Destaque

El Niño vai atingir intensidade “muito forte” e prolongar-se até fevereiro, alerta ONU

todaySetembro 3, 2026 21

Fundo
share close

Genebra, 03 de setembro de 2026 (RAFA) – O fenómeno climático El Niño deverá atingir uma intensidade “muito forte” nos próximos meses, com uma probabilidade de quase 100% de se manter até fevereiro, alertou esta quinta-feira a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Segundo a agência das Nações Unidas para o clima, o El Niño deverá atingir o pico perto do final deste ano, embora os seus efeitos em cadeia sobre o clima global se prolonguem até 2027.

O fenómeno tende a atingir o auge no final do ano, mas o calor armazenado nos oceanos liberta-se mais lentamente para a atmosfera, fazendo subir as temperaturas globais no ano seguinte – como aconteceu em 2024, ano mais quente alguma vez registado, na sequência do último episódio de El Niño.

“O El Niño está a ser potenciado mesmo perante os nossos olhos”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

“A ciência não deixa margem para dúvidas: o planeta está em águas desconhecidas, e essas águas estão a aquecer. As temperaturas da superfície do mar estão a subir, as temperaturas continuam a aumentar, e o mundo está na zona de perigo de fenómenos meteorológicos extremos.”

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, alertou que este “El Niño excecional tem o potencial de desferir um golpe massivo em comunidades e economias em todo o mundo”, acrescentando que já se registam perturbações e devastação causadas por secas e cheias, com expectativa de agravamento à medida que o fenómeno se intensifica.

Saulo colocou em alerta as autoridades de gestão de desastres e setores sensíveis ao clima, como a agricultura, a saúde, a energia e a água, sublinhando que “não há tempo a perder” na preparação.

O El Niño aquece as temperaturas de superfície no Pacífico equatorial central e oriental, provocando alterações globais nos padrões de vento, pressão atmosférica e precipitação.

Ocorre tipicamente a cada dois a sete anos e dura entre nove a doze meses, alternando com o fenómeno oposto, La Niña, com períodos neutros entre ambos.

A OMM classifica os episódios de El Niño em quatro níveis – fraco, moderado, forte e muito forte -, sendo este último o nível mais elevado da escala, que o fenómeno atual deverá atingir.

O índice que mede as anomalias de temperatura da superfície do mar na região central e oriental do Pacífico equatorial reforçou-se de uma média de 1,5°C acima do normal entre maio e julho para valores semanais entre 2,2°C e 2,6°C acima da média, entre finais de julho e meados de agosto.

Em algumas zonas, as temperaturas subsuperficiais dos oceanos estiveram mais de 8°C acima da média durante julho e início de agosto.

Para o período entre setembro e novembro, as previsões da OMM apontam para uma maior probabilidade de temperaturas acima do normal “em praticamente todas as áreas terrestres”, com padrões de precipitação que refletem “uma resposta atmosférica clássica e pronunciada” ao forte El Niño do Pacífico.

Entre os efeitos típicos deste fenómeno contam-se secas em partes da Amazónia, da Indonésia e da Austrália, e perturbações nas monções na Índia.

O sudeste asiático deverá ser particularmente afetado.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o risco de seca agrícola estende-se “do Paquistão e da Índia até ao Myanmar, à Tailândia, ao Camboja e ao Vietname, e mais a leste, incluindo as Filipinas, a Indonésia e Timor-Leste”, ameaçando culturas de sequeiro como o arroz e o milho numa fase crítica de crescimento.

A Singapore Institute of International Affairs alertou ainda para um risco elevado de nevoeiro transfronteiriço severo e incêndios afetando o Brunei, a Indonésia, a Malásia e Singapura nos próximos meses.

A OMM sublinha que, embora não haja evidência de que as alterações climáticas aumentem a frequência ou a intensidade dos episódios de El Niño, o aquecimento global tende a amplificar os seus impactos associados.

FIM

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!