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Deportados pelos EUA morrem soterrados no hotel onde estavam detidos à chegada à Venezuela

todayJunho 30, 2026 14 1

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Caracas, 30 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Cento e quarenta e sete venezuelanos deportados pelos Estados Unidos aterraram em Caracas na manhã de 24 de junho, apenas seis horas antes dos sismos que abalaram o norte do país.

Foram escoltados diretamente do aeroporto para um hotel que servia de centro de detenção – e que horas depois acabaria destruído pelos dois terramotos consecutivos.

Apenas 12 elementos do grupo saíram com vida, e apesar das buscas continuarem, as esperanças de encontrar os restantes são cada vez menores.

Das instalações do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, os 120 homens, 19 mulheres e sete crianças foram conduzidos pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) para o Hotel Santuario La Llanada, no estado de La Guaira.

Ninguém poderia imaginar que a região seria, horas depois o epicentro de um dos terramotos mais poderosos sentidos na Venezuela em mais de um século.

O primeiro sismo ocorreu às 18h04 (hora local), com magnitude 7,2 na escala de momento, com epicentro a 23 quilómetros de San Felipe, no estado de Yaracuy. Trinta e nove segundos depois, um segundo sismo de magnitude 7,5 abalou a região de Yumare.

O Hotel Santuario La Llanada, estrutura modesta gerida pela Misión Negra Hipólita e localizada numa montanha a pouco mais de meia hora de Caracas, tinha servido no passado como apoio a pessoas em situação de sem-abrigo e como centro de isolamento durante a pandemia.

Desde que a administração de Donald Trump e o governo venezuelano estabeleceram um acordo de deportação, passou a ser o local de receção dos migrantes repatriados.

Segundo testemunhos de sobreviventes, apenas 12 pessoas conseguiram sair com vida dos escombros.

“Dos deportados, restamos 12”, afirmou um dos sobreviventes, citado pela agência ANSA.

As autoridades venezuelanas não publicaram qualquer lista ou balanço oficial sobre as vítimas deste grupo.

Os relatos dos sobreviventes descrevem horas de desespero sem meios de resgate. Juan Manuel Fernández Quintero, um dos deportados, contou que os próprios sobreviventes tentaram resgatar quem estava soterrado, mas sem ferramentas – só mais tarde soube que tinha partido quatro costelas.

Vários familiares denunciaram que funcionários do SEBIN os impediram de ir socorrer as pessoas soterradas, e que até ao final do domingo as operações de busca e salvamento tinham sido muito lentas e escassas.

Entre os casos mais graves, a mãe de Anderson Daniel Salcedo Lozano, de 21 anos, afirmou que sobreviventes relataram que os deportados imploraram para que lhes abrissem as portas quando o sismo começou. O jovem ficou em estado crítico e teve as duas pernas amputadas.

O pai de Arturo Alejandro Morales, de 25 anos, nem sabia que o filho tinha sido deportado.

Soube da tragédia através de outro passageiro do mesmo voo, no dia do aniversário do filho – um dia depois do desastre.

O balanço mais recente, ainda provisório, é de 1.450 mortos e 3.150 feridos confirmados, com dezenas de milhares de pessoas ainda dadas como desaparecidas.

Já foram resgatadas com vida dezenas de pessoas, incluindo crianças e bebés

Entre as vítimas mortais contam-se 53 portugueses e lusodescendentes, incluindo oito crianças, cinco espanhóis (e quase 120 desaparecidos), sete chineses, dois brasileiros e quatro italo-venezuelanos.

FIM

Escrito por RafaFM

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