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Onda de calor histórica em França deixa mais de mil mortos em excesso e bate todos os recordes desde 2003

todayJunho 29, 2026 8

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Paris, 29 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A onda de calor que assola a França desde 17 de junho causou pelo menos mil mortes em excesso em quatro dias, bateu todos os recordes nacionais de temperatura e mobilizou 122.000 intervenções de emergência, numa crise que o governo enfrenta com crescentes críticas políticas.

A Santé Publique France anunciou no domingo 28 de junho que se registaram cerca de mil mortes acima do normal desde 24 de junho, afetando todas as faixas etárias, mas em 85 por cento pessoas com 65 ou mais anos.

Quarenta por cento dos óbitos ocorreram em casa.

O Ministério do Interior contabilizou 74 mortes por afogamento desde 18 de junho, e os serviços de emergência registaram um aumento de 20 por cento nas intervenções de socorro, que chegou a atingir 40 por cento nos dias de pico – 24, 25, 26 e 27 de junho.

Os dias 24 e 25 de junho tornaram-se os mais quentes alguma vez registados em França: pela primeira vez na história das medições, a média nacional nas 24 horas ultrapassou os 30 graus.

Em Paris, o mercúrio ultrapassou os 40 graus nos dias 24 e 25 de junho – um limiar que só foi superado cinco vezes na capital desde o início das medições em 1947.

Saumur (Maine-et-Loire) atingiu 44,1 graus, e nas Landes, Pissos registou 44,3 graus a 23 de junho.

No dia 25 de junho, 72 departamentos foram colocados em vigilância vermelha – um recorde absoluto desde a criação deste nível de alerta – abrangendo mais de 51 milhões de pessoas, os três quartos da população metropolitana.

A seca dos solos agrava o cenário: a 25 de junho, os solos aproximavam-se do nível mais seco alguma vez observado na Alsácia, Aquitânia, Auvérnia, Limousin e Midi-Pyrénées.

Antes da vaga, o BRGM indicava já que 86 por cento dos lençóis freáticos metropolitanos apresentavam níveis em descida.

O diretor de relações institucionais da Météo-France, Benoît Thomé, qualificou o episódio de “severidade excecional, de um nível pelo menos equivalente ao de 2003” – ano em que a vaga de calor causou a morte de mais de 14.000 pessoas em França.

O balanço definitivo de junho de 2026 só será conhecido daqui a vários meses, uma vez que os dados de sobremortalidade são calculados posteriormente.

Um primeiro balanço da Organização Mundial de Saúde estima que entre 21 e 28 de junho de 2026, 1.300 mortes suplementares ocorreram na Europa devido à onda de calor.

Em Espanha, pelo menos 212 mortes entre 21 e 24 de junho foram atribuídas à canícula pelo Instituto de Saúde Carlos III.

Em Paris, a subida da mortalidade provocou uma saturação dos serviços funerários a 28 de junho, tendo sido ativados meios provisórios adicionais.

A responsabilidade do governo é posta em causa pela oposição, que aponta a falta de climatização e os serviços hospitalares sobrecarregados.

A líder dos Ecologistas, Marine Tondelier, denunciou “a cobardia do Estado face aos lobbies”.

A deputada da França Insubmissa Aurélie Trouvé afirmou que “muitas mortes podiam ter sido evitadas e o governo tem uma pesada responsabilidade”, nomeadamente na renovação de habitações que se tornaram “fornos” durante os dez dias de canícula.

Segundo a World Weather Attribution, rede internacional de cientistas, esta canícula sem precedentes para a Europa teria sido praticamente impossível há cinquenta anos.

Se a mesma configuração meteorológica tivesse ocorrido em 1976, o episódio teria sido 3,5 graus mais fresco.

A primavera de 2026 foi a mais quente alguma vez registada em França desde o início das medições em 1900, com uma temperatura média de 13,8 graus, uma anomalia de +1,7 graus face às normais de 1991-2020.

Os cientistas estimam que a frequência de canículas como esta poderá ser multiplicada por dez até 2100.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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