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Balanço sobe para 2.295 mortos na Venezuela, crise sanitária cresce, 71 mortos são portugueses

todayJulho 2, 2026 4

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Caracas, 02 de julho  de 2026 (RAFA.TL) – O número de mortos provocados pelos sismos que atingiram a Venezuela a 24 de junho subiu para 2.295, com mais de 11.267 feridos, segundo o balanço mais recente avançado pelo presidente do parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez.

Foram já resgatadas 6.461 pessoas por mais de quatro mil socorristas.

Entre as vítimas mortais contam-se 71 portugueses ou lusodescendentes, segundo o balanço avançado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

Continuam por contabilizar milhares de desaparecidos, o que mantém a incerteza sobre o balanço final.

Uma base de dados não-governamental para registo de desaparecidos indicava esta quarta-feira mais de 40.600 pessoas por localizar.

A Venezuela decretou luto nacional, com Delcy Rodríguez a declarar sete dias em memória das vítimas.

A região mais afetada foi La Guaira, zona costeira que já tinha sido palco de uma tragédia idêntica em 1999, com um deslizamento de terras que provocou milhares de mortos.

Uma primeira avaliação rápida feita com base em imagens de satélite da NASA aponta para cerca de 58.870 edifícios danificados ou destruídos em toda a região afetada.

O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, anunciou esta quarta-feira que Portugal vai observar um dia de luto nacional no próximo domingo, dia 5, em memória das vítimas dos sismos, “em particular” dos cidadãos portugueses e lusodescendentes mortos e de todos os que sofreram com a tragédia.

O estado de La Guaira continua marcado pela desorganização, segundo relatos recolhidos junto da comunidade luso-venezuelana.

Um dirigente do Centro Luso-Venezuelano de Cátia La Mar descreveu dificuldades graves em localizar familiares transferidos entre centros de acolhimento em La Guaira e Caracas, agravadas pelo corte da autoestrada que liga as duas cidades.

O mesmo responsável adiantou que o centro luso-venezuelano sofreu danos estruturais consideráveis e que mais de 20 associados da instituição morreram, incluindo o vice-presidente.

Sete elementos da equipa de resgate portuguesa estão desde segunda-feira envolvidos no resgate de um segurança soterrado num estabelecimento comercial em Playa Grande, La Guaira. Portugal enviou também cerca de 17 toneladas de ajuda humanitária.

Médicos e responsáveis de organizações humanitárias alertaram esta quarta-feira que as consequências do duplo sismo podem desencadear uma crise médica alargada, marcada por ferimentos por tratar, doenças infeciosas e um sistema de saúde já no limite.

Milhares de venezuelanos deslocados dormem em abrigos sobrelotados ou ao ar livre, sem acesso a água potável e em condições sanitárias precárias.

Eugenio Cova, responsável pela unidade de traumatologia do Hospital del Oeste Dr. José Gregorio Hernández, em Caracas, disse temer as infeções em doentes há mais tempo expostos ao desastre.

Segundo o governo venezuelano, os sismos danificaram ou comprometeram 38 hospitais em todo o país. Véronique Durroux, porta-voz da agência humanitária da ONU para a América Latina e Caraíbas, alertou para o risco de doenças transmitidas por vetores devido ao calor e para os problemas de gestão de escombros face à escala da devastação.

A crise é agravada por uma escassez crónica de médicos: a associação médica venezuelana estima que cerca de um terço dos 60 mil médicos registados no país tenha emigrado desde o início da crise económica, num êxodo que já ultrapassa os 7,7 milhões de venezuelanos desde 2013.

Os Estados Unidos têm atualmente 900 militares no terreno a apoiar as operações de socorro e resgate, segundo Steven McLoud, porta-voz do Comando Sul dos EUA. As forças norte-americanas repararam uma pista danificada no principal aeroporto internacional que serve Caracas, permitindo a chegada de ajuda humanitária.

Washington já disponibilizou 300 milhões de dólares em assistência, montante que representa apenas uma fracção das necessidades: os danos materiais são estimados em mais de 6,7 mil milhões de dólares, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Mais 50 equipas internacionais chegaram nos últimos dias para apoiar as buscas, incluindo de países sem relações diplomáticas com a Venezuela, como o Equador e Israel.

Apesar da fase avançada das operações, os socorristas continuam a encontrar sobreviventes, tendo sido resgatada na terça-feira uma criança que esteve seis dias soterrada.

O governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, que assumiu a liderança com o apoio da administração Trump após a detenção de Nicolás Maduro em janeiro, enfrenta críticas crescentes pela forma como tem gerido o desastre.

Vídeos que circulam nas redes sociais parecem mostrar agentes de segurança a remexer nos escombros de edifícios colapsados, levando dólares e outros bens pessoais, o que gerou indignação generalizada.

O Ministério do Interior venezuelano anunciou esta quarta-feira o despedimento e a detenção de quatro responsáveis policiais por, segundo o comunicado, se terem “desviado das suas funções” durante as operações de resgate.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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