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51 Anos de FALINTIL: Investigador defende que a memória da resistência deve tornar-se uma responsabilidade nacional

todayAgosto 21, 2026 41 5

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Díli, 21 de agosto de 2026 (RAFA)- Cinquenta e um anos após a fundação da FALINTIL, a memória da resistência deve transcender cerimónias e discursos heroicos e servir para refletir sobre os desafios atuais que Timor-Leste enfrenta, defende Celestino Gusmão Pereira, investigador da Lao Hamutuk.

Num artigo publicado por ocasião do 51.º aniversário da FALINTIL, assinalado esta quinta-feira, o investigador defende que a comemoração deve levar o país a questionar como transformar a independência política conquistada pelas gerações anteriores em soberania social, económica e ambiental.

Para Celestino Pereira, a memória da FALINTIL deve ser entendida como património de todo o povo timorense e não como propriedade política de qualquer partido, grupo ou liderança.

Neste sentido, considera fundamental reconhecer não só os combatentes, os veteranos e os mártires, mas também as mulheres, as famílias e as comunidades que contribuíram para a resistência.

“A resistência não foi apenas uma luta armada nas montanhas. Envolveu também a frente clandestina, a frente diplomática, as famílias, as mulheres, os jovens e as comunidades”, escreve o investigador.

O investigador defende ainda que a memória nacional deve ser construída honestamente, incluindo o reconhecimento do sofrimento da população civil e das violações ocorridas durante os diferentes períodos do conflito.

Para Celestino Pereira, reconhecer estas vítimas não diminui o valor da resistência, nem equivale a comparar a natureza e a escala do conflito interno de 1975 com a invasão e ocupação indonésia.

Uma das principais questões levantadas no artigo é o significado da independência 24 anos após a restauração da soberania.

Segundo Celestino Pereira, um país pode ser politicamente independente e manter-se economicamente vulnerável se depender excessivamente das importações, dos recursos não renováveis, do financiamento externo ou das atividades extrativas.

“A independência política não garante automaticamente a soberania social e económica”, afirma.

Neste contexto, defende que a memória da autodeterminação deve estar ligada aos desafios atuais enfrentados por Timor-Leste, nomeadamente a gestão do petróleo, gás, minerais, água, terra, mar e biodiversidade.

O investigador esclarece que a crítica ao extrativismo não significa oposição ao desenvolvimento ou ao investimento, mas sim à excessiva dependência de um modelo económico baseado na extração de recursos naturais sem garantir uma distribuição justa dos benefícios e a proteção das comunidades e do ambiente.

Em alternativa, aponta para o reforço da agricultura, da pesca sustentável, das empresas e cooperativas locais, da indústria transformadora, da educação, do emprego digno e da capacidade tecnológica.

“A memória deve ser transformada em ação”

Celestino Pereira acredita ainda que o legado da FALINTIL deve contribuir para o fortalecimento das instituições democráticas e não ser utilizado para limitar o direito à crítica.

“Honrar os heróis não significa obedecer à política. Respeitar os veteranos não significa abandonar a responsabilidade de criticar o Governo”, cita.

Segundo o investigador, a melhor forma de assinalar o 51º aniversário da FALINTIL é transformar a memória em responsabilidade e a responsabilidade em ação, através da preservação da história da resistência, do maior reconhecimento das mulheres e dos veteranos, da transparência na gestão dos recursos naturais e da construção de uma economia menos dependente das atividades extrativas.

Na sua conclusão, Celestino Pereira resume a mensagem central da sua reflexão em três ideias: “A memória deve ser transformada em verdade. A verdade deve ser transformada em responsabilidade. E a responsabilidade deve ser transformada em ação.”

Para o investigador, a luta pela independência política foi uma vitória histórica, mas a soberania económica, a justiça social e a sustentabilidade continuam a ser desafios para a geração atual.

Jornalista: Miguel Caldas

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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