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A Austrália está a avaliar várias medidas de apoio aos países insulares do Pacífico face à crescente escassez de combustível provocada pela guerra no Irão, com as reservas atuais a escassearem.
Camberra, 07 de abril de 2026 (RAFA.tl) – A Austrália está a avaliar várias medidas de apoio aos países insulares do Pacífico face à crescente escassez de combustível provocada pela guerra no Irão, com as reservas atuais a escassearem, segundo a imprensa australiana.
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O anúncio das eventuais medidas de apoio foi feito pela ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Penny Wong, que explicou ter estado em contacto com homólogos da região, para avaliar as formas de apoio.
“Somos um parceiro responsável no Pacífico. Continuaremos a trabalhar com eles e a ver o que podemos fazer para os apoiar neste momento”, afirmou Wong, citada pela ABC News.
O ministro para os Assuntos das Ilhas do Pacífico, Pat Conroy, também sinalizou disponibilidade para garantir que os vizinhos regionais não ficam sem combustível, estando em curso conversações com os países da região visam para determinar a melhor forma de apoio.
As medidas de apoio surgem numa altura em que a Austrália enfrenta os seus próprios desafios nesta matéria, com aumentos dos preços e escassez em algumas gasolineiras, especialmente devido a compras de pânico.
As medidas australianas de resposta interna incluem um corte temporário do imposto sobre os combustíveis, a suspensão por 60 dias dos padrões de qualidade do combustível pelo ministro da Energia Chris Bowen, permitindo que refinarias produzam combustível com maior teor de enxofre normalmente reservado para exportação – uma medida que introduz 100 milhões de litros adicionais por mês.
Mais recentemente, Bowen garantiu que os carregamentos de combustível estão assegurados até meados de maio, com 53 navios a caminho da Austrália provenientes de países asiáticos, dos EUA e do México.
“Todas as encomendas estão feitas e contratadas”, disse.
A situação no Pacífico varia consideravelmente de país para país, mas o padrão é uniforme: reservas suficientes por agora, incerteza crescente para a segunda metade do ano.
A Papua Nova Guiné informou ter combustível suficiente para satisfazer a procura nacional durante os próximos três meses. Samoa, Fiji, Vanuatu e a PNG comunicaram publicamente, no final de março, que tinham reservas para continuar a operar durante alguns meses – mas alguns responsáveis expressaram, em privado, preocupações sobre o futuro caso as entregas à região sejam interrompidas.
Tonga é um dos casos mais vulneráveis. O primeiro-ministro Lord Fakafanua admitiu que o país ainda dispõe de reservas de gasóleo suficientes para manter o fornecimento de eletricidade durante cerca de três meses, mas advertiu que perturbações globais prolongadas poderiam criar “desafios sérios” a partir de meados do ano.
“Se continuar em abril, maio e entrarmos em junho e julho, estaremos numa situação crítica e perigosa”, afirmou.
As Ilhas Cook tinham, a 30 de março, reservas de apenas 20 dias – menos de metade da capacidade total. Os fornecedores locais estavam confiantes de que as existências seriam suficientes até ao próximo carregamento previsto para o início de abril, desde que não houvesse “compras em pânico”.
Em Fiji, os preços subiram de forma abrupta. A Fijian Competition and Consumer Commission divulgou os preços revistos para abril, com a gasolina sem chumbo a aumentar quase 50 cêntimos e o gasóleo quase 80 cêntimos – isto apenas duas semanas depois de o primeiro-ministro Sitiveni Rabuka ter garantido ao público que não haveria aumento dos preços dos combustíveis.
Vanuatu avisou que os preços da eletricidade em Port Vila subiriam 12,07% em abril, dado que a cidade depende principalmente de diesel para a geração elétrica.
As projeções para os países mais vulneráveis são alarmantes.
A fatura anual de combustíveis refinados do Fiji poderá subir 115% face aos níveis de 2025, para 670 milhões de dólares – quase três vezes o orçamento anual da saúde do país. Os custos de importação de petróleo refinado do Vanuatu poderão disparar 120 milhões de dólares (11% do PIB) e os de Tonga 55 milhões de dólares (9% do PIB).
Os preços subiram em todos estes países, bem como nas Ilhas Salomão, Tonga e Ilhas Marshall.
A Nova Zelândia limitou-se, por ora, a comprometer-se com “partilha de informações”. O governo neozelandês declarou estar a avaliar como pode ajudar a região, em especial as nações polinésias.
A Air New Zealand cancelou 1.100 voos na região do Pacífico, afetando cerca de 44.000 passageiros. A 27 de março, Wellington ativou o primeiro nível do seu sistema de alerta de combustível de quatro níveis – “vigilante” -, pedindo ao público que utilize o combustível com precaução.
Análises apontam que as Ilhas Cook, o Fiji, Nauru, as Ilhas Marshall, Samoa, Tuvalu e Vanuatu comprometeram-se todas a alcançar 100% de eletricidade renovável até 2035, enquanto Tonga e as Ilhas Salomão estabeleceram uma meta de 70% de energia renovável até 2030.
A Zero Carbon Analytics observa que atingir estes objetivos e abandonar a dependência de energia importada proporcionaria um amortecedor significativo contra a volatilidade nos mercados internacionais de combustíveis fósseis. Mas o progresso tem sido lento na maior parte da região.
A guerra no Irão está a transformar o que eram metas climáticas numa questão de sobrevivência económica imediata para algumas das nações mais pequenas e isoladas do mundo.
FIM
Escrito por RafaFM
Austrália estuda medidas de apoio ao Pacífico perante crise combustíveis
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