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Díli, 30 de agosto de 2026 (RAFA) – O secretário-geral e presidente interino da Fretilin, Mari Alkatiri, disse à RAFA que o partido não vai endossar qualquer candidato às eleições presidenciais de 2027, mas vai contribuir para definir o perfil exigido para chefe de Estado.
Questionado sobre a decisão de não apresentar candidatura própria, adotada na reunião de sábado do Comité Central do partido, Alkatiri explicou que a opção visou surpreende os adversários políticos.
“Sabemos que o adversário estava à espera de uma decisão nossa e a estratégia foi criar um vazio para eles”, afirmou.
O líder da Fretilin sublinhou que a estratégia do partido está agora centrada nas eleições legislativas, sem que isso signifique silêncio sobre a corrida presidencial.
“As legislativas são, neste momento, o alvo principal de toda a nossa estratégia, mas isso não significa que fiquemos em silêncio durante as presidenciais”, disse.
Segundo Alkatiri, a Fretilin vai manifestar-se sobre o perfil que pretende para o futuro presidente, sem tomar posição sobre nomes concretos.
“Não vamos endossar nenhum candidato. Vamos ajudar a definir o perfil de entre os candidatos, sem dizer quem é quem, num momento tão difícil como o atual”, afirmou, acrescentando que o cargo exige alguém capaz de “exercer magistério de influência”, sem se posicionar nem contra o Governo nem contra a oposição.
Alkatiri explicou que o congresso marcado para o segundo semestre de 2027, vai representar a modernização da Fretilin.
“O que está marcado para o próximo ano vai ser o congresso que marca a modernização do partido. Transitar do passado do partido, com uma história de movimento de libertação, para passar a ser um partido moderno, que se enquadra nos grupos internacionais de partidos”, explicou.
“Os órgãos de decisão do partido vão sofrer alterações, desde a liderança até aos órgãos centrais e departamentos”, referiu.
Questionado sobre o seu próprio papel nessa transição, Alkatiri recordou o que tinha sido acordado com o antigo presidente Francisco Guterres “Lú-Olo”.
“Se Lú-Olo continuasse vivo, já tínhamos concordado que iria liderar um conselho de transição e a plataforma intergeracional, inclusiva e ampla, dentro da Fretilin. Eu, como fundador, seria a pessoa para, nos últimos anos ainda com vida ativa, contribuir para dar uma visão de futuro mais consensual e uma causa”, afirmou.
“Se o presidente Lú-Olo continuasse vivo, era essa a minha proposta – seria ele a liderar sozinho o partido, e eu passaria a garantir [o resto do processo].”
Com a morte de Lú-Olo, Alkatiri reconheceu que o cenário mudou.
“Não estando ele, vai ter que ser tudo reequacionado”, disse.
Questionado sobre uma futura liderança do partido, o secretário-geral e presidente interino do partido, reiterou que “a Fretilin é uma organização muito dinâmica” e que importa “fazer a transição e construir a plataforma intergeracional”
Sobre o debate na reunião do Comité Central, Alkatiri descreveu que conduzir os trabalhados inspirado na figura de um “speaker” de parlamento anglo-saxónico.
“Ouvimos todos e depois começámos a corrigir alguma coisa, e depois, numa terceira parte, a dar o tom e o que se pretende para a Fretilin hoje. Reorganizar, maior coesão e maior unidade. Foi o que fiz. “, afirmou, considerando que “o partido saiu do CCF mais forte.”
Alkatiri disse que, a partir do fim de semana seguinte à reunião, vai deslocar-se às bases do partido, acompanhado pela liderança do partido, para conduzir as eleições das lideranças municipais ainda em falta.
“Não são muitos, mas como só podemos fazer isso ao fim de semana, o mais tardar deve estar concluído em meados de outubro”, disse.
O líder da Fretilin adiantou ainda que o Comité Central criou uma estrutura organizativa dedicada à preparação simultânea do congresso e das eleições legislativas.
“Este CCF criou a organização para se trabalhar já tudo nos preparativos do congresso, e também preparar para as legislativas”, afirmou.
Questionado sobre os principais desafios que o país enfrenta, Alkatiri identificou várias frentes de dificuldade.
“O desafio agora toma muitas formas e formas diferentes. Desafio normal, por causa do fracasso coletivo e individual do próprio processo de desenvolvimento dos últimos 24 anos”, começou por dizer, acrescentando existir “o desafio de se reconstruir as instituições” e “de se afirmar uma nova causa comum, para se poder ter sentido de missão e visão.”
O secretário-geral da Fretilin apontou ainda como desafio central a infiltração de sindicatos de crime organizado no país, que classificou como de grande dimensão.
“Há desafios de novas invasões de sindicatos de criminalidade, e esse desafio é muito grande e exige de todos nós, primeiro, honestidade no diálogo, depois identificar claramente as nossas fraquezas, e depois combater mesmo, a sério, não prender aqui e largar ali. Isso significa cumplicidade”, declarou.
Jornalista: António Sampaio
Escrito por RafaFM
Alkatiri: Fretilin não vai endossar candidato mas vai ajudar a definir o perfil do futuro presidente
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