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Exploração energética na Austrália atinge máximo de dez anos impulsionada pela procura asiática de gás

todayJunho 29, 2026 27

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Sydney, 29 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A exploração de petróleo e gás na Austrália atingiu um máximo de dez anos no primeiro trimestre de 2026, com gastos trimestrais de 471 milhões de dólares australianos (324 milhões de dólares), segundo dados governamentais divulgados em junho.

O segundo maior produtor mundial de gás natural liquefeito (GNL) deverá ver os gastos de exploração aumentar cerca de 10 por cento este ano, para mais de mil milhões de dólares, de acordo com a consultora Rystad Energy.

A retoma é impulsionada pela crescente procura asiática de gás, pelos avanços tecnológicos e pela eleição, no ano passado, de um segundo mandato do governo trabalhista, mais favorável ao sector.

A atividade concentra-se em três regiões ricas em gás: a Bacia de Otway, ao largo da costa oeste de Vitória; o xisto de Beetaloo, no Território do Norte; e o Taroom Trough, em Queensland.

No Beetaloo, a Santos – segunda maior produtora de gás da Austrália – prevê perfurar três poços de avaliação este ano, após a japonesa Inpex ter adquirido uma participação numa licença na área em março.

O desenvolvimento da região poderia fornecer gás à central de GNL Ichthys da Inpex, em Darwin.

“Os produtores de xisto são a resposta à escassez de oferta na Austrália”, afirmou Bryan Sheffield, cofundador da Formentera Partners, que investiu na área em parceria com a Inpex.

Na Bacia de Otway, a ConocoPhillips perfurou dois poços em finais de 2025 – os primeiros poços offshore de pesquisa do país em vários anos -, com resultados mistos: um produziu gás, o segundo encontrou gás, mas em volumes abaixo do esperado e com teor de CO2 superior ao previsto.

A empresa anunciou estudos para um eventual desenvolvimento offshore que permita abastecer o mercado doméstico da costa leste.

No Taroom Trough, a Omega Oil and Gas encontrou petróleo em vez de gás, enquanto a Shell expediu petróleo leve para uma refinaria local.

O potencial em líquidos levou o governo estadual a acelerar o desenvolvimento da região, embora qualquer produção significativa seja vista como ainda distante.

A melhoria do clima de investimento não é, porém, isenta de tensões. O governo federal anunciou em maio a obrigação de os exportadores de GNL reservarem 20 por cento do gás para o mercado doméstico – medida que gerou contestação do sector.

“O capital procura lugares confortáveis para investir, e neste momento a confusão torna o investimento muito difícil”, disse Brett Woods, presidente executivo da Beach Energy, terceira maior empresa de petróleo e gás do país.

As preocupações ambientais também persistem. Bill Hare, fundador da Climate Analytics, alertou que a perfuração dos vastos recursos de xisto do Beetaloo poderia ser “muito destrutiva”, tanto pelo impacto no território como pelas emissões.

“Além da questão climática, as necessidades de água são enormes numa região extremamente árida”, sublinhou.

FIM

 

 

Escrito por RafaFM

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