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Díli, 23 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A Autoridade Nacional do Petróleo (ANP) de Timor-Leste notificou a empresa britânica Sunda Energy da sua intenção de rescindir o Contrato de Partilha de Produção (CPP) TL-SO-19-16, que cobre o campo de gás Chuditch.
A decisão deve-se, segundo avançou a empresa citada pela imprensa do setor, ao facto da Sunda Energy ter falhado o prazo contratual para a perfuração do poço de avaliação Chuditch-2.
A notíciaez colapsar a cotação da empresa na bolsa de Londres em cerca de 25%.
A ANP emitiu a notificação à subsidiária da Sunda, SundaGas Banda Unipessoal, citando uma violação do contrato por não ter cumprido os requisitos mínimos de trabalho de exploração para o terceiro ano contratual, nomeadamente a perfuração do poço Chuditch-2 até 18 de junho de 2026. A SundaGas opera o CPP em parceria com a TIMOR GAP Chuditch Unipessoal, subsidiária da empresa pública timorense.
O campo Chuditch situa-se a cerca de 185 quilómetros a sul de Timor-Leste, em lâminas de água de 50 a 100 metros, e contém a descoberta de gás Chuditch-1, perfurada pela Shell em 1998.
A SundaGas detém 60% de interesse operacional no CPP, enquanto a TIMOR GAP detém os restantes 40%, dos quais 25% são financiados pela SundaGas até à primeira produção de gás. Estudos sísmicos 3D reprocessados pela empresa estimam recursos contingentes brutos de 1,16 biliões de pés cúbicos de gás, com recursos prospetivos adicionais de cerca de 1,56 biliões de pés cúbicos em três prospetos associados.
A perfuração do Chuditch-2 vinha sendo adiada há mais de um ano. Em março de 2026, a empresa havia obtido a licença ambiental para o poço, descrita pelo CEO Andy Butler como “um marco maior nas nossas preparações de perfuração”, resultado de extensos estudos e consultas regulatórias com a ANP.
Apesar desse avanço, a empresa não conseguiu garantir um navio-sonda a tempo de cumprir o prazo contratual de 18 de junho.
Butler explicou que problemas logísticos e de conteúdo local geraram preocupações de saúde e segurança que impediram a operação no ano passado.
“Estávamos prontos para o fazer no ano passado e esteve fora do nosso controlo”, afirmou o CEO em entrevista à Proactive Investors.
Nos termos da notificação, a SundaGas tem 120 dias – até 16 de outubro de 2026 – para apresentar representações escritas à ANP antes de esta tomar uma decisão final sobre a rescisão.
A ANP indicou ainda que poderá considerar conceder uma extensão caso a SundaGas apresente prova de um contrato vinculativo e assinado para a perfuração do Chuditch-2 em 2027.
Dois meses antes do prazo, a Sunda havia anunciado uma carta de intenções com a Finder Energy para assegurar conjuntamente um navio-sonda para as suas campanhas de perfuração ao largo de Timor-Leste.
A empresa diz manter-se empenhada em encontrar uma solução de perfuração alternativa no âmbito desta colaboração, mas o prazo expirou sem que um contrato vinculativo tivesse sido assinado.
O Conselho de Administração da Sunda contesta a base e os antecedentes da notificação, estando a empresa a consultar assessores jurídicos e regulatórios. A SundaGas solicitou ainda uma reunião urgente com a ANP para obter esclarecimentos, reservando todos os seus direitos legais e contratuais.
Apesar do revés em Timor-Leste, Butler assinalou progressos noutras frentes: na Nova Zelândia, um processo de aquisição de ativos de produção de petróleo e gás está em fase de diligência prévia e aprovações regulatórias.
Nas Filipinas decorrem estudos técnicos e processamento sísmico em dois blocos offshore no Mar de Sulu. Em comunicados anteriores, a empresa tinha sublinhado o “progresso encorajador” do governo de Timor-Leste no desenvolvimento de recursos de gás offshore, incluindo estudos de exploração conjuntos entre a Petronas Carigali, a TIMOR GAP e a ANP, e a aceleração das discussões em torno do projecto Greater Sunrise – infraestrutura que seria chave para as futuras exportações do gás de Chuditch.
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Escrito por RafaFM
ANP notifica Sunda Energy de intenção de rescindir contrato do campo de gás Chuditch
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