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Aliados da NATO recusam participar no bloqueio ao Estreito de Ormuz anunciado pelos EUA

todayAbril 14, 2026 23

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Paris, 14 abril 2026 (RAFA.tl) – Os aliados da NATO recusaram participar no bloqueio naval ao Estreito de Ormuz anunciado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o colapso das negociações de paz com o Irão, numa decisão que agrava a tensão na aliança.

Trump declarou que as forças militares norte-americanas trabalhariam com outros países para bloquear todo o tráfego marítimo na passagem, depois de as conversações em Islamabad, no Paquistão, terem falhado um acordo para pôr fim ao conflito de seis semanas com o Irão.

O Comando Central norte-americano (CENTCOM) especificou que o bloqueio, que entrou em vigor às 14h00 GMT de segunda-feira, se aplicaria apenas a navios com destino ou saída de portos iranianos, não impedindo a navegação de outros navios no estreito.

Os aliados da NATO confirmaram já que não vão participar no bloqueio.

“Não estamos a apoiar o bloqueio”, declarou o Primeiro-Ministro britânico Keir Starmer à BBC Radio, acrescentando que o Reino Unido “não se vai deixar arrastar” para a guerra entre os EUA e Israel contra o Irão.

Starmer sublinhou que a reabertura do Estreito de Ormuz continua a ser “uma prioridade máxima” do seu governo e que o Reino Unido está a comprometer recursos significativos para encontrar uma solução pacífica.

A França anunciou que irá organizar uma conferência com o Reino Unido e outros países para criar uma missão multinacional destinada a repor a navegação no estreito.

“Esta missão estritamente defensiva, distinta dos beligerantes, será desdobrada assim que a situação o permitir”, escreveu o Presidente Emmanuel Macron no X.

A ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, afirmou que o bloqueio naval planeado “não faz sentido”, classificando-o como “mais um episódio desta espiral descendente em que fomos arrastados”.

A Turquia defendeu que o estreito deve ser reaberto pela via diplomática, com o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, a pedir que a NATO “reinicie os seus laços” com Trump numa cimeira em Ancara em julho.

Trump criticou a posição dos aliados.

“Estamos muito desapontados com a NATO, muito, muito desapontados por não terem vindo”, disse Trump, acrescentando sem apresentar qualquer prova que “agora querem vir e querem ajudar com o estreito”. O Presidente norte-americano tinha prometido no domingo que “outros países estariam envolvidos” no bloqueio.

A recusa dos aliados em participar é mais um ponto de fricção entre Trump e a NATO, numa aliança que o Presidente norte-americano ameaçou abandonar e sobre a qual está a equacionar retirar parte do apoio militar dos EUA.

Já o Irão classificou o bloqueio de ilegal e equiparou-o a pirataria, avisando que “nenhum porto no Golfo Pérsico e no Mar Arábico estará seguro” se a segurança dos portos iranianos for ameaçada. O general Reza Talaei-Nik, porta-voz do ministério da Defesa iraniano, disse que o Irão “não permitirá qualquer interferência ou agressão” dos EUA ou de outras forças estrangeiras.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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