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Campanha de angariação de fundos quer criar primeira biblioteca feminista de Timor-Leste

todayJulho 17, 2026 81

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Díli, 17 de julho  de 2026 (RAFA.TL) – Três organizações timorenses lançaram uma campanha de angariação de fundos, na plataforma GoFundMe, para a criação da Biblioteca Feminista Rosa Muki, que pretende ser o primeiro espaço deste género no país, dedicado ao acesso a livros, literatura feminista e à organização comunitária de mulheres.

A iniciativa é uma colaboração entre a Feminista Revolusionária (FERA), o Movimentu Leitura ba Transformasaun Sosiál (Movimentu LETRAS) e o Kios Matenek, e inspira-se no legado de Rosa “Muki” Bonaparte e da Organização Popular de Mulheres Timorenses (OPMT), figuras da luta pela libertação nacional que defendiam a indissociabilidade entre a emancipação das mulheres e a independência do país.

Segundo os promotores, Timor-Leste carece atualmente de uma biblioteca nacional em funcionamento pleno, tem poucas livrarias e ainda menos espaços onde as mulheres possam reunir-se para aprender, refletir e organizar-se.

O projeto quer “estabelecer uma biblioteca feminista de base comunitária” que funcione como “um centro dinâmico de aprendizagem e comunidade” para mulheres e aliados em Timor-Leste.

A biblioteca será instalada no Kios Matenek, um café comunitário em Díli vocacionado para a inovação social, que os organizadores descrevem como um ambiente já criativo e propício à criação de “um espaço feminista público, mas seguro”.

Prevê um acervo inicial de cerca de 200 livros e publicações sobre feminismo, economia política, história timorense e as lutas das mulheres a nível global, além de mesas abertas para discussão, escrita criativa e estudo.

Entre os objetivos definidos pelos promotores contam-se a criação de uma biblioteca comunitária com acesso a literatura feminista e queer, o incentivo à leitura, escrita e ao diálogo crítico entre mulheres e jovens, a realização de workshops e sessões sobre teoria feminista e transformação social, o reforço da colaboração entre organizações de base, académicos e ativistas, e a promoção de escritoras e pensadoras timorenses através de exposições e sessões de leitura.

A campanha estima um custo total de cerca de 10 mil dólares, repartidos por seis rubricas: 4.000 dólares para obras de renovação do espaço e mobiliário, 2.000 dólares para a aquisição do acervo inicial de livros, 1.000 dólares para material diverso, decoração e equipamento, 500 dólares para comunicação, impressão e divulgação, 1.000 dólares para formação e coordenação de voluntários, e 1.000 dólares de contingência e manutenção.

Segundo o cronograma apresentado, a angariação de fundos e a recolha de livros decorrem entre julho e setembro de 2026, em paralelo com as obras de construção e adaptação do espaço e com a recolha e catalogação do acervo, no mesmo período. A formação de voluntários está prevista para setembro e outubro de 2026, com a inauguração da biblioteca agendada para setembro de 2026, a que se seguirá um programa regular de eventos.

Os organizadores indicam que a sustentabilidade a longo prazo do projeto assentará em três eixos: envolvimento comunitário, através da criação de uma base de membros e voluntários para a cogestão das atividades; desenvolvimento de parcerias com redes feministas, ativistas, instituições educativas e ONG para partilha de conhecimento e recursos; e organização de eventos culturais e publicações, incluindo encontros feministas, debates públicos e o lançamento de zines ou brochuras escritas por mulheres locais.

Os promotores apelam a ativistas, organizações feministas, agências, parceiros de desenvolvimento e particulares para que apoiem a iniciativa através de contribuições financeiras “de acordo com a capacidade de cada um” ou através da doação de livros, sublinhando que “todos os contributos contam” para um espaço que pretende ser, nas palavras da campanha, “um pilar de esperança para a mudança social” e um investimento na “libertação política e intelectual das mulheres em Timor-Leste”.

Rosa ‘Muki’ Bonaparte Soares, considerada uma das primeiras ativistas femininas proeminentes do país, teve uma vida curta. Foi morta a 8 de dezembro de 1975, um dia após a invasão indonésia de Timor-Leste e o início de uma brutal ocupação de 24 anos desta antiga colónia portuguesa. Apesar da sua curta vida, o seu nome, o seu espírito e as suas palavras inspiraram gerações e continuam, até hoje, a ser uma referência para as mulheres em Timor-Leste.

A Organização Popular da Mulher Timorense (OPMT), liderada por Muki Bonaparte e ainda ativa hoje, nasceu para permitir que as mulheres “participassem plenamente na revolução”, combatessem o colonialismo, mas, mais ainda, para “combater de todas as formas a discriminação violenta que as mulheres timorenses sofreram na sociedade colonial”.

A ocupação indonésia acabou por ter um custo significativo para as mulheres timorenses, inclusive na sua luta pela igualdade.

As mulheres associadas à Fretilin, partido que criou a OPMT, tornaram-se alvos na fase inicial da ocupação.

Além de Muki, outra mulher proeminente, Isabel Lobato, esposa do líder histórico Nicolau Lobato, também foi morta nos primeiros dias da invasão.

O papel das mulheres em Timor-Leste foi muito além de qualquer partido político ou organização. As mulheres eram essenciais em todos os componentes da resistência, desde o braço armado aos corredores diplomáticos do mundo.

A campanha está disponível em https://gofund.me/aef9b03d3

Jornalista: António Sampaio

 

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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