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A multicultural seleção australiana de futebol com jogadores de 15 origens culturais e étnicas

todayJunho 19, 2026 11

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Sydney, 19 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A seleção australiana de futebol que disputa o Mundial 2026 tem um plantel de 26 jogadores oriundos de pelo menos 15 antecedentes culturais e étnicos, incluindo quatro antigos refugiados.

Um exemplo de diversidade que acaba por ganhar contornos políticos adicionais num momento de intensificação do discurso anti-imigração no país.

A equipa, que surpreendeu ao derrotar a Turquia por 2-0 na fase de grupos, teve como primeiro marcador Nestory Irankunda, antigo refugiado de 20 anos que se tornou o mais jovem marcador dos ‘Socceroos’ numa fase final do Campeonato do Mundo.

Na véspera do torneio, os jogadores divulgaram um vídeo em que celebraram as suas raízes migrantes e afirmaram, um a um, que “o futebol é para toda a gente”, independentemente da origem de cada um.

O vídeo tornou-se viral na Austrália, sendo descrito pelo próprio Awer Mabil – um dos quatro antigos refugiados do plantel, nascido num campo de refugiados no Quénia de pais sul-sudaneses – como “autêntico e não editado”, o que explica o impacto que teve junto do público australiano.

“A razão pela qual se tornou viral é porque era genuíno, não era editado. Era simplesmente o que os jogadores queriam dizer”, afirmou Mabil, que aproveitou uma conferência de imprensa para enviar uma mensagem direta às pessoas forçadas a fugir dos seus países.

“Estamos convosco.”

Para defensores dos direitos dos migrantes, a diversidade da equipa representa uma resposta simbólica ao crescente discurso anti-imigração na Austrália.

“Envia uma mensagem poderosa de que os australianos africanos pertencem a este país e são parte integrante da história nacional australiana”, afirmou Noël Yandamutso Zihabamwe, fundador do African Australian Advocacy Centre, em declarações à SBS News.

“Inspira os jovens a acreditar que a sua origem é uma força, não um obstáculo para o sucesso.”

As declarações surgem num contexto político sensível: a líder do partido One Nation, Pauline Hanson, argumentou recentemente que o multiculturalismo falhou e que a Austrália deveria tornar-se uma “sociedade monocultural”.

Peter Doukas, presidente da Federação dos Conselhos de Comunidades Étnicas da Austrália, rejeitou essa visão, citando precisamente o exemplo dos Socceroos.

“A força na nossa diversidade é o que estamos a ver no Mundial. Ninguém questiona a lealdade dos nossos jogadores. Ninguém questiona a sua capacidade de nos representar.”

Mabil, por sua vez, considerou que a multiculturalidade tornava a Austrália “o melhor país do mundo”. “Tens o mundo inteiro num só lugar, e os Socceroos são agora uma representação disso”, disse.

A Austrália realiza na próxima madrugada o seu segundo jogo da fase de grupos, contra os anfitriões Estados Unidos.

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Escrito por RafaFM

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