Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Díli, 02 de julho de 2026 (RAFA.TL) – O Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ) timorense repudiou hoje, em comunicado, a nota pública da União Internacional de Juízes de Língua Portuguesa (UIJLP), acusando a organização de “falsidade” e “ingerência indevida” nos assuntos internos de Timor-Leste.
“O CSMJ repudia totalmente a nota pública recentemente divulgada pela denominada ‘União Internacional de Juízes de Língua Portuguesa – UIJLP’ relativa a matérias da jurisdição timorense. O teor do documento não merece qualquer acolhimento por parte deste Conselho”, lê-se no comunicado assinado em Díli, e remetido à RAFA.TL.
O CSMJ considera no documento, aprovado por deliberação do CSMJ, que a UIJLP “carece de legitimidade para se pronunciar sobre assuntos internos da magistratura judicial timorense”, porquanto “não integra nem representa a estrutura da magistratura judicial constitucionalmente estabelecida na República Democrática de Timor-Leste”.
Quanto ao teor das alegações da organização lusófona, o Conselho é taxativo: “são falsas, obscuras e desprovidas de fundamento legal ou factual.”
O comunicado acrescenta ainda que “o tom e o conteúdo da nota revelam um carácter impositório e de ingerência indevida nos assuntos internos de um Estado soberano, o que é incompatível com os princípios da cooperação entre magistraturas, da autodeterminação dos povos e do respeito pela soberania nacional.”
“Ao contrário do que sugere a nota da UIJLP, o Conselho Superior da Magistratura Judicial tem consagração constitucional, nos termos da Constituição da República Democrática de Timor-Leste”, afirma o CSMJ, sublinhando que “detém legitimidade constitucional ativa e personalidade jurídica própria para dirigir, superintender e gerir a carreira dos magistrados judiciais em Timor-Leste.”
O órgão garante que “continuará a defender a Constituição da RDTL, a LOJ, a independência, a dignidade e a soberania do Poder Judicial timorense, rejeitando qualquer tentativa de descredibilização externa baseada em informações erradas e em lógicas de subordinação político-partidária.”
A UIJLP divulgou a 28 de junho uma nota pública a criticar o regime transitório de recrutamento de juízes para os tribunais superiores de Timor-Leste, considerando-o “dificilmente compatível” com a separação de poderes e a independência judicial consagradas na Constituição, por remeter ao CSMJ apenas a homologação formal de uma avaliação de mérito conduzida por uma comissão e um júri externos ao órgão de autogoverno da magistratura.
O texto da UIJLP suscitou várias críticas, incluindo da coordenadora do Grupo de Trabalho da Reforma da Justiça, Lúcia Lobato.
O processo de recrutamento avançou, entretanto, com a publicação, a 1 de julho, do aviso de abertura de candidaturas no Jornal da República, prevendo 15 vagas, 30 dias para apresentação de candidaturas e avaliação em três fases.
Os candidatos serão avaliados um júri internacional composto por três magistrados portugueses aposentados do Supremo Tribunal de Justiça, indicados pelo Conselho Superior da Magistratura de Portugal.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt