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Phnom Penh, 2 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O Camboja assegura estar a conduzir a maior operação de sempre contra os centros de burla online, com cerca de 300 instalações visadas desde julho do ano passado.
As sucessivas operações policiais estão, porém, a deixar milhares de trabalhadores estrangeiros abandonados nas ruas da capital, Phnom Penh, sem documentos, dinheiro ou forma de regressar aos países de origem, segundo a imprensa regional.
O governo cambojano estima que 300 mil pessoas abandonaram o país nos últimos meses. Porém, aqueles que não têm meios para sair – nomeadamente para pagar voos ou regularizar situação migratória irregular – ficaram à deriva.
Em maio, dezenas de indonésios foram encontrados a dormir junto à embaixada do seu país em Phnom Penh, à espera de serem repatriados após saírem da indústria de fraude e jogo ilegal online.
“Temos uma crise humanitária massiva nas ruas de Phnom Penh”, afirmou Erin West, fundadora da organização não governamental Operation Shamrock.
“Quando os deixam sair, não têm bens, não têm identificação e não têm forma de regressar a casa”, disse.
A indústria de burla no Camboja é estimada por investigadores em entre 12,5 mil milhões e 19 mil milhões de dólares anuais – o equivalente a 40 a 60 por cento do produto interno bruto do país. Globalmente, consumidores em 42 países perderam cerca de 442 mil milhões de dólares em esquemas de fraude no último ano, segundo o Global Anti-Scam Alliance.
Em resposta à pressão internacional – nomeadamente da China, da Coreia do Sul e dos Estados Unidos – o Camboja aprovou em abril a sua primeira lei dedicada ao combate à fraude online, com penas que podem chegar à prisão perpétua nos casos mais graves.
Aproximadamente 1.500 indivíduos, incluindo alegados coordenadores das redes criminosas, encontram-se atualmente detidos.
No entanto, especialistas alertam que os grupos criminosos estão a adaptar-se, fragmentando as operações em apartamentos e estabelecimentos comerciais urbanos, especialmente em Phnom Penh, tornando a fiscalização consideravelmente mais difícil.
“Se cada edifício de apartamentos, cada restaurante e cada loja em Phnom Penh pode esconder três ou quatro apartamentos geridos por pequenas organizações criminosas, então não sabemos onde estão, nem a dimensão do problema”, advertiu Nathan Southern, diretor de operações do Eyewitness Project.
Os anúncios de recrutamento para esquemas de fraude continuam a circular nas redes sociais, alguns direcionados especificamente para indivíduos já presentes no Camboja, com ofertas que incluem transporte para compostos ainda ativos no Myanmar, Malásia e países africanos.
Entre os casos de maior visibilidade, o empresário Chen Zhi, ligado ao Prince Group e ex-conselheiro de líderes cambojanos, foi extraditado para a China após sanções dos Estados Unidos e do Reino Unido.
O antigo presidente do Huione Group, Li Xiong – cujo conglomerado financeiro foi acusado de branqueamento de capitais para redes de fraude transnacional – foi igualmente extraditado para Pequim no mês passado.
FIM
Escrito por RafaFM
Camboja intensifica operações conta centros de fraude mas deixa rasto de vítimas nas ruas
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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