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Tóquio, 11 de Junho de 2026 (RAFA.TL) – A assinatura de um acordo de fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) por 20 anos entre a petrolífera estatal malaia Petronas e a empresa japonesa JERA reforça o papel da Malásia como parceiro energético e de segurança de confiança para Tóquio.
O acordo, anunciado durante a visita do primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, a Tóquio, na quarta-feira, prevê o fornecimento à JERA de dois milhões de toneladas anuais de GNL a partir de 2028.
Atualmente, o Japão importa 15 por cento do seu GNL da Malásia, o seu segundo maior fornecedor, atrás da Austrália, e o acordo surge quando as autoridades nipónicas querem proteger-se de choques nas cadeias globais de abastecimento e aprofundar laços com aliados fiáveis, segundo analistas.
A fiabilidade da Malásia como fornecedor energético tornou-se mais relevante para o Japão, que procura gerir a sua exposição a rotas de abastecimento como o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 6 por cento das importações japonesas de GNL.
Durante o encontro, Anwar Ibrahim afirmou que a Malásia está empenhada em promover um comércio aberto e estável com o Japão, incluindo nos sectores de fornecimentos energéticos essenciais, como o GNL, e de produtos petrolíferos e químicos, como a nafta e a ureia.
“Trata-se de um feito notável e de um sucesso em termos de confiança e colaboração entre dois grandes países amigos”, declarou o primeiro-ministro malaio.
Os encontros representaram a primeira reunião entre a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e Anwar Ibrahim desde outubro passado, à margem da Cimeira da ASEAN em Kuala Lumpur.
A JERA confirmou na quarta-feira a formalização do acordo de compra e venda com a Petronas, na sequência de um memorando de entendimento assinado em junho do ano passado para alargar a colaboração ao longo de toda a cadeia de valor do GNL.
O diretor para combustíveis de baixo carbono da JERA, Ryosuke Tsugaru, descreveu a Petronas como uma das maiores fornecedoras mundiais de GNL e parceira importante há quase quatro décadas, sublinhando que o acordo dará à empresa japonesa maior flexibilidade para responder a flutuações sazonais da procura.
Para analistas citados pelo South China Morning Post, embora o novo acordo energético não altere de forma fundamental a relação entre os dois países, evidencia uma visão mais ampla e estratégica do Japão em relação à Malásia.
“O Japão não quereria depender mais de um país que considerasse instável, pouco fiável ou demasiado exposto a riscos políticos”, afirmou Shahriman Lockman, analista de política externa do think tank ISIS Malaysia. Segundo o especialista, o principal valor da Malásia para o Japão tem sido, há muito, o de base manufatureira para exportações destinadas aos Estados Unidos e à Europa – papel que se mantém relevante, mas ao qual este acordo acrescenta uma dimensão adicional, sem representar, contudo, um ponto de viragem.
Lockman sublinhou ainda que, embora a ASEAN possa servir como fórum útil, questões tão fundamentais como a segurança energética acabam sempre por ser implementadas bilateralmente.
“A disponibilidade do Japão para olhar para a Malásia como um grande fornecedor de energia sugere que o país é visto como um parceiro de confiança numa altura em que o abastecimento energético é menos certo”, afirmou.
Já Azmi Hassan, geoestratega e investigador sénior da Nusantara Academy for Strategic Research, sediado em Kuala Lumpur, considerou que o acordo reflete a forma como a Malásia tem utilizado os seus recursos petrolíferos e de gás, incluindo o GNL, para reforçar laços com parceiros importantes, conferindo ao país, rico em recursos naturais, mais margem de manobra para atuar como “potência intermédia” regional – sobretudo numa altura em que as cadeias de abastecimento energético enfrentam choques geopolíticos decorrentes da guerra no Irão.
“O abastecimento energético é hoje, acima de tudo, uma questão de geopolítica. Com o que está a acontecer no Médio Oriente, a Malásia está a afirmar-se como potência intermédia na ASEAN e é considerada um fornecedor fiável desta matéria-prima crítica”, acrescentou.
À margem do encontro entre Takaichi e Anwar Ibrahim foram ainda assinados quatro memorandos de cooperação, nas áreas da segurança e proteção marítima, ambiente e sustentabilidade, gestão de resíduos sólidos e regulação de dispositivos médicos. Foram também trocadas duas cartas de intenções, sobre segurança e transição energética, e sobre intercâmbio académico entre a Universidade de Tóquio e a International Islamic University Malaysia.
Malásia e Japão discutiram ainda um reforço da cooperação em matéria de defesa e abastecimento energético, com base em preocupações comuns sobre as reivindicações marítimas da China e os choques económicos resultantes da guerra no Irão. “Na área da defesa, partilhámos um entendimento comum sobre a importância da segurança marítima”, afirmou Takaichi na quarta-feira.
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Escrito por RafaFM
Acordo de gás natural liquefeito com o Japão consolida Malásia como "potência intermédia" na ASEAN
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