ainaro é o município com maior percentagem de vias classificadas como más, com 83%, seguido de Lautém, com 76%, e Viqueque, com 67%.

Cada município identificou ainda desafios próprios: em Baucau, foram apontadas a formação profissional, o financiamento a pequenos negócios, estradas e pontes, e a falta de medicamentos.

Em Covalima, a falta de medicamentos e equipamentos de saúde associada a desafios na agricultura e em Ainaro, estradas e pontes, formação profissional e falta de pessoal de saúde.

No caso de Viqueque, destacaram-se estradas e pontes, agricultura e falta de pessoal de saúde; e em Ataúro, formação profissional para jovens e oportunidades de emprego.

A comparação entre as respostas dos cidadãos e dos parceiros sociais revela prioridades parcialmente coincidentes.

Ambos os grupos identificam a saúde, a educação, a formação profissional e vocacional e a infraestrutura básica como prioridades comuns.

No entanto, os parceiros sociais colocam maior ênfase no desenvolvimento económico, nas competências, no emprego, no investimento e na governação, enquanto os cidadãos dão prioridade aos serviços públicos e à infraestrutura básica.

O Ministério das Finanças sublinha que os cidadãos “não pedem apenas mais investimento”, mas sim “uma implementação melhor e resultados que possam ser sentidos nas comunidades”.

O documento estabelece ainda uma correspondência direta entre as prioridades identificadas pelos cidadãos e as implicações para o Orçamento de 2027: estradas e pontes traduzem-se em manutenção e reabilitação de infraestruturas e o acesso a água em expansão e sustentabilidade dos sistemas de água rural

Na saúde o foco é na melhoria da disponibilidade de medicamentos, equipamentos e pessoal, na educação em fortalecimento da qualidade de ensino e da capacidade dos professores, na juventude em formação profissional e oportunidades de emprego e na agricultura em aumento da produtividade e acesso a mercados.

Segundo o Ministério das Finanças, a consulta pública passa agora a integrar formalmente o ciclo orçamental, alimentando diretamente as etapas seguintes do processo: a definição de estimativas plurianuais, a elaboração do orçamento por programas, a revisão pelo Comité de Revisão de Política e, por fim, a alocação de recursos no Orçamento de 2027.

FIM

Escrito por RafaFM

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