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África do Sul pressiona por debate continental sobre migração após tensão diplomática

todayAgosto 6, 2026 23

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Joanesburgo, 6 de agosto de 2026 (RAFA) – O governo sul-africano defendeu esta quinta-feira a realização de negociações a nível africano sobre migração, enquanto gere as consequências de protestos anti-imigração que forçaram a saída de muitos migrantes do país.

A África do Sul enfrenta críticas de vários países do continente devido a protestos que pedem a deportação de migrantes em situação irregular, tendo sido reportados ataques violentos contra estrangeiros.

Contudo, responsáveis sul-africanos consideram que negociações mais amplas entre todas as nações africanas poderiam resolver as causas profundas da crise migratória no continente.

A União Africana, que integra 55 Estados-membros, rejeitou na semana passada uma proposta do Gana para incluir as tensões migratórias sul-africanas na agenda da próxima reunião de coordenação do bloco, prevista para outubro.

A própria África do Sul opôs-se à ideia, argumentando que seria isolada sem que se abordasse a crise mais alargada.

A situação migratória sul-africana deverá ser discutida ainda este mês por líderes nacionais numa cimeira da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que decorre na África do Sul, país que insiste numa discussão mais ampla envolvendo todos os membros da União Africana.

Entre os países esperados nas conversações, que se realizam na cidade sul-africana de Durban, contam-se o Malawi, Moçambique e o Zimbabué, nações que têm estado a repatriar alguns dos seus cidadãos a partir da África do Sul.

O ministro sul-africano das Relações Internacionais, Ronald Lamola, afirmou esta quarta-feira que as negociações deverão abordar os fatores que causam a migração irregular em várias regiões, incluindo o Norte de África.

Lamola disse que o seu governo procura um debate à escala africana sobre a crise migratória, que inclui tanto a entrada ilegal de pessoas na África do Sul como a travessia caótica de milhares de migrantes de Marrocos para o território espanhol de Ceuta, na semana passada, que provocou mais de 80 mortos.

O governante sul-africano defendeu uma abordagem centrada nos “fatores de repulsão e atração” que levam as pessoas a emigrar dos respetivos países, tendo-se reunido nas últimas duas semanas com responsáveis de outros países, incluindo o Presidente do Gana, John Dramani Mahama, e um representante do Presidente nigeriano, Bola Tinubu.

Grupos anti-imigração ilegal na África do Sul têm exigido a deportação de migrantes em situação irregular no país, prometendo continuar a protestar todas as quintas-feiras para pressionar o governo a acelerar as deportações, reforçar a aplicação da lei de imigração e apertar a segurança nas fronteiras. Alguns migrantes afirmam ter sido alvo de ataques violentos por parte de manifestantes.

Segundo o governo sul-africano, pelo menos 68 mil pessoas foram repatriadas do país entre junho e julho, incluindo pessoas deportadas por não possuírem os documentos exigidos ou por se encontrarem em situação irregular. Embora a distribuição exata entre repatriados e deportados não seja clara, a maioria era proveniente do Malawi, seguido do Zimbabué e de Moçambique.

A Agência de Gestão de Fronteiras do país reduziu ainda a capacidade do seu centro temporário de repatriamento na cidade de Musina, próxima do posto fronteiriço de Beitbridge entre a África do Sul e o Zimbabué, de 20 mil para 1.500 pessoas.

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Escrito por RafaFM

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