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Trump arrecadou quase 1,2 mil milhões de dólares com negócios cripto em 2025

todayJulho 2, 2026 7

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Nova Iorque, 2 de julho de 2026 (RAFA.TL) – O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, arrecadou perto de 1,2 mil milhões de dólares através dos seus negócios ligados a criptomoedas no ano passado, segundo uma declaração financeira federal divulgada esta semana.

Os lucros consolidaram-se enquanto os investidores que apostaram nesses ativos registavam perdas significativas, segundo os dados divulgados.

Os negócios cripto de Trump, que eram ainda projetos incipientes quando tomou posse, ultrapassaram já em receitas grande parte do seu vasto património imobiliário, construído ao longo de décadas.

O crescimento foi impulsionado por investidores multimilionários e pela decisão do próprio Trump de travar uma ofensiva regulatória federal contra o sector.

Segundo o relatório de divulgação anual entregue ao Gabinete de Ética Governamental (Office of Government Ethics), a empresa World Liberty Financial rendeu a Trump mais de 500 milhões de dólares através da venda de novos produtos cripto, incluindo os chamados “tokens de governança”.

Outra empresa, a CIC Digital LLC, arrecadou mais de 600 milhões de dólares com a venda de moedas digitais tipo “meme”, estampadas com o rosto do Presidente. Tanto os tokens como as moedas perderam valor de forma acentuada desde então.

Trump lucrou ainda milhões de dólares com a venda de bíblias, sapatilhas e outros artigos de marca “Trump”, numa prática inédita para um presidente em funções. Só a venda de relógios da marca gerou 4,7 milhões de dólares.

O documento de divulgação, com 927 páginas, traça um retrato amplo – ainda que incompleto – do crescimento acentuado da fortuna do Presidente desde que assumiu o cargo, em janeiro do ano passado, através de uma teia de interesses empresariais, vários dos quais beneficiaram diretamente de decisões políticas da sua própria administração.

Trump tem insistido que são os filhos quem gere os seus negócios, mas este modelo prescinde das salvaguardas contra conflitos de interesse adotadas pelos seus antecessores.

Segundo a revista Forbes, a fortuna de Trump está avaliada em 6 mil milhões de dólares, contra 2,3 mil milhões em 2024, antes de assumir a Presidência.

O crescimento do sector cripto face ao imobiliário é particularmente relevante porque foi este último que serviu de base à sua primeira candidatura à Casa Branca.

O negócio imobiliário também teve um ano forte, com dezenas de milhões de dólares arrecadados através de novos contratos hoteleiros, turísticos e residenciais no estrangeiro – a maior expansão imobiliária da história do grupo familiar, fundado há mais de um século.

Vários destes países encontravam-se, em simultâneo, a negociar com Washington questões como tarifas aduaneiras e apoio militar.

Um empreendimento nos Emirados Árabes Unidos rendeu 10,4 milhões de dólares ao grupo Trump no ano passado.

Um projeto na Arábia Saudita, promovido por um investidor imobiliário próximo da família reinante, gerou 9 milhões de dólares. Já um empreendimento em Bucareste, na Roménia, e outro no Qatar renderam 5 milhões de dólares cada.

Também o resort Mar-a-Lago, na Florida, registou um crescimento acentuado, com receitas de 77 milhões de dólares – mais 50% do que no ano anterior, quando Trump ainda não ocupava a presidência.

O afluxo é atribuído à procura de chefes de Estado e empresários que passaram a frequentar a propriedade.

O relatório não inclui dados sobre lucros, apenas sobre receitas, pelo que não é possível apurar os ganhos líquidos.

Após tomar posse, Trump reverteu a postura mais rigorosa da administração Biden face ao sector das criptomoedas, adotando políticas favoráveis à indústria.

Ainda assim, antes do lançamento dos “tokens de governança” pela World Liberty, os reguladores alertaram para os riscos deste tipo de ativo digital, que, ao contrário das ações, não confere participação na empresa emissora – apenas poder de voto em certas políticas -, sendo difícil de avaliar.

Mesmo assim, os investidores não hesitaram.

Um bilionário chinês, Justin Sun, gastou 75 milhões de dólares nos tokens e 200 milhões de dólares nas moedas “meme”.

Em fevereiro do ano passado, um processo judicial federal que o acusava de fraudar investidores foi suspenso, tendo sido depois resolvido mediante o pagamento de uma multa de 10 milhões de dólares.

Sun negou reiteradamente qualquer ligação entre os seus investimentos nos negócios de Trump e o processo judicial de que era alvo, enquanto a World Liberty rejeitou a existência de qualquer conflito de interesses.

Entretanto, os investidores nos ativos ligados a Trump viram o valor das suas participações cair de forma acentuada.

Os tokens da World Liberty perderam 80% do valor desde que começaram a ser transacionados, em setembro. Já as moedas “meme” com o rosto de Trump, que chegaram a valer mais de 74 dólares pouco depois do lançamento, em janeiro de 2025, valem agora 1,68 dólares.

A Casa Branca reitera que Trump colocou os seus negócios num fundo fiduciário gerido pelos filhos e que não participa nas decisões, negando qualquer problema de ética.

A porta-voz Anna Kelly afirmou que nem o Presidente nem a sua família estiveram ou estarão alguma vez envolvidos em conflitos de interesse, sublinhando que todas as ações da administração visam servir o interesse dos cidadãos norte-americanos.

A Trump Organization, empresa que chapeia o grupo, garante que os negócios fechados no estrangeiro foram feitos com empresas privadas, não com governos.

Ainda assim, é difícil determinar o que é verdadeiramente privado em países governados por regimes autoritários, monarquias ou sistemas de partido único.

No Vietname, por exemplo, um novo resort da marca Trump rendeu 5 milhões de dólares no ano passado, depois de o Partido Comunista no poder ter enviado o vice-primeiro-ministro para selar o acordo e de, segundo o jornal The New York Times, terem sido expulsos agricultores das terras destinadas à construção.

Não é possível determinar se estes negócios influenciaram decisões políticas dos Estados Unidos a favor destes países, mas o certo é que todos obtiveram o que pretendiam: o Vietname alívio tarifário, o Qatar acesso a tecnologia norte-americana avançada até então vedada, e a Arábia Saudita a venda de caças de fabrico norte-americano há muito cobiçados.

FIM/AP

 

Escrito por RafaFM

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