Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Díli, 13 de julho de 2026 (RAFA.TL)- Paula Pinto foi sepultada no Cemitério de Becusse, em Díli, numa cerimónia em que a militante de longa data contra a ocupação indonésia de Timor-Leste foi recordada pelo seu compromisso com a justiça.
A cerimónia simples juntou figuras de relevo do Estado, dirigentes políticos, representantes diplomáticos, cidadãos portugueses, timorenses e e outras nacionalidades.
Entre outros, participaram o Presidente da República, José Ramos-Horta, do ex-Presidente da República, Taur Matan Ruak, o Tenente-General das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), Falur Rate Laek, do Secretário-Geral da FRETILIN, Mari Alkatiri, membros do parlamento, diplomatas e cidadãos de vários países.
Antes do funeral, as Forças de Defesa de Timor-Leste prestaram honras militares a Paula Pinto com uma salva de tiros.
Nessa ocasião, o Presidente da República, José Ramos-Horta, apresentou as suas mais profundas condolências pelo falecimento de Paula Pinto, considerando a sua partida uma grande perda para o país.
O Chefe de Estado recordou o trabalho dedicado de Paula Pinto por Timor-Leste e afirmou que ela e o seu marido, Roque Rodrigues, simbolizavam o empenho total e a grande dedicação à causa timorense.
Ramos-Horta salientou ainda que Paula Pinto ficará na memória do povo timorense pelo seu contributo para o país, descrevendo-a como uma pessoa de generosidade e integridade.
O Secretário-Geral da FRETILIN, Mari Alkatiri, afirmou ainda que falar de Paula Pinto é falar da causa internacional, considerando que se tornou um património de Timor-Leste.
Segundo Mari Alkatiri, Paula Pinto sempre procurou a justiça e a paz, nunca esquecendo a causa timorense.
Recordou ainda os vários encontros que teve com Paula Pinto em defesa de Timor-Leste e sublinhou que a sua preocupação se estendia a várias causas internacionais.
O dirigente da FRETILIN afirmou que, para Paula Pinto, a justiça não conhecia fronteiras, recordando a sua preocupação com conflitos como os da Ucrânia e da Palestina, bem como com todas as pessoas que necessitavam de justiça.
“Hoje enterramos uma parte do nosso património e também um património internacional. Se Roque Rodrigues é um combatente, ela também é. Se Roque é um camarada, ela também é. Se Roque é meu irmão, ela também é”, disse Mari Alkatiri durante a homenagem.
Militante da causa timorense desde os últimos anos da década de 1970 – quando trabalhou ao lado de Roque Rodrigues e da resistência timorense na mobilização para a luta junto dos PALOP – Paula Pinto nasceu em Oxford a 10 de maio de 1957 e era, oficialmente, companheira de Roque Rodrigues desde 3 de julho de 1995.
O pai estava na cidade inglesa a fazer um doutoramento, quando Paula Pinto nasceu. Depois andou num vai e vem com a família entre a Inglaterra e Portugal – “o Salazar não gostava muito do meu sogro”, contou Roque Rodrigues, o seu companheiro de várias décadas.
Ao longo da ocupação esteve na linha da frente da militância, e em 1999 foi a primeira de três mulheres que montaram o gabinete de apoio ao preso mais famoso da Indonésia, Xanana Gusmão, em Salemba, Jacarta, onde chegou a 12 de fevereiro.
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
Paula Pinto é sepultada em Díli e recordada pelo seu compromisso com a justiça
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt