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Balanço das cheias no Nepal e China sobe para mais de 950 mortos, com centenas presas em túneis hidroelétricos

todaySetembro 1, 2026 15

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Katmandu, 1 de setembro de 2026 (RAFA) – Equipas de resgate corriam esta segunda-feira contra o tempo para libertar centenas de trabalhadores presos em túneis de centrais hidroelétricas soterrados pelas cheias catastróficas na fronteira entre o Nepal e a China, que causaram mais de 950 e 4.400 desaparecidos.

Uma associação do setor privado que representa empresas de energia afirmou que pelo menos 900 trabalhadores continuam sem paradeiro conhecido em 12 projetos hidroelétricos danificados pelas cheias repentinas nos distritos nepaleses de Rasuwa e Nuwakot, dos quais cerca de 500 estarão presos em túneis.

Um especialista admitiu que alguns trabalhadores poderão ter acesso a oxigénio, mas outros alertam que as hipóteses de encontrar sobreviventes diminuem a cada dia. O exército nepalês confirmou a recuperação de quatro corpos em três túneis cobertos de lama.

Segundo Mohan Kumar Dangi, presidente da Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal (IPPAN), alguns trabalhadores conseguiram pedir ajuda por telefone quando a catástrofe ocorreu, na quarta-feira passada, e outros que fugiram relataram às autoridades e a familiares que muitos colegas continuavam nos túneis.

Não é claro se as equipas de resgate mantiveram algum contacto com os trabalhadores presos desde os primeiros pedidos de socorro; seis dias após o desastre, cresce o receio de que alguns possam ter morrido por asfixia, segundo Dangi.

“Estes túneis são suficientemente grandes para se conduzir camiões lá dentro”, descreveu Jakob Steiner, geocientista da Universidade de Graz, na Áustria, atualmente baseado em Daca, no Bangladesh.

“Segundo percebemos, conseguiram fazer chegar oxigénio a alguns dos que estão presos lá dentro e estão a tentar resgatá-los agora. É uma corrida contra o tempo, porque as pessoas precisam de comida e água.”

No projeto hidroelétrico de Upper Trishuli-1, no distrito fortemente atingido de Rasuwa, estão desaparecidas pelo menos 576 pessoas, das quais cerca de 300 estarão presas no túnel do projeto, segundo Dangi.

Já no projeto de Trishuli-3, equipas trabalham para descer cerca de 15 metros dentro de um túnel na tentativa de alcançar os presos lá dentro, de acordo com o brigadeiro-general Raja Ram Basnet, porta-voz do exército nepalês.

Trabalhadores que retiravam lama de uma central elétrica devastada pelas cheias em Dhading disseram à Associated Press que a instalação é uma ligação fundamental no fornecimento de eletricidade a mais de 20 mil pessoas na região.

Do lado chinês, os esforços de resgate e recuperação incluem a reconstrução da estrada que conduz ao posto fronteiriço de Gyirong, que regula a passagem entre a China e o Nepal.

A televisão estatal CCTV mostrou na segunda-feira camiões a transportar rochas de grande dimensão enquanto equipas tentavam repavimentar um troço da via junto a águas em forte correnteza, agravadas por dias de chuva – a estrada está atualmente submersa sob dois a três metros de água.

Os trabalhos de repavimentação decorriam a pouco mais de um quilómetro da fronteira, segundo a CCTV.

Ainda que algumas equipas de resgate tenham conseguido chegar à zona fronteiriça, representam apenas uma fração da força mobilizada; a cobertura da imprensa estatal chinesa tem-se centrado sobretudo na resposta oficial, destacando a mobilização de bombeiros, do Exército de Libertação Popular e as instruções da liderança do país, havendo pouca informação disponível sobre as vítimas do lado chinês.

A agência nepalesa de gestão de catástrofes anunciou na segunda-feira 939 mortos confirmados no Nepal, com 3.925 pessoas desaparecidas, incluindo 592 estrangeiros.

Do lado chinês, as autoridades reportavam no domingo 16 mortos e 546 desaparecidos, dos quais, segundo a imprensa estatal chinesa, 261 seriam estrangeiros, incluindo mais de uma centena de nepaleses. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, 80 cidadãos norte-americanos estão desaparecidos e 13 já foram resgatados.

Dois dias após o desastre, Maraval Nagappan viajou até ao Nepal à procura do filho, que está entre os desaparecidos. Visitou centros de resgate e morgues, chegando a deslocar-se até 40 quilómetros do local onde o filho seria visto pela última vez, sem encontrar qualquer sinal dele.

O filho, Sathya Narayan, liderava um grupo de 49 viajantes indianos que regressavam do Monte Kailash, local sagrado no sudoeste do Tibete; o grupo está desaparecido desde que as águas das cheias invadiram um complexo de imigração chinês onde aguardavam para atravessar para o Nepal.

Nagappan, proprietário da agência de viagens sediada em Chennai, na Índia, que organizou a peregrinação, disse que o grupo deveria concluir as formalidades de imigração e partir para o Nepal no prazo de cerca de duas horas; em vez disso, foi surpreendido pelas cheias.

A peregrinação tinha começado a 14 de agosto. “Não tenho notícias do meu filho desde então. Não sei se está vivo ou morto”, afirmou à Associated Press.

Imagens de videovigilância mostram água a invadir o complexo de imigração junto à fronteira enquanto as pessoas tentavam fugir; Nagappan identificou, pelas roupas, alguns dos membros do grupo do filho entre os que apareciam a fugir nas imagens.

As cheias repentinas de quarta-feira tiveram origem no colapso de um glaciar a grande altitude nos Himalaias: cientistas que analisaram imagens de satélite concluíram que o colapso da rocha subjacente ao glaciar foi tão violento que registou um evento sísmico de magnitude 5,2.

As rochas e a água do degelo inundaram os rios dos vales a jusante, arrastando edifícios, pontes e terra ao longo do território tibetano e nepalês.

Quase uma semana após o desastre, cerca de 65 mil pessoas necessitam de água de emergência e material de saneamento e higiene, segundo a ONU.

O porta-voz da organização, Stephane Dujarric, disse aos jornalistas que mais de 22 mil crianças precisam de proteção, 2.600 crianças com menos de cinco anos deverão necessitar de tratamento para desnutrição aguda grave e cerca de 10.500 mulheres grávidas e lactantes precisam de apoio nutricional.

Segundo Dujarric, 19 escolas ficaram danificadas, das quais nove completamente destruídas, e outras oito estão a ser usadas para abrigar famílias deslocadas.

“Mais de 10 mil crianças em idade escolar precisam de apoio psicossocial, e relatórios preliminares indicam que 107 crianças poderão ter sido separadas dos pais ou cuidadores”, afirmou o porta-voz da ONU.

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Escrito por RafaFM

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