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Lisboa, 30 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A CPLP e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime lançaram segunda-feira em Lisboa, na sede da organização lusófona, as ferramentas educativas em língua portuguesa da iniciativa GRACE – Recurso Global para a Educação e Empoderamento dos Jovens no combate à corrupção.
Numa mensagem em vídeo, José Ramos-Horta, Presidente de Timor-Leste – cujo país detém a presidência temporária da CPLP – declarou que “a corrupção continua a ser um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento sustentável”, acrescentando que “ao colocar-se a educação no centro do combate à corrupção, investe-se em consciência ética nas novas gerações”.
A coordenadora da iniciativa GRACE, Bianca Kopp, explicou que desde 2025 o projeto reforçou as ações preventivas, atribuindo importância crescente ao papel da educação.
“A corrupção é o cancro da sociedade. Precisamos que todos os jovens percebam por que a corrupção é prejudicial, quais são as suas consequências e por que todos devemos fazer parte dos esforços para a prevenir e combater”, declarou.
A abordagem da iniciativa GRACE assenta em três pilares: educar, empoderar e conectar organismos e pessoas.
As ferramentas são dirigidas ao ensino primário, secundário, superior e à educação não formal, e incluem materiais para educadores e estudantes em todos os ciclos. A versão em português foi desenvolvida com vozes de vários países da CPLP.
A secretária-executiva da CPLP, Embaixadora Maria de Fátima Jardim, sublinhou que “a disponibilização dos materiais em língua portuguesa possui um significado muito especial para a comunidade lusófona, pois permite uma aproximação entre sociedades e uma construção de respostas comuns para os desafios globais, mas também para os desafios das agendas nacionais”.
Defendeu que a prevenção da corrupção “começa não só nas instituições e mecanismos jurídicos, mas sobretudo na educação, na ética, na parte cívica”.
A chefe da Secção de Corrupção e Crime Económico do UNODC, Brigitte Strobel-Shaw, afirmou também em mensagem de vídeo que “a corrupção custa aos países milhares de milhões de dólares todos os anos” e que “prevenir a corrupção exige uma abordagem de toda a sociedade, que deve começar cedo”.
“Quando as crianças e os jovens compreendem o impacto da corrupção e adotam valores – como a justiça, a responsabilidade e o respeito pelo Estado de Direito -, cria-se uma cultura de integridade capaz de resistir à corrupção a partir da base”, disse.
Strobel-Shaw considerou ainda que, nos países da CPLP, “os jovens representam uma força poderosa de mudança” e que “o facto de várias ferramentas estarem agora disponíveis em português vai além da tradução em si”, constituindo uma oportunidade de expansão de conhecimento para milhões de estudantes.
O diretor nacional de Educação de Cabo Verde, Adriano Fernandes, participou por videoconferência e partilhou que no arquipélago “a cidadania, a ética e a integridade só produzem resultados quando deixam de ser vistas como uma disciplina isolada e passam a fazer parte daquilo que é cultura da escola”.
Após a sessão de abertura, o evento contou com duas mesas-redondas dedicadas à promoção da educação para a integridade e à prevenção da corrupção nos diferentes níveis de ensino.
A primeira mesa-redonda, subordinada ao tema “Educação para a cidadania, a integridade e a ética para crianças e jovens”, centrou-se no papel do ensino primário e secundário na formação de cidadãos conscientes, éticos e responsáveis.
Os intervenientes no painel partilharam experiências e boas práticas sobre a integração da educação para a cidadania e para a integridade nos sistemas educativos, destacando a importância de iniciar, desde cedo, a sensibilização das crianças e dos jovens para valores como a ética, a transparência e a responsabilidade cívica.
A segunda mesa-redonda, dedicada ao tema “Ensino Superior e Empoderamento dos Jovens – O envolvimento da academia em iniciativas anticorrupção: da teoria à prática”, abordou o contributo das instituições de ensino superior para a promoção da integridade e da boa governação.
Os participantes refletiram sobre o papel da academia na investigação, formação e desenvolvimento de iniciativas que aproximem o conhecimento científico da ação prática, reforçando o envolvimento dos jovens na prevenção da corrupção e na construção de sociedades mais transparentes, participativas e resilientes.
Finalmente, no encerramento da sessão, o presidente do Mecanismo Nacional Anticorrupção de Portugal (MENAC), José Morais Lopes, evidenciou que a escola desempenha um papel essencial na promoção dos valores da integridade, da transparência, da ética e da responsabilidade, sendo um espaço privilegiado para formar cidadãos conscientes e comprometidos com o interesse público.
Defendeu, igualmente, que a educação para a integridade não deve ser uma matéria acessória, mas uma componente permanente da educação para a cidadania, integrada nas aprendizagens e na vivência escolar.
O contexto do tema é exigente para a maioria dos países da comunidade.
Segundo o Índice de Perceção da Corrupção divulgado em fevereiro, Cabo Verde (62) e Portugal (56) são os únicos dois países da CPLP acima dos 50 pontos.
Timor-Leste obteve 45, São Tomé e Príncipe 43, Brasil 35, Angola 32, Guiné-Bissau 21, Moçambique 21 e Guiné Equatorial 15.
A CPLP, que em 17 de julho assinala 30 anos, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
FIM
Escrito por RafaFM
CPLP lança em Lisboa ferramentas da ONU para ensinar jovens lusófonos a combater a corrupção
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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