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Brasil vai às urnas no domingo com Lula na frente, mas segunda volta à vista

todayOutubro 2, 2026 20

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São Paulo, 2 de outubro de 2026 (RAFA) – Cerca de 158 milhões de brasileiros votam no domingo para escolher o próximo Presidente, numa eleição em que Lula lidera a primeira volta, mas as sondagens apontam para uma segunda volta equilibrada com Flávio Bolsonaro.

O atual chefe de Estado, do Partido dos Trabalhadores, procura um quarto mandato e enfrenta o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro.

Os dois são os únicos candidatos com hipóteses reais de chegar à segunda volta ou, em teoria, de vencer logo à primeira.

Na primeira volta, Lula tem vantagem em quase todos os estudos.

O Datafolha, com trabalho de campo entre 22 e 24 de setembro, dá-lhe 40 por cento, contra 36 por cento de Flávio Bolsonaro. Seguem-se Augusto Cury, com 5 por cento, Ronaldo Caiado, com 4 por cento, e Renan Santos, com 3 por cento. A última sondagem da Quaest, encomendada pela Genial, aponta 39 por cento para Lula e 34 por cento para Bolsonaro.

Numa eventual segunda volta, o cenário é de empate técnico.

O Datafolha dá 47 por cento a Lula e 45 por cento a Bolsonaro. A Quaest mostra 42 por cento para cada um. O instituto online Veritá, que ouviu 40.500 pessoas, é o único que coloca Bolsonaro à frente nas duas voltas. As margens de erro rondam os dois pontos percentuais. Nenhuma sondagem da última semana coloca Lula perto dos 50 por cento necessários para evitar a segunda volta.

Além do Presidente da República, os brasileiros elegem no domingo os 513 deputados federais, 54 dos 81 senadores e os governadores dos 27 estados e do Distrito Federal.

Para vencer à primeira, o candidato à Presidência precisa de mais de 50 por cento dos votos válidos. Caso contrário, haverá segunda volta a 25 de outubro.

Lula tem 80 anos. Jair Bolsonaro foi declarado inelegível pelo tribunal eleitoral e foi condenado por tentativa de golpe após a derrota de 2022, pelo que Flávio ficou como candidato da direita.

A campanha decorre num clima de forte polarização. Segundo a Americas Quarterly, o Governo de Lula alargou o programa de alívio de dívidas, introduziu subsídios temporários aos combustíveis, devido à subida dos preços provocada pela guerra no Irão, e aumentou em 15 por cento os benefícios do Bolsa Família.

Flávio Bolsonaro enfrenta um desgaste junto de eleitoras e independentes, após uma disputa pública com a madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo Distrito Federal.

O clima de tensão ficou patente esta semana com o cancelamento do debate da TV Globo, marcado para quinta-feira, no Rio de Janeiro, e que seria o último confronto televisivo entre os dois favoritos antes da votação.

Lula anunciou na quarta-feira que não compareceria e Bolsonaro desistiu horas antes do início. A emissora cancelou o debate, alegando “incerteza jurídica” criada por duas decisões, do tribunal eleitoral e do Supremo Tribunal Federal.

A primeira ordenou à Globo que retirasse a cadeira vazia reservada a Lula. A segunda obrigou-a a convidar Renan Santos.

É a primeira vez em 20 anos que os principais candidatos rejeitam qualquer confronto público.

Bolsonaro justificou a desistência com a “censura imposta pelo tribunal eleitoral”. “Chamei-te para debater, Lula, mais de duas vezes. Fugiste”, afirmou, numa transmissão em direto nas redes sociais. Lula e Bolsonaro fizeram emissões online à mesma hora do debate.

Carlos Melo, professor de ciência política na Insper, em São Paulo, considerou que o episódio mostra como estas eleições são “turbulentas”. “Ir a debates tornou-se parte de um cálculo. Para quem tem mais hipóteses de chegar à segunda volta, faltar a um grande debate é evitar tropeçar e perder terreno”, disse.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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