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“Baratas” lideram maior onda de protestos juvenis contra o Governo de Modi na Índia

todayJulho 23, 2026 4

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Nova Deli, 23 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Um movimento nascido de uma piada nas redes sociais transformou-se num dos protestos mais significativos protagonizados por jovens na Índia, com milhares de manifestantes a exigir responsabilização do governo e reformas no sistema de exames públicos.

A onde por trás do movimento, naquele que é já um dos desafios mais visíveis enfrentados pelo primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi nos últimos anos.

Autodenominando-se “Baratas” (Cockroaches), o movimento juvenil canalizou a indignação com falhas no sistema educativo para uma campanha mais ampla de exigência de contas ao executivo indiano.

A origem inicial dos protestos foi a indignação pública com alegadas fugas de informação em alguns dos exames de acesso mais competitivos da Índia, nomeadamente para faculdades de medicina e para a função pública – provas que constituem, para milhões de indianos, a principal via de estabilidade profissional e ascensão social.

As suspeitas de que os exames terão sido partilhados antecipadamente obrigam frequentemente as autoridades a cancelar ou repetir as provas, deixando os estudantes com meses ou anos de preparação perdidos e num quadro de grande incerteza.

O movimento arrancou em maio, depois de o presidente do Supremo Tribunal indiano, Surya Kant, ter comparado, durante uma audiência sobre um tema não relacionado, alguns jovens desempregados a “baratas”.

O comentário gerou uma onda de reações nas redes sociais e levou o estudante Abhijeet Dipke, da Universidade de Boston, a lançar o “Cockroach Janta Party” (Partido Popular das Baratas).

Muitos jovens indianos apropriaram-se do termo, adotando a barata como símbolo de resiliência. A campanha ganhou dimensão viral nas redes sociais, ultrapassando os 21 milhões de seguidores no Instagram em poucos dias, com memes, slogans satíricos e críticas ao Governo de Modi sobre desemprego, escassez de oportunidades de trabalho e pressão económica.

O movimento ganhou presença nas ruas em junho, quando Dipke regressou à Índia e começou a organizar protestos em várias cidades e universidades, reunindo centenas de participantes.

Os planos para uma manifestação prolongada em Jantar Mantar, um conhecido local de protesto em Nova Deli, ganharam projeção nacional. Desde então, o movimento tem exigido a demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, reformas no sistema de exames e compensações para as famílias de estudantes que se suicidaram na sequência de fugas de provas.

O que começou com algumas centenas de manifestantes diários em Nova Deli cresceu rapidamente para milhares.

O movimento ganhou ainda mais força com a adesão do ativista Sonam Wangchuk, que iniciou uma greve de fome que já dura há mais de três semanas – a polícia transferiu-o à força para um hospital no último fim de semana.

À medida que os protestos se expandem, têm dado voz a frustrações mais amplas sobre a falta de responsabilização das instituições, com muitos manifestantes a afirmarem ter perdido a confiança no sistema educativo, na liderança política, na justiça e nos meios de comunicação social.

O movimento tem atraído também profissionais e famílias para além da base estudantil original, com apoiantes em todo o país a encomendarem comida online para partilhar com quem participa nos protestos.

A ausência de uma estrutura partidária tradicional tem contribuído para o alargamento do apoio, sustentando os organizadores que os voluntários financiam as próprias deslocações e que a mobilização assenta sobretudo nas redes sociais.

Inicialmente, o executivo rejeitou negociar com os manifestantes. O ministro da Educação acusou os manifestantes de atuarem contra os interesses do país e afirmou que o Governo já tinha resolvido a crise ao ordenar novos exames.

A posição oficial só começou a mudar depois de o movimento se ter intensificado.

Na segunda-feira, a polícia recorreu a gás lacrimogéneo e cassetetes depois de milhares de manifestantes terem tentado forçar barreiras de segurança durante uma marcha rumo ao Parlamento, que reabria para a sessão de monção.

A repressão policial gerou indignação pública, e um governante reuniu-se pela primeira vez com representantes do movimento, embora as conversações não tenham aliviado as tensões.

A pressão sobre o executivo aumentou ainda mais depois de o líder da oposição, Rahul Gandhi, ter promovido, na terça-feira, uma manifestação junto à residência oficial de Modi, colocando as “Baratas” no centro do debate político indiano. Sob pressão crescente, Pradhan garantiu que o Governo está empenhado em “responder a todas as preocupações genuínas da nossa juventude” durante a atual sessão parlamentar, mas não se pronunciou sobre uma eventual demissão, que continua a ser uma das principais exigências dos manifestantes.

A rápida expansão do movimento para além dos grupos estudantis reflete uma frustração crescente entre a juventude indiana e insere-se numa tendência mais alargada no Sul da Ásia, onde os jovens têm desempenhado um papel central em movimentos antigovernamentais nos últimos anos.

Apesar de os partidos da oposição indiana permanecerem divididos e do espaço político para a crítica se ter reduzido sob Modi, o Governo enfrenta agora o desafio pouco habitual de lidar com um movimento descentralizado de jovens, em vez de organizações políticas estabelecidas. Partidos da oposição e ativistas de direitos humanos têm apoiado a campanha, enquadrando-a como uma luta mais ampla pela responsabilização democrática e pelo direito ao protesto pacífico – dando também à oposição indiana uma plataforma para alargar o seu apoio entre os eleitores mais jovens.

Com centenas de milhões de eleitores com menos de 35 anos, incluindo milhões de eleitores pela primeira vez, a juventude indiana constitui um bloco eleitoral decisivo, e o seu descontentamento crescente poderá ter implicações políticas de maior alcance nas próximas eleições.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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