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Projeto turístico ligado à família Trump na Albânia provoca protestos contra PM Edi Rama

todayJunho 12, 2026 19

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Tirana, 12 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Um avultado projeto de desenvolvimento costeiro ligado a Jared Kushner, genro do presidente norte-americano Donald Trump, enfrenta crescente resistência popular na Albânia, com milhares de manifestantes a saírem à rua todas as noites.

Os manifestantes, que estão a colocar forte pressão contra o primeiro-ministro albanês Edi Rama, estão a concentrar-se na capital, empunhando recortes de cartão com a forma de flamingos – uma das espécies migratórias protegidas cujo habitat poderá ser ameaçado pelo empreendimento turístico de luxo.

Segundo o governo albanês, o projeto na costa do Adriático seria transformador para o país, antiga nação comunista que procura entrar no mercado de turismo de alto nível e avançar na sua candidatura à adesão à União Europeia.

O empreendimento abrange uma ilha desabitada e um troço de litoral no sul do país, mas tem gerado oposição de ativistas ambientais e de críticos do primeiro-ministro socialista Edi Rama, no poder há vários anos.

Em entrevista à Associated Press, Edi Rama garantiu que não vai “recuar” no projeto e defendeu o histórico ambiental do seu executivo, afirmando que os protestos estão a ser fomentados por ativistas cibernéticos maliciosos no estrangeiro.

O primeiro-ministro acusou diretamente o Irão de visar o seu governo, alegando existir “muita manipulação” e “muitas meias-verdades que se tornam mentiras cada vez maiores a cada hora”.

As acusações de Rama contra Teerão remontam a uma disputa surgida depois de a Albânia ter acolhido, em 2022, membros de um grupo de oposição iraniano.

O Irão nega as alegações.

Apesar da defesa do projeto pelo primeiro-ministro, os protestos têm vindo a intensificar-se, com manifestações de apoio também na Grécia e noutros países europeus onde existem comunidades albanesas.

O projeto de luxo tem duas componentes: um empreendimento na zona da Lagoa de Narta, uma reserva natural, e um resort de menor dimensão na ilha desabitada de Sazan, antiga base militar da era comunista.

O conjunto previsto inclui hotéis, apartamentos, vilas e uma marina, e está ligado a Kushner e a Ivanka Trump, filha do presidente Trump.

Uma sociedade de investimento associada a Kushner recebeu estatuto especial de investidor por parte das autoridades albanesas.

Numa entrevista recente ao podcaster norte-americano David Senra, Ivanka Trump afirmou que a descoberta do local foi acidental.

“Estávamos no barco de um amigo e paramos para nadar. Foi assim, na prática, que encontrámos o sítio”, disse, acrescentando que nadaram até à ilha e subiram a pé, descalços, até ao topo, “ficando fascinados”.

Críticos rejeitam a explicação, vincando a natureza estratégica da ilha

A Albânia tem 450 quilómetros de costa que permaneceu, em larga medida, pouco desenvolvida durante décadas de regime comunista rigoroso.

Grupos de protesto temem que troços dessa costa virgem possam ser apropriados por investidores poderosos, e a indignação pública aumentou depois de um vídeo mostrar um ativista a ser arrastado por um segurança privado durante uma manifestação no local.

O projeto está previsto numa reserva natural considerada uma das áreas de maior valor para a biodiversidade na Albânia, ponto de paragem fundamental para aves migratórias ao longo da costa do Adriático.

Desde finais de maio, escavadoras e outra maquinaria pesada entraram na zona, abrindo acessos, escavando areia, desbastando terreno entre pinheiros e instalando vedações.

Organizações ambientais da Albânia e de outros países europeus condenaram os trabalhos, com um grupo local a denunciar a destruição “irreversível” de habitats há muito protegidos.

A agência albanesa anticorrupção confirmou ter aberto uma investigação relacionada com o projeto, sem revelar mais pormenores.

O governo afirma que os terrenos destinados ao empreendimento são propriedade privada, mas surgiram reivindicações concorrentes que questionam o processo de privatização.

Rama mantém o compromisso com o projeto, afirmando que este se alinha com a ambição da Albânia de se tornar um grande destino turístico mundial.

“A Albânia não deve ser um país que tema um projeto extraordinário como este, em que parceiros excecionais se uniram para investir quatro mil milhões de euros (4,6 mil milhões de dólares)”, afirmou.

“Não há hipótese de este investimento parar enquanto eu aqui estiver.”

No entanto, o desfecho de um projeto semelhante na Sérvia serve de aviso.

Em novembro, o parlamento sérvio aprovou uma lei especial para viabilizar a construção de um complexo de luxo em Belgrado, financiado por uma sociedade de investimento também ligada a Kushner.

No mês seguinte, o procurador sérvio para o crime organizado acusou quatro pessoas, incluindo um ministro do governo, de abuso de poder e falsificação de documentos para facilitar o empreendimento.

Kushner viria a retirar-se do investimento, que substituiria um vasto complexo militar bombardeado, zona classificada como património cuja proteção legal havia sido levantada pelos antigos responsáveis agora a julgamento.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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