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Bangui, 16 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O Tribunal Penal Especial da República Centro-Africana iniciou esta terça-feira o julgamento do ex-Presidente François Bozizé, acusado de crimes contra a humanidade cometidos pelas suas forças de segurança entre 2009 e 2013.
Bozizé, de 79 anos, é julgado em absentia.
Vive exilado na Guiné-Bissau desde 2023, e as autoridades daquele país têm recusado extraditá-lo apesar de um mandado de captura internacional emitido pelo tribunal em 2024.
O processo centra-se em abusos cometidos numa prisão e num centro de instrução militar em Bossembélé, a cerca de 150 quilómetros a noroeste da capital, Bangui.
Os procuradores acusam Bozizé de responsabilidade, enquanto comandante militar, por crimes atribuídos à sua guarda presidencial e a outras forças de segurança, incluindo “assassínio, desaparecimento forçado, tortura, violação e outros atos desumanos.”
É o mais alto responsável alguma vez julgado pelo Tribunal Penal Especial, criado em 2015 para processar crimes graves cometidos durante os conflitos no país, e que enfrenta falta crónica de financiamento e dificuldades na execução das suas decisões.
Três antigos oficiais militares – Eugène Barret Ngaïkosset, Vianney Semndiro e Firmin Junior Danboy – são também arguidos no processo e deverão comparecer em tribunal.
A advogada de defesa de Bozizé, Marie Edith Douzima-Lawson, limitou-se a afirmar que a defesa tem “argumentos sólidos.”
A Amnistia Internacional assinalou que mais de 30 suspeitos procurados pelo tribunal noutros processos continuam em fuga.
Maximin Lin Crozon Cazin, que afirma ter sido detido e torturado em Bossembélé durante o período em que Bozizé governou, manifestou à Associated Press a sua deceção pelo facto de o ex-Presidente não comparecer em tribunal.
“É lamentável que François Bozizé não tenha coragem de enfrentar a justiça no seu próprio país. Espero que este julgamento estabeleça a verdade e garanta reparações”, afirmou.
Bozizé chegou ao poder através de um golpe de Estado em 2003 e governou até 2013, ano em que foi derrubado pela coligação rebelde Séléka, de maioria muçulmana.
A sua queda desencadeou anos de violência entre os combatentes Séléka e as milícias Anti-balaka, de maioria cristã, que deixaram milhares de civis mortos. Um acordo de paz foi assinado em 2019, mas seis dos 14 grupos armados que o subscreveram retiraram-se posteriormente.
A violência entre forças governamentais, milícias aliadas e grupos rebeldes mantém-se.
A República Centro-Africana é um dos países mais pobres do mundo. Apesar de dispor de vastas reservas de ouro, um em cada três habitantes vive com menos de dois dólares por dia.
O país foi também um dos primeiros em África onde o grupo de mercenários russo Wagner operou, tendo este assumido a segurança do actual Presidente Faustin-Archange Touadéra e o combate aos grupos rebeldes.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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