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Pobreza e isolamento institucional como principais causas de abandono escolar em Baucau – estudo

todayMaio 12, 2026 13 15 5

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Baucau, 12 de maio de 2026 (RAFA.TL) – A privação económica, a instabilidade familiar e a falta de apoio institucional – e não a qualidade do ensino – são os fatores que mais determinam o abandono escolar no ensino secundário no município de Baucau.

Esta é a principal conclusão de um estudo publicado esta semana no Asian Journal of Education and Social Studies, da autoria de Juvinalia Antónia de Fátima Ribeiro, investigadora do Instituto Católico para a Formação de Professores (ICFP) de Baucau.

O estudo, intitulado Understanding Secondary School Dropout in Baucau Municipality, Timor-Leste: A Mixed Methods Ecological Analysis of Multilevel Determinants, recusa a ideia de que o abandono escolar resulta de uma decisão individual ou de uma falha do aluno.

A investigadora defende que se trata de “um processo progressivo de desvinculação”, moldado pela acumulação de pressões económicas, familiares, sociais e institucionais ao longo do tempo.

A investigação combinou dados quantitativos de 75 alunos do ensino secundário com entrevistas qualitativas a 15 ex-alunos que abandonaram a escola, recolhidos em duas escolas secundárias de Baucau.

As entrevistas revelam um padrão consistente.

Os participantes descreveram situações de pobreza familiar que tornaram insuportável a continuação dos estudos – “os meus pais não tinham condições para me manter na escola”, relatou um dos entrevistados.

A morte de um progenitor ou mudanças abruptas no núcleo de cuidados surgem como fatores de rutura imediata com a escola.

A gravidez na adolescência e o estigma comunitário associado foram igualmente identificados como obstáculos de difícil superação, em particular para as raparigas.

Num dado que contraria a perceção comum, quase todos os participantes avaliaram positivamente a qualidade do ensino que receberam.

“A forma como os professores ensinavam era excelente, mas eu não queria continuar a escola porque tinha uma vida muito difícil com a minha família”, afirmou um dos entrevistados. A investigadora conclui que as condições externas à sala de aula se sobrepõem à experiência dentro dela.

Uma das conclusões do estudo é o papel da ausência de mecanismos de apoio institucional.

Os ex-alunos entrevistados afirmaram não ter tido acesso a apoio financeiro, acompanhamento psicológico ou programas de reingresso que pudessem ter evitado a saída definitiva da escola.

“O governo deveria criar programas para alunos que abandonaram a escola, para nos permitir continuar os estudos”, propôs um dos participantes.

A investigadora sublinha que muitos dos entrevistados manifestaram vontade de regressar à escola caso dispusessem de apoio suficiente, o que indica que o abandono “não é sempre uma rejeição irreversível da educação, podendo ser revertido com a assistência adequada”.

O estudo formula recomendações diretas para decisores políticos e escolas.

A investigadora defende a criação de sistemas de alerta precoce para detetar sinais de absentismo e desvinculação, o reforço do apoio financeiro e dos serviços de orientação escolar, e o desenvolvimento de programas de reingresso flexíveis.

Recomenda também que as escolas trabalhem ativamente com famílias e comunidades para combater estigmas sociais associados à pobreza e à gravidez na adolescência.

FIM

Escrito por RafaFM

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