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A última viagem de “Lú-Olo”, até ao reencontro com outros heróis da luta pela independência

todayJunho 25, 2026 38 5

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Díli, 25 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Francisco Guterres Lú-Olo faz amanhã a sua última viagem, com cerimónias nas várias instituições a que esteve ligado em vida, incluindo a ‘casa’ da democracia que ajudou a fundar, antes de ser sepultado no Jardim dos Heróis e Mártires da Pátria, em Metinaro.

A Sessão Solene no Parlamento Nacional, é um dos pontos altos de um conjunto de cerimónias que devem praticamente paralisar a capital, depois de quatro dias de velório em que milhares de pessoas quiseram homenagear o guerrilheiro, o político que proclamou a restauração da independência.

Líderes de vários quadrantes, do Governo a instituições públicas e privadas, de empresas ao corpo diplomático, mas também muitos anónimos que se alinharam, alguns durante horas, para uma última vénia de homenagem.

Dias em que o país cumpriu luto nacional e a quase totalidade da população respeitou o pedido de evitar celebrações ou barulho, mesmo o que normalmente marca os jogos do Mundial de Futebol.

“Declaro a restauração da República Democrática de Timor-Leste como país independente e soberano com a legitimidade conferida pelo seu povo e o reconhecimento internacional a partir de 20 de maio de 2002.”

Foi com estas as palavras que Francisco Guterres “Lú-Olo”, na qualidade de presidente da Assembleia Constituinte, marcou o nascimento de um novo país. Passavam 24 minutos das 00:00 de 20 de maio de 2002.

O “momento entre os momentos”, numa declaração histórica em Tasi Tolu perante mais de 90 delegações de todo o mundo, que marcaria a sua própria transformação de Presidente da Assembleia Constituinte a primeiro Presidente do primeiro Parlamento Nacional do país.

Logo a seguir, deu posse a Kay Rala Xanana Gusmão como primeiro Presidente da República, numa cerimónia em que Kofi Annan declarou, ao som de Oh Freedom interpretado pela soprano Barbara Hendricks, a transferência do poder executivo da Administração Transitória para a nova República.

A jornada de sexta-feira começa muito antes da homenagem no parlamento, com o cortejo fúnebre a sair da residência no bairro do Farol, e a terminar, à tarde em Metinaro, no Jardim dos Heróis, onde o segundo Presidente de Timor-Leste será sepultado.

Entre a partida e o lugar de descanso eterno, uma cidade inteira despede-se ao longo de um percurso que atravessa as instituições que “Lú-Olo” ajudou a construir e a que esteve ligado.

O cortejo parte da residência às 07h30, chegando ao Comité Central da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (FRETILIN), o partido a que presidiu desde 2001 até ao fim da sua vida, onde decorre a primeira cerimónia do dia.

Milhares de militantes e dirigentes do partido, muitos de fora da capital, prestaram já a homenagem a Lú-Olo, mas a visita à sede do CCF será o ponto alto para o partido.

Está previsto que pouco antes das 09:00 o féretro siga para o Quartel-General das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), em Fatuhada, onde os militares prestam a sua última continência ao ex-Presidente que foi durante décadas um dos elementos do braço armado da resistência timorense.

Foi, aliás, um dos últimos a descer das montanhas depois de quase um quarto de século de combate aos ocupantes indonésios.

O cortejo fúnebre segue depois para o Palácio Presidencial Nicolau Lobato, onde uma cerimónia de corpo, chefiada pelo Presidente da República, José Ramos-Horta, sucessor de Lú-lo na Presidência, cargo que ocupou entre 2017 e 2022.

A cerimónia é organizada em conjunto pelo Serviço de Protocolo do Estado, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MNEC), o Ministério da Administração Estatal (MAE), o Ministério dos Assuntos dos Combatentes da Libertação Nacional (MACLN), o Conselho de Combatentes da Libertação Nacional (CCLN) e a Fretilin.

A chegada ao portão principal do Palácio, pela Entrada Norte, é assinalada a corneta fúnebre pelos moradores do Palácio.

O féretro avança para a frente do pórtico, sendo recebido com música de homenagem interpretada pelo grupo Mate Mohu – Lahane.

O Presidente da República, José Ramos-Horta, levanta-se para prestar cumprimentos à urna e aos acompanhantes, que descem do veículo para receber o abraço protocolar do Chefe de Estado. Seguem-se breves palavras de Ramos-Horta e um minuto de silêncio.

A cerimónia no Palácio termina com a despedida e partida da urna acompanhada pela interpretação de Nearer, My God, to Thee na versão de André Rieu.

De Aitarak Laran, o cortejo segue para a Catedral de Díli, onde se realiza a Missa de Corpo Presente, antes do cortejo seguir para o Parlamento Nacional.

No hemiciclo, a Presidente do Parlamento Nacional dirige um Minuto de Silêncio, antes da leitura do Voto de Pesar aprovado por unanimidade na sessão extraordinária de quarta-feira.

Um texto que sublinha que “Lú-Olo” pertenceu “ao restrito e histórico grupo de apenas quatro comandantes que permaneceram ininterruptamente no mato durante os longos e duros 24 anos da resistência armada”, e que a sua assinatura e liderança “ficaram gravadas nos alicerces da jovem nação, deixando um legado indelével de diplomacia, resiliência e amor à pátria.”

Seguem-se as intervenções das bancadas parlamentares – CNRT, PD, Fretilin, Khunto e PLP, três minutos cada -, antes de os deputados e membros da Mesa prestarem a sua derradeira homenagem ao féretro.

Às 12h45, o cortejo fúnebre parte do Parlamento em direção a Metinaro.

Cerca de 35 quilómetros até à sepultura onde Lú-Olo será enterrado entre Francisco Xavier do Amaral, o homem que fez a proclamação unilateral da independência, a 28 de novembro de 1975, e Mau Hunu Bulerek Karataiana companheiro do braço armado.

Um reencontro de heróis nacionais. No fim da última viagem terrena.

Jornalista: António Sampaio

 

 

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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