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Carney abraça proposta de adesão associada à UE e Trump ameaça retaliar contra Bruxelas

todaySetembro 18, 2026 15 2

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Estrasburgo, 18 de setembro de  2026 (RAFA) – O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, defendeu esta quinta-feira o estatuto de membro associado da União Europeia, alegando que laços mais estreitos com o bloco protegem a soberania do Canadá face às pressões dos Estados Unidos.

Num discurso perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Carney elogiou repetidamente a cooperação entre a Europa e o Canadá, num contexto marcado pelo azedar da relação com Washington.

As tarifas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump, as exigências de concessões económicas e as sucessivas referências a fazer do Canadá o 51.º estado dos EUA têm levado Otava a reduzir a dependência do vizinho e a procurar uma relação económica, de segurança e política mais profunda com a Europa.

O chefe de governo canadiano afirmou que acolhe favoravelmente a proposta apresentada na quarta-feira pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, admitindo que o conceito de “adesão associada” ainda está por definir.

Carney precisou aos jornalistas que não está a procurar a adesão plena à UE.

O plano canadiano prevê maior integração nas áreas do comércio, defesa, minerais críticos, inteligência artificial, energia, espaço, investigação e serviços financeiros, de forma a tornar ambas as partes menos vulneráveis a pressões económicas e geopolíticas.

“Não procuramos poder para dominar os outros”, disse Carney, acrescentando que o objectivo é garantir que ninguém possa controlar os mercados abertos do Canadá nem comprometer a sua soberania.

Von der Leyen propôs na quarta-feira que o Canadá se torne o primeiro membro associado da UE – um estatuto que ainda não existe nos tratados do bloco e que teria de ser criado.

A responsável europeia afirmou que a Europa pretende elevar a relação com o Canadá “ao nível mais alto possível” e defendeu a criação de uma “Aliança para o Futuro”, assente num espaço comum de prosperidade e segurança económica.

Carney vai receber os líderes da UE numa cimeira em Montreal, a 29 e 30 de outubro, na qual as duas partes deverão aprofundar os contornos da nova relação.

Cerca de 70% das exportações canadianas têm como destino os Estados Unidos, o que expõe fortemente Otava às tarifas de Trump.

O Canadá respondeu com retaliação, ao contrário da UE, que aceitou tarifas até 15% sobre a maioria das suas exportações para os EUA sem retaliar.

Trump classificou a proposta europeia como um eventual “acto hostil” e ameaçou impor tarifas pesadas à Europa caso considere as intenções do bloco pouco amistosas, elevando a tensão antes do discurso de Carney.

Questionado sobre as declarações do presidente norte-americano, o primeiro-ministro canadiano disse que os canadianos estão unidos na rejeição de qualquer tentativa externa de ditar as escolhas do país.

Carney tem apelado repetidamente ao que designa por “potências médias” para resistirem à coerção económica.

Em Davos, em janeiro, alertou que negociar isoladamente com uma potência dominante coloca os países numa posição de fraqueza.

O embaixador designado do Canadá junto da UE, Jonathan Wilkinson, disse que Otava quer aproximar-se ao máximo da Europa e, simultaneamente, reforçar a independência do país.

Apesar de a adesão associada ainda estar por negociar, o Canadá já deu um passo relevante ao tornar-se este ano o primeiro país não europeu a integrar o programa europeu de aquisição de defesa SAFE, dotado de 150 mil milhões de euros.

Carney afirmou que qualquer reforço da parceria com a UE será debatido no Parlamento canadiano e submetido a votação final.

Analistas citados pela agência AP apontam que a postura de Washington sob Trump tem empurrado Canadá e UE a equacionar um mundo sem liderança forte dos EUA, e que a resistência de Carney às pressões norte-americanas reforçou a percepção europeia de um parceiro fiável na relação com Washington.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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