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Joctan Lopes defende que a missão OceanX se torne uma capacidade científica permanente para Timor-Leste

todayAgosto 28, 2026 17 1 5

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Díli, 28 de agosto de 2026 (RAFA)- O investigador timorense Joctan Lopes defendeu esta sexta-feira que as descobertas da missão OceanX de 2025 sejam transformadas numa capacidade científica permanente para Timor-Leste.

Segundo o investigador, isso passa pela formação de novos investigadores, pela preservação das amostras recolhidas durante a missão e pela realização regular de investigação científica sobre o oceano.

Na sua intervenção em Timor-Leste OceanX Symposium: Science for a Blue Future, no Centro de Convenções de Díli, Joctan Lopes, ecologista marinho, taxonomista integrativo e modelador socioecológico, destacou a importância da sua participação na missão OceanX no Timor Passage Bioblitz, realizada em 2025.

O investigador, que cresceu numa zona costeira de Timor-Leste e frequenta atualmente o doutoramento no Museu Nacional de História Natural de França, afirmou que a expedição permitiu a observação direta de partes profundas do oceano timorense que nunca tinham sido estudadas desta forma.

“A quase mil metros de profundidade, num submersível, vi jardins de coral e campos de esponjas a emergir da escuridão nas nossas próprias águas, e algumas das coisas que vimos não têm nome em lado nenhum da Terra”, afirmou.

Segundo Joctan, a experiência não se limita à exploração através do submersível. O trabalho incluiu também uma análise e catalogação de espécimes no laboratório do navio, uma observação de operações do ROV e uma aprendizagem de métodos de preservação de amostras e recolha de dados básicos do oceano, como temperatura, salinidade e profundidade.

Para o investigador, este processo demonstra concretamente o que significa desenvolver a capacidade científica nacional.

A missão OceanX produziu 4.163 exemplares que, segundo Joctan, representam uma importante oportunidade para o desenvolvimento da ciência marinha timorense.

O investigador alertou, no entanto, que Timor-Leste carece ainda de um navio de investigação nacional, de uma coleção de referência nacional ou de uma estrutura académica suficientemente ampla para que a ciência marinha absorva todo o conhecimento produzido pela expedição.

“Precisamos de construir algo para além da expedição em si: cientistas timorenses treinados nestes métodos, sistemas para manter os nossos mapas e registos úteis aqui no país e um lar nacional para os 4.163 espécimes que esta missão recolheu”, argumentou.

Joctan salientou ainda que participaram na missão oito timorenses, considerando esta participação um sinal dos progressos alcançados pelo país, mas também da dimensão do trabalho que ainda está por fazer.

O investigador alertou que os ecossistemas estudados pela OceanX permanecem em grande parte intactos, tornando os dados recolhidos especialmente importantes como referência para a monitorização de futuras alterações ambientais.

“A missão mostrou que o oceano profundo, os recifes e as nossas comunidades costeiras fazem parte de um único sistema interligado”, afirmou.

Para Joctan, a segurança alimentar das comunidades costeiras está também diretamente ligada à saúde destes ecossistemas, uma vez que os recursos marinhos que sustentam as famílias dependem de diferentes partes do meio marinho.

Por isso, defendeu que Timor-Leste não pode depender apenas de missões pontuais.

“Precisamos de levantamentos regulares, não de expedições pontuais”, enfatizou.

Joctan defendeu ainda o investimento imediato em jovens timorenses interessados ​​nas ciências marinhas, através de bolsas de estudo, financiamento e oportunidades de investigação.

No seu entender, a missão OceanX deverá evoluir para uma colaboração de longo prazo entre a OceanX, o Governo, universidades e investigadores timorenses, garantindo também que os cientistas nacionais são reconhecidos como parceiros e coautores da investigação realizada e têm participação nos dados produzidos.

O investigador defendeu ainda que o conhecimento adquirido deve chegar às escolas e às comunidades, inclusive através de conteúdos em tétum, rádio e televisão, para que a sociedade compreenda melhor o valor dos seus recursos marinhos.

“A nação que consegue estudar o seu próprio oceano é uma nação que pode realmente cuidar dele”, afirmou.

Para Joctan Lopes, Timor-Leste está apenas a começar a compreender plenamente o seu próprio mar.

O desafio agora é garantir que as descobertas do OceanX não permaneçam apenas o resultado de uma expedição internacional, mas constituam a base para uma nova geração de ciência marinha conduzida pelos próprios timorenses.

Jornalista: Miguel Caldas

 

Escrito por RafaFM

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