Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Cairo, 18 de setembro de 2026 (RAFA) – Há uma semana que os rebeldes houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, avançam pela costa do Mar Vermelho, ameaçando as exportações petrolíferas da Arábia Saudita e reacendendo a guerra civil no país.
O maior avanço territorial dos houthis em anos fez subir os preços globais dos combustíveis e reforçou a influência do Irão, numa altura em que os Estados Unidos começaram a aliviar o controlo de Teerão sobre o Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica.
Os rebeldes têm também atacado instalações petrolíferas e petroleiros sauditas. Um ataque ao oleoduto este-oeste da Arábia Saudita, atribuído a milícias apoiadas pelo Irão no Iraque, agravou a situação para o reino e abalou os mercados internacionais.
A ofensiva rebelde já obrigou cerca de 125 mil iemenitas a fugir de casa. A guerra civil, que dura há 12 anos, já matou mais de 150 mil pessoas e por vezes empurrou o país para o limiar da fome.
Os houthis parecem agora mirar o leste petrolífero do Iémen. Por enquanto, o único obstáculo é o governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita e um conjunto de forças que combateram entre si até janeiro. Os Estados Unidos, principal aliado saudita, parecem manter-se à margem do conflito.
Os houthis tomaram a cidade portuária de Moca, no Mar Vermelho, antes de ocuparem várias ilhas junto ao estreito de Bab al-Mandab, por onde passa cerca de 12% do comércio mundial em tempo de paz. Encontram-se também a apenas 32 quilómetros do Djibuti, pequeno país africano que acolhe bases militares dos EUA e de outros países.
Os houthis desceram pela primeira vez do seu reduto no norte, em 2014, tomando a capital, Sanaa, e grande parte do norte do Iémen. A Arábia Saudita interveio no ano seguinte, e os combates prolongaram-se até um cessar-fogo em 2022.
Nos últimos dias, registaram-se combates intensos em torno de Marib, cidade central de uma província rica em petróleo com o mesmo nome.
Ofensivas anteriores dos houthis falharam a conquista da cidade, que serve também de centro militar para as forças apoiadas pela Arábia Saudita. Os rebeldes ameaçam ainda a cidade ocidental de Taiz, uma das principais linhas da frente do conflito.
Os houthis exigem que a Arábia Saudita levante o bloqueio de longa data imposto ao território que controlam.
“Foi a Arábia Saudita que fechou o estreito de Bab al-Mandab ao tráfego marítimo de e para o Iémen e impôs um bloqueio injusto ao país”, afirmou Mohammed al-Bukhaiti, membro do gabinete político dos houthis, à Associated Press.
A Arábia Saudita e os seus aliados têm tido dificuldade em conter ou dissuadir os houthis, e poderão procurar uma solução diplomática para travar os ataques – o que poderá exigir concessões dos EUA ao Irão, o único país com influência sobre o grupo rebelde.
Washington, que bombardeou os houthis tanto na administração Biden como na de Trump, não mostra interesse em envolver-se desta vez, e os rebeldes parecem querer manter essa distância, alegando atacar apenas navegação ligada à Arábia Saudita.
A empresa de transporte marítimo Windward registou uma queda no tráfego através do Bab al-Mandab, de 35 travessias diárias antes do avanço houthi para 25 depois, mas o número já recuperou, atingindo 45 travessias no domingo.
Os houthis poderão ainda alargar os alvos para além de navios e petroleiros sauditas. No auge da guerra em Gaza, durante o autoproclamado bloqueio a Israel, o grupo atacou navios no Mar Vermelho sem qualquer ligação conhecida ao conflito.
“Neste momento, o foco está na navegação ligada à Arábia Saudita”, disse Valentin d’Hauthuille, analista para o Médio Oriente do observatório de conflitos ACLED, alertando que os critérios de definição de navio “ligado à Arábia Saudita” podem alargar-se para aumentar a pressão sobre o reino e a economia global.
Mediadores regionais têm-se mobilizado, mas um acordo diplomático parece improvável sem um avanço mais amplo na guerra com o Irão.
Teerão quer que os EUA levantem o bloqueio e as sanções que têm devastado a sua economia, enquanto Washington exige a reabertura total do Estreito de Ormuz e um acordo para travar o programa nuclear iraniano.
Nenhuma das partes cedeu desde que um acordo preliminar se desfez no verão.
No fim de semana passado, Omã recebeu um encontro entre representantes dos EUA e dos houthis, segundo um responsável houthi e outra pessoa a par das negociações, citados pela Associated Press esta semana.
Washington afirma manter “contacto permanente” com a Arábia Saudita, aliado próximo e beneficiário de milhares de milhões de dólares em assistência militar norte-americana.
O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, visitou recentemente o Egipto, que tem servido de mediador regional.
Um responsável do governo turco, outro potencial mediador, afirmou esta semana que Ancara negoceia com o Irão e os Emirados Árabes Unidos para tentar reduzir as tensões.
Os ataques houthis constituem o primeiro teste a um novo pacto de defesa entre a Arábia Saudita, a Turquia – membro da NATO – e o Paquistão, potência nuclear. Responsáveis turcos e paquistaneses afirmam, no entanto, não ter recebido qualquer pedido de apoio saudita.
Os combates mais recentes mataram oito civis e feriram outros 32, segundo o gabinete humanitário da ONU, que estima em 125 mil o número de deslocados. O Ministério da Saúde do governo apoiado pela Arábia Saudita afirma que os houthis mataram cerca de 150 civis desde 3 de setembro.
A Arábia Saudita informou esta quinta-feira que destroços de um drone houthi interceptado mataram uma pessoa e feriram outras duas no reino.
O Iémen já era o país árabe mais pobre antes da guerra civil, tendo enfrentado fome generalizada nos últimos anos devido ao conflito e ao bloqueio liderado pela Arábia Saudita.
A detenção de trabalhadores humanitários e da ONU pelos houthis tem dificultado a assistência internacional nos territórios sob o seu controlo. Segundo especialistas, o grupo tem tido dificuldade em pagar salários a funcionários públicos, gerando alguma agitação social, e tem desviado grande parte das receitas fiscais para o seu braço militar.
O gabinete humanitário da ONU (OCHA) afirma que apenas 20% do apelo humanitário para o Iémen foi financiado, alertando que “milhões correm o risco de perder acesso a alimentação, cuidados de saúde, nutrição, água e serviços de protecção”.
“As necessidades são extremamente elevadas neste momento”, disse Sara Ahmed, supervisora dos Médicos Sem Fronteiras em Moca, que descreveu médicos a trabalhar em condições difíceis para manter serviços essenciais, apesar dos ataques aéreos.
Mahida Ahmed fugiu dos combates em Moca e encontra-se agora abrigada num campo de deslocados em Adem, sede do governo apoiado pela Arábia Saudita. Contou ter partido à pressa com os filhos, sem pertences, enquanto o marido permanece retido em Moca.
“Esta guerra tem sido completamente devastadora para nós”, afirmou.
FIM
Escrito por RafaFM
Ataques houthis ameaçam petróleo saudita e abalam mercados mundiais após semana de escalada no Iémen
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt