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Díli, 3 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A operadora australiana Santos continua a trabalhar no projeto de captura e armazenamento de carbono (CCS) nos campos de Bayu-Undan, nas águas de Timor-Leste, num momento crítico quase na reta final do contrato de partilha de produção (PSC).
A imprensa do setor recorda que o PSC do campo – a maior fonte de receitas do Fundo Petrolífero timorense – expira a 30 de junho de 2026, após o encerramento da produção de gás e condensado.
O projeto é considerado essencial para a Santos cumprir o compromisso de emissões líquidas zero no campo de Barossa, no Mar de Timor, cuja produção de gás – com um teor de dióxido de carbono (CO2) de 18% – o torna um dos campos de gás mais intensivos em carbono a abastecer um projeto australiano de gás natural liquefeito (GNL).
O projeto prevê reconverter as infraestruturas submersas do campo esgotado de Bayu-Undan para injeção e armazenamento permanente de CO2.
A intenção inicial da Santos é transportar o CO2 do campo de Barossa para Bayu-Undan, mas o plano mais ambicioso é transformar o reservatório submarino num hub regional para CO2 proveniente de países como a Coreia do Sul e o Japão.
O plano implica o movimento de CO através de quase 800 quilómetros de condutas e atravessa fronteiras marítimas – uma das complexidades logísticas que analistas independentes têm apontado como obstáculos significativos ao projeto.
A Santos detém uma participação de 43,4% em Bayu-Undan e na Darwin LNG, com as restantes participações distribuídos pela SK E&S (25%), INPEX (11,4%), ENI (11%), JERA (6,1%) e Tokyo Gas (3%).
A Santos e os seus parceiros na joint venture de Bayu-Undan assinaram um memorando de entendimento com a empresa petrolífera nacional TIMOR GAP para explorar oportunidades de parceria no projeto CCS, incluindo a eventual participação acionista da empresa timorense.
A Santos afirmou manter o compromisso de trabalhar com Timor-Leste e os seus co-investidores para reconverter Bayu-Undan, após o fim da produção petrolífera, num projeto comercial de larga escala de captura e armazenamento de carbono.
Analistas do Instituto para a Análise Económica e Financeira da Energia (IEEFA) têm alertado para a escala dos desafios que o projeto enfrenta.
Entre os principais obstáculos encontram-se as aprovações para a proposta de projeto offshore e a declaração de impacte ambiental, as licenças para construir a infraestrutura em águas timorenses, as autorizações para o transporte de CO2 através de fronteiras marítimas entre a Austrália, Timor-Leste e potencialmente outros países, bem como a questão de qual dos países poderá reclamar os créditos de carbono pelo CO2 injetado em Bayu-Undan.
A Austrália e Timor-Leste terão ainda de chegar a acordo sobre as disposições de responsabilidade associadas a potenciais fugas de CO2 do projeto, dado que este se localiza em águas timorenses.
A Santos visa ter o projeto CCS de Bayu-Undan operacional em 2028, comprando créditos de carbono no período intermédio. Uma decisão final de investimento estava inicialmente prevista para 2025, prazo que não foi cumprido.
Analistas do IEEFA consideraram em outubro de 2024 que o plano da Santos “parece cada vez mais irrealista”, citando o historial de desempenho abaixo do previsto em projetos CCS similares, incluindo o projeto Gorgon da Chevron na Austrália Ocidental.
Para Timor-Leste, o projeto representa uma potencial nova fonte de receitas e emprego após o esgotamento dos campos petrolíferos históricos.
O então CEO da Santos, Kevin Gallagher, afirmou que Timor-Leste está bem posicionado como futuro fornecedor de serviços de gestão de carbono para a região.
O projeto enquadra-se igualmente na Política da Economia Azul 2025-2035 do país e nos compromissos de descarbonização assumidos por Díli.
Fontes: Santos, IEEFA, Offshore Magazine, Boiling Cold
FIM
Escrito por RafaFM
Santos mantém projeto de captura de carbono em Bayu-Undan com PSC a expirar este mês
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