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ADB promete apoio urgente ao Pacífico no contexto da crise energética devido à guerra contra o Irão

todayMaio 4, 2026 32 5

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SAMARCANDA, 4 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) declarou estar pronto para prestar ajuda urgente aos países do Pacífico, severamente afetados pela crise de combustíveis desencadeada pelo conflito no Médio Oriente.

O compromisso foi deixado pelo Presidente do BAD, numa intervenção feita durante a 59.ª Reunião Anual da instituição, que decorre em Samarcanda, no Uzbequistão até quarta-feira.

O presidente do BAD, Masato Kanda, afirmou que os países do Pacífico estão especialmente expostos ao conflito e necessitam de apoio urgente para responder às suas necessidades energéticas,

Masato Kanda disse que o banco está igualmente preparado para apoiar esses países a construir resiliência face a choques externos através da diversificação das fontes de energia.

Na mesma reunião, o BAD lançou um programa de 70 mil milhões de dólares destinado a expandir as infraestruturas energéticas e digitais em toda a região Ásia-Pacífico até 2035.

As estimativas mais recentes do banco apontam para uma quebra do crescimento do Pacífico de 4,2% no ano passado para 2,8% em 2026.

O impacto da guerra ultrapassa em muito as fronteiras do Pacífico.

Numa atualização especial às suas previsões económicas divulgada a 29 de abril, o BAD reviu significativamente em baixa as perspetivas de crescimento para a Ásia em desenvolvimento e o Pacífico, elevando simultaneamente as projeções de inflação, à medida que as perturbações do conflito no Médio Oriente continuam a fazer subir os preços da energia, a apertar as condições financeiras e a pesar sobre a atividade económica.

O banco prevê agora um crescimento regional de 4,7% este ano e 4,8% no próximo, abaixo dos 5,1% projetados para ambos os anos na edição de abril do Asian Development Outlook.

A inflação na região deverá acelerar para 5,2% este ano, face a 3,0% no ano passado, antes de ceder para 4,1% em 2027. As novas previsões assumem um preço médio do petróleo de cerca de 96 dólares por barril em 2026 – substancialmente acima da média pré-conflito de 69 dólares em janeiro e fevereiro.

Num cenário mais adverso, com nova escalada do conflito e preços do petróleo ainda mais elevados, o crescimento na Ásia em desenvolvimento e no Pacífico poderá abrandar para 4,2% este ano e 4,0% no próximo, com a inflação a atingir 7,4% em 2026.

Os países insulares do Pacífico são dos mais vulneráveis a esta crise.

O economista-chefe adjunto do BAD, Abdul Abiad, alertou que as importações de combustível representam entre 8% e 11% do PIB em muitos países do Pacífico, chegando a atingir 27% no caso de Tuvalu.

“Mesmo que o cessar-fogo se mantenha, levará algum tempo até que os preços regressem aos níveis anteriores ao conflito. Haverá muita dor”, disse.

No terreno, as consequências já são sentidas pelas populações.

Organizações de ajuda humanitária reportam que a crise pressionou os orçamentos familiares ao encarecer as deslocações, os cuidados de saúde e os bens de primeira necessidade.

Na Papua Nova Guiné, os preços do gasóleo, da gasolina e do querosene subiram até 70% desde o início da guerra, com comunidades que dependem de transporte fluvial a enfrentar dificuldades crescentes no abastecimento de alimentos e no acesso a serviços de saúde, incluindo tratamentos essenciais contra o VIH e a tuberculose.

Para o BAD, a resposta passa por apoio imediato às populações mais vulneráveis, mas também por reformas estruturais de longo prazo. A instituição recomenda que as políticas se centrem na estabilização e não na supressão dos sinais de preços, que o apoio fiscal seja dirigido e temporário, e que se priorizem as famílias vulneráveis e os sectores mais afectados.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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