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Díli, 03 de julho de 2026 (RAFA.TL) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, manifestou hoje profundo pesar pela morte do padre João Felgueiras, destacando o “grande vazio” deixado por quem considera “um santo vivo entre nós”.
“Tenho acompanhado o estado de saúde do padre João Felgueiras durante muito tempo. Ia visitá-lo semanalmente, duas ou três vezes por semana. Acompanhei-o todos estes anos. Sinto um grande vazio, uma perda imensa”, disse o chefe de Estado em declarações à RAFA.
O Chefe de Estado sublinhou a insistência do padre Felgueiras na área da educação, que esteve na origem da fundação da Escola Amigo de Jesus.
“Ele falava sempre comigo, insistia sempre na educação. Foi por ele que nasceu a Escola Amigo de Jesus. A educação e a casa para os pobres eram a grande preocupação dele”, afirmou.
Ramos-Horta destacou ainda a postura do sacerdote durante a ocupação indonésia, marcada por prudência e firmeza na defesa da identidade timorense.
“Mesmo durante a ocupação, sempre com prudência e firmeza, nunca se afastou das responsabilidades que assumia, que era a de reunir os jovens e o povo em torno da língua portuguesa, da religião e da fé católica”, sustentou.
O Chefe de Estado referiu-se à “grande preocupação”, “muita admiração” e “respeito” que sempre nutriu pela personalidade do sacerdote, e recordou que em outubro do ano passado cumpriu um pedido do próprio João Felgueiras.
“Quando fui a Braga ele insistiu muito para eu ir à sua terra e a casa da família, e estive com todos os familiares. Dizia aos familiares que não poderia regressar a Timor-Leste sem lá ter ido primeiro”, contou.
O Presidente da República afirmou conhecer “a família toda” do padre Felgueiras e admitiu sentir “algum pesar especial”, ainda que a morte fosse esperada.
“Ele próprio dizia sempre que se queria ir embora para o céu, que já não aguentava com o peso”, relatou.
Ramos-Horta recordou o diálogo frequente que mantinha com o sacerdote, a quem descrevia repetidamente como uma figura de entrega total.
“Eu dizia-lhe, às vezes ele ria-se, às vezes não concordava, mas eu dizia: padre João Felgueiras é um santo em vida, um santo vivo entre nós. Precisamente pela vida dele, de total entrega ao povo, entrega à educação”, disse.
O Presidente recordou ainda, com humor, uma brincadeira que tinha com o padre Felgueiras.
“Eu brincava com ele: ‘amo, queremos que fique aqui muito mais tempo, mas muita gente, mais cedo ou mais tarde, vai saber que o amo se vai embora, e vão querer vir aqui puxar a cunha e falar com Deus por eles.… fale só de mim’. E ele ria-se”, recordou.
Ramos-Horta considerou a morte do padre João Felgueiras uma “viragem de página” na história de Timor-Leste, num momento em que os mais velhos que marcaram o país “estão a partir para o outro mundo”.
“Acompanhei o padre João nestes últimos anos e meses, muitas vezes. Admiro muito também a Rosalina Dias que tanto cuidou dele ao longo da vida e duas sobrinhas que estavam sempre a apoiar o padre. Para mim, hoje, fiquei com um sentido de um grande vazio”, concluiu o Chefe de Estado.
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Escrito por RafaFM
"Sinto um grande vazio uma perda imensa" com a morte de Padre João Felgueiras – José Ramos-Horta
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