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Alemanha e Polónia assinam acordo de defesa para reforçar flanco leste da NATO

todayJunho 17, 2026 3

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Varsóvia, 17 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A Alemanha e a Polónia assinaram esta quarta-feira um acordo de defesa bilateral destinado a reforçar a cooperação militar europeia perante a ameaça russa e a crescente incerteza sobre o nível de envolvimento dos Estados Unidos na segurança do continente.

O acordo abrange a proteção da região do Mar Báltico, a mobilidade e infraestruturas militares, a ciberdefesa e o desenvolvimento de novas tecnologias.

O documento reafirma as obrigações de defesa mútua já previstas nos tratados da NATO e da União Europeia, embora, ao contrário dos acordos bilaterais que cada um dos países assinou nos últimos anos com França e o Reino Unido, o texto germano-polaco seja de natureza interministerial e não inclua declarações políticas de defesa mútua.

A aproximação entre Berlim e Varsóvia reflete uma reconfiguração das prioridades estratégicas europeias após a invasão russa da Ucrânia em 2022.

A Alemanha procura parceiros à medida que relança as suas forças armadas – a Bundeswehr – após décadas de desinvestimento, com a ambição de construir o exército convencional mais poderoso do lado europeu da NATO.

A Polónia, por seu lado, pretende garantir que os principais aliados europeus assumem um papel mais ativo na defesa do flanco leste do continente, em especial à medida que Washington pondera reduzir a sua presença militar na Europa.

“Os alemães precisam de uma Polónia forte como parceiro igual”, afirmou o chanceler alemão Friedrich Merz em dezembro, após um encontro com o primeiro-ministro polaco Donald Tusk em Berlim.

A perita Justyna Gotkowska, diretora-adjunta do Centro de Estudos Orientais de Varsóvia, sublinhou que a Alemanha tem um papel central na defesa dos países bálticos e que essa missão é impossível sem cooperação estreita com a Polónia.

Os países bálticos são frequentemente apontados como o alvo mais provável de uma eventual agressão russa contra território da NATO.

O acordo não é, porém, isento de tensões históricas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, Radosław Sikorski, admitiu que o Presidente Karol Nawrocki – ligado ao partido nacional-conservador Lei e Justiça – nunca aceitaria uma formulação mais abrangente.

O tema das reparações pela ocupação nazi da Polónia durante a Segunda Guerra Mundial, que o anterior governo polaco avaliou em 1,3 biliões de dólares – exigência rejeitada por Berlim -, deverá regressar ao debate público antes das próximas eleições legislativas polacas.

A influência crescente da Polónia na arquitetura de segurança europeia não se tem, todavia, traduzido numa presença plena nos principais fóruns de decisão.

A 7 de junho, a Alemanha, a França e o Reino Unido receberam em Londres o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky para discutir um eventual papel nas negociações de paz com a Rússia, sem convidar Varsóvia.

Tusk protestou junto de Merz, advertindo que quaisquer acordos alcançados sem participação polaca não seriam reconhecidos nem vinculativos para o país.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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