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todayJunho 18, 2026 565 1
Díli, 18 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A Interpol identificou explicitamente Timor-Leste como um dos países alvo do malware de roubo de dados mais disseminado na região da Ásia e do Pacífico Sul, no relatório de avaliação de ameaças cibernéticas 2025/2026 divulgado ontem em Singapura.
O documento nomeia Timor-Leste entre os países afetados pelo RedLine Stealer, o infostealer mais ativo na região, a par do Cambodja, Fiji, Vietname, Kiribati, Laos, Nepal e Filipinas. Segundo o relatório, o RedLine é o malware de roubo de informação mais popular na Ásia e no Pacífico Sul devido à sua capacidade de recolher dados sensíveis, tendo-se tornado uma das principais causas de violações de dados e de furto financeiro na área.
Os sectores visados incluem a saúde, as finanças, a educação, a logística, o comércio a retalho e o comércio eletrónico.
A referência a Timor-Leste surge num relatório que pinta um quadro preocupante para toda a região.
Mais de metade dos países inquiridos reportaram que o cibercrime representa já 30 por cento de todos os crimes registados a nível nacional, enquanto 33 por cento dos países reportaram mais de dez mil casos de burlas e phishing.
Entre janeiro e dezembro de 2024, foram detetadas e neutralizadas mais de 6,5 mil milhões de ameaças cibernéticas em toda a região, segundo dados fornecidos pela TrendAI.
Os dados sectoriais revelam a dimensão do problema.
A região registou mais de 135 mil ataques de ransomware em 2024, afetando sectores como o imobiliário, a indústria transformadora e os serviços financeiros, com destaque para um ataque ao Centro Nacional de Dados da Indonésia que perturbou mais de 280 serviços essenciais, incluindo operações de imigração e aeroportuárias.
Os ataques de negação de serviço distribuída (DDoS) aumentaram 92 por cento face ao ano anterior, tendo os sítios governamentais sido os alvos primários na primeira metade do ano devido às eleições realizadas em vários países da região, enquanto as instituições financeiras enfrentaram um aumento dos ataques na segunda metade.
No que respeita ao phishing, 5,5 em cada mil pessoas na região clicam mensalmente em ligações maliciosas – aproximadamente o dobro da média global -, sendo as aplicações em nuvem os alvos primários, responsáveis por 28 por cento dos cliques.
Quanto às violações de dados, as intrusões em sistemas foram responsáveis por cerca de 80 por cento de todas as quebras de segurança registadas em 2024, com malware e ransomware presentes em 83 e 51 por cento dos casos, respetivamente.
A inteligência artificial emerge como o principal vetor de agravamento das ameaças. As discussões sobre deepfakes em fóruns criminosos e canais Telegram frequentados por agentes maliciosos do Sudeste Asiático cresceram 600 por cento entre fevereiro e junho de 2024, com estas tecnologias a serem utilizadas para personificar executivos empresariais e autorizar transações fraudulentas. Em fevereiro de 2024, um funcionário de uma empresa multinacional em Hong Kong foi induzido a transferir 25 milhões de dólares depois de a tecnologia deepfake ter sido utilizada para personificar executivos numa videochamada.
As burlas de “romance baiting” com recurso a IA geraram perdas estimadas em 37 mil milhões de dólares a nível regional.
O impacto financeiro é sistémico: vários países da região reportaram prejuízos superiores a cem milhões de dólares associados ao cibercrime, enquanto as operações de burla industrializada em países como o Cambodja, o Laos, Myanmar e as Filipinas geraram perto de 40 mil milhões de dólares por ano, recorrendo frequentemente a trabalho forçado.
O relatório sublinha que os países em desenvolvimento e os pequenos estados insulares do Pacífico – categoria em que se enquadra Timor-Leste – enfrentam obstáculos severos em termos de preparação institucional, conhecimento técnico e recursos, tornando-os altamente vulneráveis tanto ao ataque direto como à utilização como porta de entrada para atividade maliciosa de âmbito regional e global.
As jurisdições com estruturas de execução fragmentadas, capacidades técnicas limitadas e legislação menos robusta são consideradas particularmente atrativas para os agentes de ameaça, que frequentemente operam com baixa probabilidade de identificação ou de serem submetidos a processos judiciais.
O diretor de Cibercrime da Interpol, Neal Jetton, afirmou que os cibercriminosos estão a utilizar inteligência artificial, modelos de ransomware-as-a-service e técnicas sofisticadas de engenharia social a uma escala industrial, tornando o reforço da cooperação operacional, da partilha de informações e da resiliência cibernética essencial para proteger as comunidades e as infraestruturas críticas.
O relatório foi elaborado no âmbito do projeto ASPJOC – Operações Conjuntas da Ásia e do Pacífico Sul contra o Cibercrime -, financiado pelo Foreign, Commonwealth & Development Office do Reino Unido, e baseia-se nas respostas de 18 países membros da Interpol na região.
Em fevereiro de 2025, a Operação SECURE reuniu 26 países para combater infostealers e infraestruturas associadas, resultando em detenções, apreensões de servidores, a desativação de mais de 20 mil endereços IP e domínios maliciosos, e centenas de milhares de notificações a vítimas.
Em Timor-Leste a investigação deste tipo de crimes é competência da Polícia Científica de Investigação Criminal (PCIC).
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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