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Académico defende que ASEAN deve trocar exigência de reparações coloniais por investimento em capital humano

todayJulho 9, 2026 16

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Kuala Lumpur, 09 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Em vez de reivindicar reparações financeiras às antigas potências coloniais, a ASEAN deveria procurar junto destas um novo compromisso de investimento no desenvolvimento do capital humano da região, defende um académico regional.

A opinião, de Phar Kim Beng, professor de Estudos ASEAN e diretor do Instituto Internacional de Estudos Avançados ASEAN (IINTAS) da Universidade Islâmica Internacional da Malásia (IIUM), foi publicada hoje no jornal malaio Free Malaysia Today.

Segundo o autor, com exceção da Tailândia, todos os países do Sudeste Asiático foram sujeitos a alguma forma de domínio colonial – por parte de Portugal, dos Países Baixos, do Reino Unido, de França, de Espanha e dos Estados Unidos.

Domínio colonial que deixou marcas ainda visíveis nas fronteiras, economias, sistemas administrativos e estruturas sociais da região.

Para Phar Kim Beng, a questão já não é saber se essa história deve ser recordada, mas antes de que forma as antigas potências coloniais podem contribuir para corrigir desequilíbrios históricos de modo a beneficiar as gerações futuras, em vez de reabrir feridas do passado.

O académico contrapõe o modelo de reparações financeiras seguido noutras regiões do mundo, ligadas sobretudo à escravatura e à exploração de recursos, a uma abordagem que considera mais compatível com a cultura diplomática da ASEAN, assente no pragmatismo e na cooperação orientada para o futuro.

Como exemplo dessa maturidade regional, o autor cita o apoio da Indonésia à adesão de Timor-Leste à ASEAN, apesar da história dolorosa entre os dois países, considerando que tal decisão reflete o entendimento de que a reconciliação e a inclusão são, no final, mais produtivas do que os ressentimentos históricos.

Phar Kim Beng recorda ainda que a ASEAN se aproxima do seu 60.º aniversário, em 2027, tendo sobrevivido à Guerra Fria, à crise financeira asiática, às disputas territoriais no Mar do Sul da China, à pandemia de covid-19 e à crescente rivalidade entre grandes potências.

Segundo o autor, poucas organizações regionais fora da Europa podem reivindicar um historial comparável de preservação da paz e integração económica, sustentando mesmo que a ASEAN terá demonstrado maior respeito pela soberania dos seus membros do que a própria União Europeia, uma vez que o Secretariado da ASEAN, em Jacarta, desempenha um papel de coordenação e não de governação supranacional.

O artigo elenca ainda mecanismos que, segundo o autor, consolidam a ASEAN como um pilar de estabilidade regional – a Parceria Económica Regional Abrangente (RCEP), o Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífico (CPTPP), o Fórum Regional da ASEAN, a Reunião de Ministros da Defesa da ASEAN Mais, a Cimeira do Leste Asiático e o mecanismo ASEAN Mais Três -, numa região que concentra seis das nove potências nucleares do mundo e algumas das rotas marítimas mais movimentadas do planeta.

Como proposta concreta, Phar Kim Beng defende uma expansão significativa de bolsas de estudo para estudantes da ASEAN em áreas como ciências, engenharia, inteligência artificial, análise de dados, automação, robótica e biotecnologia.

Inclui ainda jornalismo de investigação, história, filosofia, economia e administração pública, incluindo formação específica em combate à corrupção, ao branqueamento de capitais e às burlas online.

Para o autor, essa aposta em bolsas de estudo, estágios em indústrias avançadas e intercâmbios universitários ajudaria a acelerar a transição da região para uma economia do conhecimento, um esforço que considera não poder recair apenas sobre Singapura e a Malásia através de instituições como a Lee Kuan Yew School of Public Policy ou o Programa de Cooperação Técnica da Malásia.

O académico sublinha que, estimando-se que a ASEAN se torne, até 2030, o quarto maior bloco económico do mundo – atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Índia -, com mais de 700 milhões de habitantes, caberá à Malásia, como membro fundador da organização, liderar o incentivo a que parceiros extrarregionais invistam de forma mais substancial no capital humano do Sudeste Asiático.

“O maior pagamento da história não é dinheiro. É oportunidade, conhecimento e a capacitação das gerações futuras”, conclui Phar Kim Beng.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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