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Analfabetismo atinge até 96% das mulheres idosas em zonas rurais

todayAgosto 19, 2026 23

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Díli, 19 de agosto de 2026 (RAFA.TL) – Entre 61% e 96% das mulheres com 65 ou mais anos não sabem ler nem escrever nos municípios timorenses, mostra o Perfil de Género dos Municípios de Timor-Leste, lançado pelo Ministério das Finanças, pela Secretaria de Estado para a Igualdade e pela ONU Mulheres.

O documento resulta do Censo da População e Habitação 2022, produzido pelo Instituto Nacional de Estatística de Timor-Leste (INETL, I.P.), e foi apresentado como ferramenta prática para compreender onde existem desigualdades, quem está a ser deixado para trás e que ações são necessárias para as corrigir.

Bobonaro, Covalima, Oe-Cusse e Viqueque registam as taxas mais elevadas do país, com 95% a 96% das mulheres idosas em zonas rurais em situação de analfabetismo.

Em Oe-Cusse, o problema estende-se também às gerações mais jovens: metade das mulheres com 5 ou mais anos em zonas rurais são analfabetas, a taxa mais alta entre todos os municípios – contra 23% em zonas urbanas do mesmo município -, um indicador que o relatório associa a barreiras históricas de acesso à escolaridade e que se traduz também na maior taxa de casamento infantil do país.

Mesmo Díli, o município com os melhores indicadores educativos do país, mantém disparidades de género significativas entre a população idosa.

Cerca de 71% das mulheres com 65 ou mais anos em zonas rurais da capital são analfabetas, contra 54% dos homens na mesma situação – a taxa mais baixa entre municípios, mas ainda assim reveladora de um fosso de género persistente.

O relatório sublinha que estas desvantagens acumuladas ao longo da vida limitam de forma duradoura a participação das mulheres mais velhas na vida social, económica e política das suas comunidades.

A estrutura demográfica de quase todos os municípios reflete uma “feminização do envelhecimento”, com uma maior proporção de mulheres do que homens entre a população com 65 ou mais anos – um padrão visível em Ainaro, Baucau, Bobonaro, Covalima, Ermera, Lautém, Manatuto, Manufahi e Viqueque.

Noutro âmbito, o documento mostra ainda que a viuvez entre mulheres idosas varia entre 37% e 57% consoante o município, contra apenas 9% a 20% entre os homens da mesma faixa etária – um desequilíbrio que reflete tanto a maior esperança de vida das mulheres como riscos acrescidos de pobreza, isolamento e fragilidade de saúde.

Lautém regista a taxa de viuvez mais alta entre mulheres idosas do país, enquanto Atauro apresenta a taxa mais baixa a nível nacional, ainda que as mulheres continuem consideravelmente mais sujeitas à viuvez do que os homens em todos os municípios sem exceção.

O relatório associa esta vulnerabilidade acrescida das mulheres idosas viúvas a um maior risco de insegurança económica, isolamento social e dificuldades de acesso a cuidados de saúde, recomendando a expansão de sistemas de proteção social inclusivos e de fácil acesso para comunidades rurais, com atenção prioritária a viúvas, cuidadoras não remuneradas e mulheres com deficiência.

Em Oe-Cusse e Viqueque, o relatório recomenda especificamente o reforço de esquemas de proteção social para mulheres em situação de pobreza, incluindo viúvas e mulheres idosas.

O documento nota ainda que, em vários municípios – nomeadamente Ainaro, Baucau, Bobonaro, Covalima, Ermera, Lautém, Manatuto, Manufahi e Viqueque -, a prevalência de deficiência entre mulheres aumenta de forma acentuada com a idade, ultrapassando frequentemente os 10% entre a população feminina com 65 ou mais anos, um fator que se soma à iliteracia e à viuvez para agravar a vulnerabilidade das mulheres mais velhas em Timor-Leste.

Responsáveis presentes no lançamento reconheceram, no entanto, que os dados censitários têm limitações: não medem diretamente dimensões como a violência de género, a tomada de decisões dentro do agregado, o controlo de bens e recursos, o acesso a serviços financeiros ou o trabalho doméstico e de cuidados não remunerado.

Reconhecem ser necessárias fontes complementares, incluindo dados administrativos e estudos sobre o uso do tempo, para captar cabalmente a situação das mulheres idosas no país.

FIM

Escrito por RafaFM

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