Justiça e Crime

74% das crianças timorenses sujeitas a disciplina violenta e apenas metade no caminho certo de desenvolvimento

todayJunho 13, 2026 53

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Díli, 13 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Setenta e quatro por cento das crianças timorenses entre um e catorze anos foram sujeitas a pelo menos uma forma de disciplina violenta, incluindo 23% que sofreram castigo físico severo, segundo o Inquérito Demográfico e de Saúde de Timor-Leste (TLDHS) 2025-26.

Apenas 11% das crianças experienciaram exclusivamente formas de disciplina não-violentas, como a retirada de privilégios ou a explicação de que o comportamento estava errado, segundo o estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística de Timor-Leste (INETL, I.P.) esta semana.

A agressão psicológica – gritar com a criança ou chamar-lhe nomes como “estúpida” ou “preguiçosa” – afeta 67% das crianças, enquanto 53% sofreram alguma forma de castigo físico.

O castigo físico severo, que inclui bater na cara, cabeça ou ouvidos, ou espancar repetidamente, é mais comum entre crianças dos 5 aos 14 anos (cerca de 25%) do que entre as de 1 a 2 anos (12%). Por município, Aileu regista a maior prevalência de castigo físico severo (41%), seguido de Lautem e Viqueque (30% cada), enquanto Oecusse apresenta o valor mais baixo (9%).

Segundo o Índice de Desenvolvimento na Primeira Infância 2030 (ECDI2030), que avalia 20 marcos de desenvolvimento nas áreas de saúde, aprendizagem e bem-estar psicossocial, apenas 50% das crianças entre os 24 e os 59 meses estão no caminho certo.

O indicador desce com a idade: 56% das crianças entre os 24 e os 35 meses estão no caminho certo, contra 48% entre os 36 e os 47 meses e 45% entre os 48 e os 59 meses.

As crianças do sexo feminino apresentam resultados mais favoráveis (53%) do que as do sexo masculino (47%).

Existem disparidades acentuadas por município: Atauro regista o valor mais elevado (68%), seguido de Bobonaro (59%) e Lautem (57%). Baucau apresenta o valor mais baixo (33%), seguido de Oecusse (40%) e Viqueque (42%).

A escolaridade da mãe tem impacto direto: 62% das crianças cujas mães têm educação superior à secundária estão no caminho certo, contra 38% entre as crianças cujas mães têm apenas educação primária.

Noutro âmbito, a percentagem de crianças com menos de cinco anos registadas junto das autoridades civis mantém-se em 61%, praticamente inalterada desde 2016 (60%), depois de ter subido de 55% em 2009-10.

Apenas 35% das crianças possuem efetivamente certidão de nascimento, percentagem que também não regista progresso ao longo do tempo.

O registo é particularmente baixo entre crianças com menos de um ano (38%), subindo para 67% entre crianças de um a quatro anos.

Por município, Atauro regista a maior percentagem de registo (82%), enquanto Ermera apresenta a mais baixa (50%).

Três em cada quatro crianças com menos de 18 anos (75%) vivem com ambos os progenitores. Seis por cento são órfãs, com um ou ambos os pais falecidos, e 10% não vivem com nenhum dos progenitores biológicos.

A orfandade é mais elevada entre adolescentes de 15 a 17 anos (11%) e mais baixa entre crianças com menos de dois anos (2%).

Estes valores mantêm-se estáveis desde 2016.

Quanto à funcionalidade infantil, 10% das crianças entre os 2 e os 17 anos apresentam dificuldade funcional em pelo menos um domínio – visão, audição, mobilidade, comunicação, aprendizagem ou comportamento.

A prevalência é praticamente nula entre crianças de 2 a 4 anos (0,3%), mas sobe para 12% entre os 5 e os 17 anos. Oecusse regista a maior prevalência (19%), seguido de Díli (14%).

O TLDHS 2025-26 foi conduzido entre 29 de setembro de 2025 e 31 de janeiro de 2026, com uma amostra de 12.880 agregados familiares, pelo INETL, em colaboração com o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças, com apoio técnico do Programa DHS da ICF e financiamento do Governo de Timor-Leste, UNFPA, UNICEF, DFAT da Austrália, Programa Mundial de Alimentação e Banco Mundial.

FIM

Escrito por RafaFM

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