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Banco Mundial prevê abrandamento no crescimento económico das ilhas do Pacífico

todayMaio 12, 2026 13 26

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SUVA, 12 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O crescimento económico de 11 países insulares do Pacífico deverá desacelerar para 2,8% em 2026, o nível mais baixo em vários anos, penalizado pelo aumento dos custos de energia e transporte marítimo, desaceleração do turismo e instabilidade no Médio Oriente.

A previsão é apresentada no Pacific Economic Update de maio de 2026, publicado esta terça-feira pelo Banco Mundial em Suva, Fiji.

O crescimento nos 11 países insulares acompanhados pelo Banco Mundial abrandou para uma estimativa de 3,2% em 2024 e 2025, em queda face aos 6,5% registados em 2023, e deverá continuar a desacelerar para 2,8% em 2026, com uma recuperação modesta para 3,1% prevista apenas em 2027.

O relatório adverte que os países insulares do Pacífico enfrentam um futuro económico mais frágil, com o crescimento nesta década a dever manter-se bem abaixo dos níveis pré-pandemia.

“Estes choques recorrentes e as restrições estruturais deverão manter o crescimento cerca de um ponto percentual abaixo do ritmo da década de 2010, impedindo que os rendimentos regressem à tendência anterior à pandemia”, conclui o documento.

“O Pacífico é claramente a região que pensamos será mais afetada entre as regiões que claramente não são países diretamente envolvidos no conflito”, declarou Ekaterine Vashakmadze, economista sénior do Banco Mundial, em entrevista.

Cerca de 90% da produção de eletricidade nas ilhas do Pacífico depende de gasóleo, sendo que as importações de petróleo representam até 25% das importações de mercadorias na região. Esta dependência estrutural torna os países insulares particularmente expostos à volatilidade dos preços energéticos decorrente da guerra.

A inflação, que moderou em 2025, deverá voltar a subir, com a taxa mediana nas economias do Pacífico a atingir 4,5% em 2026, face a 3,4% em 2025.

Os saldos orçamentais deterioraram-se na maioria da região em 2025, à medida que os governos mantiveram o nível de despesa para sustentar o crescimento, adiando os esforços de reconstituição de reservas após a pandemia.

A dívida pública continuou a declinar ligeiramente, mas vários países permanecem em risco elevado de insustentabilidade da dívida.

O Banco Mundial sublinha que a resiliência a longo prazo do Pacífico dependerá da criação de empregos, da melhoria das infraestruturas e de uma gestão mais eficaz dos choques futuros, alertando que “as respostas de curto prazo às crises, por si só, não serão suficientes para garantir um crescimento mais forte a longo prazo”.

Vashakmadze apelou a políticas que ajudem as pessoas a melhorar as suas competências, bem como à identificação de sectores em crescimento rápido e à eliminação de barreiras ao crescimento para impulsionar a criação de emprego, especialmente para jovens e mulheres.

O Pacific Economic Update abrange Fiji, Ilhas Salomão, Estados Federados da Micronésia, Kiribati, Ilhas Marshall, Nauru, Palau, Samoa, Tonga, Tuvalu e Vanuatu.

O Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB) apresentou em abril projeções ligeiramente mais otimistas, estimando um crescimento de 3,4% para o Pacífico em 2026, mas igualmente sob o impacto do conflito no Médio Oriente, referindo existir “uma necessidade sem precedentes de o Pacífico construir resiliência contra os impactos económicos do conflito”.

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Escrito por RafaFM

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